Nesse dia 21 de outubro, data em que ocorreu o leilão do maior campo de petróleo descoberto pela Petrobrás e um dos maiores do mundo, o Campo de Libra, muitos protestos contrários a esse leilão ocorreram pelo Brasil. Um deles, porém, chamou-me especialmente a atenção.
Relembrando a cena: de um lado, uma barreira grande de soldados (mil e cem deles, segundo a TV) com roupas escuras e armas ameaçadoras; no outro, uma barreira de jovens com coloridas bandeiras, protegidos por improvisado escudo de placas de metal (em número de cem, segundo a TV).
A imagem emocionou-me.
Emocionou-me como gente. Emocionou-me como mãe. Emocionou-me como brasileira.
Aqueles poucos jovens diante de tantos soldados não nos desencoraja; pelo contrário, só nos encoraja. Lembramos de Jesus, que, mesmo na cruz, machucado, pregado, sem movimentos, mudou a história com seu exemplo. Deixou ao mundo a mensagem de que o povo, ainda que explorado, excluído, e mesmo em reduzido número, pode sim, enfrentar os poderes.
Aqueles jovens não nos envergonham; pelo contrário, só nos orgulham. Não tiveram medo da forte barreira escura com armas ameaçadoras. Nós é que nos envergonhamos de não estarmos lá com eles. Aqueles jovens ficaram próximos ao local, até o último momento, quando já não se podia impedir o leilão. Eles e elas lá, defendendo a soberania do Brasil, e nós seguindo com nossas tarefas, como se nada estivesse acontecendo.
Por que estavam ali? Certamente não para curtir “sexo, drogas e rock androll”, pois não vi nada disso ali.
Vi ali: coragem, que muitos sindicalistas e políticos “machões” não têm. Preocupação com Pátria, que o próprio Governo não tem. Politização, que os arrogantes de bolsos cheios e discursos vazios não tem.
Aqueles jovens e aquelas jovens disseram a nós que, em grandes massas ou em pequenos grupos, “Um filho teu não foge à luta”… e para não ser conivente com o machismo: “Uma filha tua não foge à luta”.
A Universidade Federal de São Carlos é uma importante universidade federal no Estado de São Paulo, reunindo mais de dez mil estudantes nas cidades de São Carlos, Sorocaba e Araras. O Diretório Central dos Estudantes tem uma ativa história de participação no movimento estudantil, fazendo-se presente em diversas lutas nacionais do movimento.
Tendo passado por um período de desorganização, o DCE voltou a funcionar no ano de 2012, mas a gestão foi marcada pela apatia. Agora, nos dias 30 e 31 de outubro, ocorreu a eleição para o DCE e abriu-se uma nova perspectiva para o movimento estudantil da UFSCar, em especial pela vitória da Chapa Livre, de oposição a atual diretoria.
Envolvendo estudantes de todos os campi descontentes com os rumos do DCE, a chapa reuniu diversas lideranças independentes e militantes da UJR, Domínio Público e Juntos, vencendo a eleição com 920 votos contra 384 da chapa da situação.
Este resultado abre novas perspectivas para a organização de um movimento estudantil combativo e o fortalecimento da luta por uma universidade pública de qualidade.
Nos dias 30 e 31 de outubro, os estudantes da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), principal universidade privada do Estado, reelegeram para a diretoria do Diretório Central dos Estudantes (DCE) a gestão Construção Coletiva. O DCE-Unicap foi protagonista na luta dos estudantes nas jornadas de junho, chegando a organizar assembleias com centenas de estudantes para promover as passeatas que tomaram conta das ruas do Recife. Promoveu ainda a luta contra os aumentos das mensalidades e restabeleceu o contato com as entidades de base.
Assim, os estudantes foram às urnas dispostos a confirmar este caminho de luta e participação, dizendo não àqueles que outrora abandonaram a entidade. Ao término da apuração, com mais de 75% dos votos válidos (986 a 325), a chapa Construção Coletiva foi reeleita, tendo como novo presidente o estudante de Direito Arisson Fernandes.
