UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 10 de abril de 2026
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A simplicidade do mestre Cartola

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Cartola, compositor de lindas melodias e rebuscada poesia completaria 104 anos no dia 11 de outubro desse ano. Carioca nascido no bairro do Catete, Angenor de Oliveira, cursou até o primário. Quando da morte de sua mãe, Cartola teve que parar os estudos e trabalhar. Foi tipógrafo e pedreiro.   Nos canteiros de obra cantarolava suas composições ao compasso do seu violão. Também foi na construção que recebeu seu apelido por usar um chapéu com o formato de cartola.

 Ainda menino, por causa da precária situação financeira, foi morar com a família no Morro da Mangueira. No ano de 1928, junto com outros companheiros, fundou a escola de samba Estação Primeira de Mangueira, a famosa verde e rosa, cores escolhidas por esse mestre do cancioneiro.

Com a morte de sua primeira companheira, Deolinda, se afastou por uma década das rodas de samba. Passou a viver do que recebia dos bicos que realizava como lavador de carros e vigia de edifícios. Através da ajuda dos amigos retornou as cantigas de roda de samba. De forma simples e melódica levava a vida como na poesia das suas músicas.

As canções do eterno Cartola, cantadas pelos maiores intérpretes da música popular brasileira, são imprescindíveis em nossas vidas, que necessitam respirar o ardor das melodias e saborear a leveza dos poemas das eternas músicas do nosso sempre e grandioso artista. Nesse 11 de outubro, nossas maiores reverências ao mestre Cartola, que com a simplicidade dos gênios,  cantou a vida de seu povo e emocionou os corações de todos nós.

O Samba do Operário
Se o operário soubesse
Reconhecer o valor que tem seu dia
Por certo que valeria
Duas vezes mais o seu salário
Mas como não quer reconhecer
É ele escravo sem ser
De qualquer usurário
Abafa-se a voz do oprimido
Com a dor e o gemido
Não se pode desabafar
Trabalho feito por minha mão
Só encontrei exploração
Em todo lugar

 

Vale do Rio Doce atolada em escândalos

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Empresa, que já foi um patrimônio do povo brasileiro está envolvida em escândalos de corrupção a acordo com ditadura africana

A empresa brasileira Vale do Rio Doce, privatizada em 1997, uma das maiores empresas mineradoras do mundo, está envolvida em escândalo de corrupção e disputa internacional. Tudo isso para adquirir o controle de parte da valiosa Simandou, segunda maior jazida de minério de ferro do mundo, localizada na Guiné, no continente africano.

A operação ocorreu nos primeiros meses de 2010, quando a Guiné saía de um governo ditatorial e quando protestos populares tomavam as ruas do país. A jazida de Simandou é dividida em duas partes, sendo uma ocupada pela empresa australiana Rio Tinto e a chinesa Chinalco e outra explorada pelo consórcio Vale Beny Group, formado pela Vale do Rio Doce e o empresário israelense Beny Steinmetz, famoso pelas suas relações com ditaduras na África. Steinmetz havia recebido a metade da