Sem dúvida, este resultado contribuirá e muito com o movimento estudantil pernambucano, que, nos últimos meses, avançou na organização de diversos DCEs e retomou a União dos Estudantes de Pernambuco (UEE) para o rumo da luta.
No último dia 01 de outubro, foi levada à discussão na Câmara Municipal de Natal-RN, o Projeto de Lei do Passe-Livre, apresentado pela vereadora Amanda Gurgel (PSTU) e pelos vereadores Sandro Pimentel e Marcos do PSOL.
Após o impedimento do reajuste das tarifas do transporte público, as manifestações de junho ainda se refletiam no temor dos representantes dos empresários do transporte na Câmara Municipal. Centenas de estudantes, organizações como a UESP, MPL, UJR, LPJ, PSTU e PCR e movimentos sociais, como o MLB, estiveram presentes na sessão para pressionar os vereadores a votarem a favor do projeto.
Como já era de se esperar, um dos vereadores, Júlio Protásio (PSB), pediu vistas ao projeto com o intuito de dar travar as discussões, já que os autores do projeto pediam urgência na votação. Mas isso não adiantou. A disposição de todos que estavam presentes era de sair com o passe-livre aprovado.
Mais uma vez, a truculência da Guarda Legislativa foi o estopim de muita violência por parte da PM. Um dos guardas agrediu uma estudante com uma tapa no rosto apenas por ela estar filmando e tirando fotos. Esta ação irresponsável gerou tumulto e provocou uma intervenção violenta da PM, que usou gás de pimenta, balas de borracha e cassetetes para agredir as pessoas. O resultado foi de três estudantes presos e dois feridos.
Por conta disso, todos que estavam dentro da Câmara acompanhando o debate, decidiram ocupá-la. Toda essa pressão levou o presidente da Casa a ter que encaminhar a votação do Projeto de Lei (PL) em regime de urgência, no dia seguinte, para evitar um maior desgaste.
Os 28 vereadores presentes votaram por unanimidade por duas vezes a favor do PL. Entretanto, o Projeto foi vetado pelo prefeito de Natal, Carlos Eduardo (PDT). Em nova sessão para discutir o veto do prefeito, nove vereadores votaram a favor do veto, seis se abstiveram e dez foram contra, o que levou à manutenção do veto, pois eram necessários 15 votos para derrubar o veto. É incrível como os vereadores mudaram de opinião tão rápido!
A Prefeitura anunciou que enviará à Câmara um projeto de passe-livre que contempla apenas a rede municipal de educação. Entretanto, o objetivo do movimento é a conquista do passe-livre estudantil irrestrito e não apenas para uma parte dos estudantes.
Por isso, apesar desse golpe, o movimento segue firme e mobilizando atos, manifestações, enfim, pressionando nas ruas para que possamos alcançar a conquista deste direito tão importante para os estudantes.
Samara Martins e Lucia Crisante, militantes da UJR
O mês de outubro começou nas universidades estaduais de São Paulo da mesma forma que terminou junho: com luta, mobilização e estudantes nas ruas questionando a ordem imposta.
Na USP, em especial, a mobilização segue forte. Desde o dia 01 de outubro, os estudantes do campus central decidiram ocupar o prédio do Conselho Universitário e deflagrar uma greve reivindicando eleições diretas para reitor, votação paritária entre as três categorias (alunos, funcionários e professores) e fim da lista tríplice, que confere ao governador a escolha do reitor entre os três mais votados. A direção da universidade agora sinaliza para a convocação de uma estatuinte em 2014, onde o tema seria debatido. A USP também já se comprometeu a negociar o retorno de três linhas públicas de ônibus extintas e o aumento da frota de ônibus circulares no campus;reajustes nas bolsas estudantis; mais prédios para moradia estudantil e abertura de uma discussão sobre o modelo de segurança da universidade; alémda devolução dos prédios do DCE e da Associação de Pós-Graduandos.
Nas três universidades públicas paulistas – USP, Unicamp e Unesp – existe uma estrutura de poder autoritária, antidemocrática e burocrática. Seguindo a cartilha do governo repressor do PSDB, dentro das universidades vigora o modelo de desrespeito aos interesses da comunidade acadêmica, de agressão àqueles que o questionam e de compra e venda de interesses políticos e econômicos.
Atualmente, as três instituições contam com cerca de 172 mil estudantes. Desses, poucos são os que vieram de escolas públicas, são negros ou pobres. Os cursos considerados de excelência aprofundam essa discriminação. Nos três cursos mais concorridos não existe nenhum calouro negro. Segundo Paulo Henrique “Bahia”, representante discente do curso de Letras, o maior da USP e da América Latina, com cerca de cinco mil estudantes, esta situação se deve a “um regime de exclusão ainda mais profundo que a universidade, um regime social. O vestibular apenas demonstra como o rosto do pobre no Brasil é negro, e, assim, os negros, que em sua esmagadora maioria não têm condições de pagar escolas particulares ou cursinhos, acabam relegados também no ensino superior às posições subalternas ou ao estudo em faculdades particulares com uma qualidade de ensino bastante inferior”.
Para os que vencem a fase excludente do vestibular e ingressam na USP surge logo outra seleção, para a assistência estudantil. Mesmo com a vaga garantida, muitos passam meses em alojamentos provisórios, onde só possuem uma cama para dormir e dividem o quarto com vários outros colegas. Segundo a estudante Bárbara Olívia, secretária da Associação dos Moradores do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (AmorCrusp), “esses alojamentos possuem superlotação e fecham no final do ano. Só é selecionado quem mora muito longe ou vem de outro estado. Em alguns blocos de apartamentos a internet é muito lenta, atrapalhando na hora de fazer os trabalhos escolares, e até mesmo a água dos chuveiros é gelada”.
Mesmo após a matrícula,é preciso enfrentar vários desafios que vão além do conteúdo do curso e das provas. Em alguns casos, os calouros estudam em salas com mais de 60 ou 80 alunos, de forma que aqueles que chegam atrasados precisam sentar no chão.
Outro fato recorrente é a perseguição e repressão dentro do campus. “A atuação da PM dentro da USP não é muito diferente da atuação fora dela. A diferença é que nas ‘periferias’ a repressão é letal”, comenta a estudante da USP e diretora de Democratização da Mídia da UEE, Carolina Peters. É conhecido de todos que os militantes do movimento estudantil enfrentam mais dificuldades para conquistar bolsas ou auxílios como alimentação e moradia. As festas são proibidas na maioria dos campi, e a Polícia só aparece para agredir e incriminar os estudantes. Enquanto isso, os crimes como estupros e casos de machismo, racismo, homofobia, além de furtos e assaltos continuam aumentando. “Nos casos de estupro, os registros ainda são feitos como se a ocorrência houvesse acontecido no entorno, não dentro dos muros da Universidade. Há dois anos vem se articulando a Frente Feminista da USP. Dentro da Frente, acumulamos uma posição contrária à presença da PM no campus, não apenas por se mostrar ineficiente na garantia da segurança, mas por entender que se trata de uma instituição machista, sem preparo para atender às vítimas. Elaboramos um plano de segurança alternativo que prevê, entre outras coisas, melhorias na iluminação, abertura da universidade para a população e um efetivo feminino treinado na guarda universitária”, completa Carolina.
Na USP, o movimento estudantil tenta dar o exemplo. Após a intensificação das mobilizações foi feito um grande esforço para esclarecer a todos os estudantes os motivos da greve. Estão sendo realizadas rodas de discussão, aulas públicas com professores dos cursos, debates sobre temas políticos e sociais e exibição de filmes sobre a história das lutas estudantis, entre outras atividades, e vem crescendo o número de participantes nas assembleias a partir do incentivo para que estudantes novos possam falar e expor suas opiniões e diferentes pontos de vista.
As universidades públicas são financiadas por todos os cidadãos e, por isso, devem servir a todos.Democratizar a universidade é colocá-la a serviço do povo.
Nos dias 04, 05 e 06 de outubro, foi realizado o 9º Encontro Latino-Americano e Caribenho de Sindicalistas (ELACS), na Cidade do México, com a presença de cerca de 120 delegados de sete países: Equador, Venezuela, Brasil, República Dominicana, Colômbia, Peru e do próprio México.Mais uma vez,Movimento Luta de Classes (MLC) se fez presente,sendo representadopelos companheiros Magno Francisco (Sindicato dos Trabalhadores em Supermercados de Alagoas) e Rafael Freire (Sindicato dos Jornalistas da Paraíba). Também participou Altamiro Nobre, pelo Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas (Sintufal).
“Além da oportunidade de participar de um importante evento internacional, onde pudemos aprender mais sobre a realidade de outros países, reforçando nosso espírito de união latino-americana e de solidariedade de classe, fomos indicados para sediar a próxima edição Encontro. Para nós do MLC isto significa um reconhecimento das lutas que temos desenvolvido”, afirma Magno. Por deliberação unânime da plenária final, ficou decidido que o 10º ELACS será realizado no Brasil, em 2015.
O Encontro se deu num momento de efervescência política no México, especialmente pela combativa greve nacional dos professores, que durou dois meses, e pela realização de grandes marchas nas ruas das principais cidades do País no dia 02 de outubro, data tradicional do movimento popular em memória aos 325 estudantes assassinados durante protesto em 1968. A manifestação na Capital mexicana contou com cerca de 50 mil trabalhadores e jovens, que, inclusive, entraram em confronto com a Polícia do Distrito Federal.
O principal debate do evento foi aquestão das reformas trabalhistas em curso em vários países, impondo à classe trabalhadora a retirada de direitos históricos como 13º e 14º salários; contrato coletivo de trabalho; possibilidade de questionamentos na Justiça sobre as verbas rescisórias; quebra da representatividade dos sindicatos; direito de greve; etc. Sobre isso, foi deliberada uma campanha de denúncias articulada internacionalmente e um seminário para 2014 na Colômbia.Outras importantes discussões foram sobre privatização e dependência das economias nacionais ante os monopólios internacionais; jovens e crianças trabalhadoras; situação da mulher trabalhadora; defesa dos recursos naturais; além da necessidade de fortalecer o movimento sindical classista, combativo e revolucionário na América Latina. Para dar continuidade a estes temas foi aprovada a criação de um site unificado do ELACS.
A programação do ELACS transcorreu em três locais simbólicos para a classe trabalhadora mexicana: o Sindicato Nacional dos Ferroviários (o mais antigo do País), o Sindicato Nacional dos Telefonistas e a Universidade Operária do México. Como encerramento do evento, foi fundada uma nova central sindical, a União dos Trabalhadores do México (UTM), reunindo sindicatos classistas de vários estados e setores, como ferroviários, professores, servidores públicos municipais e federais, trabalhadores da Universidade Autônoma do México (a maior da América Latina).
O governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, tem demitido, por mês, 270 trabalhadores da Minas Gerais Administração e Serviços S.A. (MGS), todos concursados, sem abrir processo administrativo e com a desculpa de redução de gastos. É a política do “choque de gestão” dos tucanos. A MGS é uma empresa pública, ligada à Secretaria de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplag). Mesmo sendo regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), os trabalhadores não podem ser demitidos sem processo administrativo, assim como os trabalhadores dos Correios e os da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), por exemplo. Mas o Governo de Minas e a direção da MGS estão desconsiderando as leis e demitindo arbitrariamente, descumprindo inclusive a norma interna da empresa e a Resolução 40 da própria Seplag (que impede que haja demissões imotivadas e sem processo administrativo).
A MGS possui cerca de 22 mil trabalhadores em todo o Estado de Minas Gerais e está presente em todos os órgãos e secretarias do Governo, como Secretaria de Saúde, Educação e Defesa Social, além de lugares como as Unidades de Atendimento Integrado (UAIs), o Hospital João XXIII, IPSEMG e o Palácio das Artes.
Por isso, os trabalhadores decidiram se organizar e ir à luta contra as demissões. Organizados pelo Movimento Luta de Classes (MLC), pararam um turno da Secretaria de Defesa Social (Seds) em agosto. Em setembro, os trabalhadores da MGS das UAIs paralisaram as atividades em 12 unidades espalhadas por todo o Estado contra as demissões ilegais e a parceria público-privada (PPP) que o Governo de Minas quer implantar, passando para as mãos de capitalistas a responsabilidade de fazer as carteiras de identidade, passaportes e outros documentos que todo cidadão é obrigado a possuir.Os trabalhadores da MGS no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) também realizaram paralisações.
Mas as demissões continuaram. Todos os trabalhadores da MGS lotados na Polícia Civil serão demitidos; 770 pais e mães de família irão para a rua. Em protesto, os funcionários fecharam a Avenida João Pinheiro junto com grevistas dos Correios e depois seguiram para a Praça Sete pela Avenida Afonso Pena, fechando toda uma via.Com esta paralisação, a luta da MGS apareceu em vários meios de comunicação, ajudando a fortalecer e divulgar o movimento.
Com as grandes movimentações e com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), houve uma reunião na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) com a MGS, que declarou ser do Governo do Estado a responsabilidade pelas demissões, e que ela apenas segue o planejamento governamental.
No mês de outubro, a MGS abriu mais um concurso público, com 209 vagas, entrando em contradição com o que afirmou sobre não ter como remanejar os funcionários demitidos porque não havia vagas. Então, para que um novo concurso se continuam demitindo os trabalhadores? Será que essas pessoas serão realmente chamadas, ou serão chamadas para serem demitidas antes de completarem dois meses de casa, como vem ocorrendo? A abertura de concursos para a MGS é uma prova de que as demissões são uma grande injustiça e devem ser barradas com a união e a luta dos trabalhadores.
Nas manifestações de junho o povo na rua gritava não apenas por transporte, mas pela melhoria da saúde e da educação. Ouvindo a voz das ruas e cansados de ser atacados pelos governos, os profissionais de Educação da rede municipal e estadual do Rio de Janeiro entraram em greve no dia 8 de agosto.
De lá para cá, foram realizadas várias passeatas, atos, ocupações e grandes manifestações, que reuniram dezenas de milhares de pessoas.
A luta da Educação conquistou o apoio da população (estudantes, pais de alunos, artistas e outros trabalhadores) não só no Rio, mas em todo país, alcançando até visibilidade internacional. Pesquisas apontam que mais de 85% da população apoiou a greve dos educadores. Os pais se organizaram e passaram a se reunir com apoio do sindicato.
Porém, desgastados como estão, os governos estadual e municipal agiram com intransigência, sem querer negociar com o sindicato, e decidiram retirar à força os trabalhadores que ocupavam a Câmara Municipal e aprovar o PCCS da rede municipal enquanto a Câmara estava cercada pela Polícia, que jogava bombas de gás em cima de milhares de pessoas que protestavam do lado de fora.
Prova da intolerância do governo do Estado foram os processos administrativos que cerca de 400 educadores da rede estadual sofreram simplesmente por estarem em greve. Mas o principal é que os professores da Cidade do Rio conseguiram quebrar a intransigência dos governos e vencer uma violenta repressão.
A primeira grande conquista da greve foi a denúncia das políticas meritocráticas adotadas pela Secretaria de Educação, que está mais preocupada com números e metas do que com a qualidade do ensino e do aprendizado dos alunos. A educação é mais um dos serviços públicos atingidos pela mesquinhez do capitalismo, e o descontentamento com a má qualidade do serviço prestado vem sendo exposto desde as manifestações de junho.
Na rede estadual, além de um desgaste muito grande do governador, com a campanha “Fora Cabral”, foram abertas linhas de diálogo para discutir o projeto “uma matrícula, uma escola”, que garante que os professores cumpram sua carga horária em uma única escola e que nenhuma disciplina tenha menos de dois tempos por semana.
Já na rede municipal, foram conquistados o reajuste de 15%, a redução do número de alunos por turma e o estabelecimento de um cronograma de construção de novas unidades escolares, além da promessa de expandir a climatização das salas de aula. O plano de carreira, mesmo não sendo o desejado, foi estendido aos professores de 16h e 22,5h, e a adoção das apostilas elaboradas pela Secretaria passará a ser facultativa a partir do próximo ano.
Ainda foram garantidos o não corte de ponto e a suspensão dos processos administrativos e das multas aplicadas ao sindicato (Sepe). Também foi formado grupo de trabalho da rede estadual para debater os projetos apresentados pelo Sepe, e outro da rede municipal para debater a valorização da carreira dos profissionais de Educação.
Esta greve ficará marcada pela união da categoria em torno da luta pela melhoria da qualidade da Educação e pela conscientização dos professores, que perceberam as intenções das políticas privatizantes dos governos no sentido da destruição da Educação e dos serviços públicos. Ficou claro a todos como o Estado age de forma violenta quando vê seus interesses questionados. A política de meritocracia serve para os governos economizarem com a Educação e poderem repassar mais dinheiro para empresas parceiras, que vão financiar suas campanhas eleitorais.
O fim da greve não é o fim da luta, mas o início de uma nova etapa, agora em sala de aula, com professores renovados, conscientes do seu papel social e de que tipo de educação querem para o povo, e prontos para voltar às ruas caso não sejam cumpridos os acordos.
A chegada dos médicos estrangeiros, especialmente os cubanos, para reduzir a defasagem de profissionais no interior do País, e a lamentável postura de parte dos médicos brasileiros contra isto levam-nos a fazer uma reflexão profunda sobre a saúde no Brasil. Avaliar o atual modelo de saúde, seu financiamento, estrutura e qualidade é importante, porém é necessário nos aprofundarmos a fonte da crise atual.
Voltando ao tempo, chegamos em 1988, quando boa parte da proposta do movimento sanitário foi inserida na Constituição, representando um grande avanço, pois a saúde passou a ser legalmente um direito e um dever: direito do cidadão e dever do Estado; sendo então este o principal financiador e regulador do setor, com um modelo descentralizado e horizontal.
Na prática, porém, o modelo do Sistema Único de Saúde (SUS), estatal, universal, gratuito e de qualidade, vem sendo descumprido desde a sua criação. A situação econômica do País, a confluência de déficits fiscais, a alta pressão das dívidas externa e interna e o modelo político neoliberal resultaram em políticas de ajustes estruturais que reduzem os investimentos em despesas públicas, apresentando como saída as propostas de privatização para redução de gastos com o setor público. Neste cenário, observamos o crescimento dos planos de saúde (bem como o subsídio a eles fornecido pelo Governo), as parcerias público-privadas (PPPs), as organizações sociais (OS e Oscips) e as fundações estatais de direito privado (como a Ebserh), estabelecendo um processo de universalização excludente e caminhando na contramão dos princípios do SUS.
Mas a crise da saúde não é somente econômica. Nossos médicos e demais profissionais que hoje criticam de maneira vergonhosa o programa “Mais Médicos”, pouco ou nada falam do programa “Mais Saúde”, também chamado de PAC da Saúde; programa do Governo Federal que, ao mesmo tempo, que criou programas como (Saúde da Família, Brasil Sorridente e Samu), institucionalizou as parcerias público-privadas (PPPs) e criou a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) para terceirizar e privatizar os Hospitais Universitários Federais; o que demonstra que a formação acadêmica apresenta falhas na formação política e humanitária dos nossos profissionais, que deveriam antes de tudo, estar a serviço da população.
Esta realidade se reflete na prática da construção do sistema e da assistência médica, que passa longe dos princípios da medicina preventiva e da ênfase na atenção primária. Investir em saúde não significa somente dobrar ou triplicar os recursos, e sim gerenciá-los de maneira correta para que sejam bem aproveitados e para que o sistema priorize a promoção da qualidade de vida e não o tratamento de doenças.
Aconteceu no dia 21 de outubro a 12ª rodada dos leilões dos poços do pré-sal, sem precedentes, a maior privatização que o Brasil já viveu. Desta vez, estava em jogo o Campo Libra. Participando da compra do pré-sal brasileiro havia inúmeras empresas estrangeiras e, do lado de fora, lutando contra este crime de lesa à pátria, diversos partidos, organizações, sindicatos e entidades estudantis.
O leilão estava marcado para as 15h00, entretanto, às 10h00, a avenida em frente ao Hotel Windsor (onde foi o leilão) era palco de guerra entre a Força Nacional e militantes da esquerda. De um lado, bombas de gás, escudo a prova de balas, bala de borracha, bomba de efeito moral, do outro, militantes armados com tapumes de metal e pedaços de pedra para frear o famigerado leilão.
Durante a resistência dos manifestantes (e fruto da revolta contra a política antipovo adotada pelos meios de comunicação comerciais), o carro da TV Record foi virado e serviu também como barricada. Contra a privatização e a terceirização os petroleiros começaram uma greve nacional, onde mais de 50 plataformas e refinarias foram paradas. Apesar de todas essas manifestações contrárias, o Governo Federal concluiu a 12° rodada do leilão.
A Petrobrás, que descobriu Libra, terá menos da metade do campo. O consórcio vencedor do leilão – formado pela Petrobrás (10%), Shell (20%), Total Elf (20%), CNPC (10%) e CNOOC (10%) – ofertou à União o excedente de petróleo mínimo previsto na licitação, ou seja, 41,65%. Segundo a Federação Única dos Petroleiros, a ANP realizou uma manobra no edital, o Estado brasileiro poderá ficar com apenas 14,58% do óleo gerado pelo Campo de Libra. A entrega de 60% do campo de Libra para as multinacionais é um dos maiores crimes contra a soberania do País.
Mas, assim como os índios resistiram ao ataque dos portugueses e os escravos resistiram à sua escravização, a esquerda brasileira se colocou nas ruas e enfrentou o Exército, a Força Nacional, o Batalhão de Choque da Polícia Militar.
No último dia 25 de outubro, faleceu, aos 79 anos, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, em decorrência de uma parada cardíaca. Ingressou no Jornalismo no final dos anos 1950, como repórter, e depois se tornou editor, chefe de reportagem e diretor de redação de grandes veículos, como o Jornal do Commercio, Diário Carioca, Jornal do Brasil, Diário de Notícias, Jornal dos Sports, Última Hora, O Dia, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, além de revistas como Realidade e Placar. Apesar de ter construído sua carreira profissional na imprensa burguesa, também colaborou com veículos alternativos de combate à Ditadura Militar, como Folha da Semana, Voz Operária, Opinião e Movimento. Chegou a ser preso e torturado na década de 1970.
É daí que vem seu apreço pela imprensa independente. Nós, de A Verdade, nos acostumamos a receber todos os meses uma carta de Maurício saudando mais uma edição do jornal e desejando votos de sucesso. Com certeza, vamos sentir falta.
Maurício Azêdo presidia a ABI desde 2004 e ainda exerceu três mandatos de vereador no Município do Rio de Janeiro.
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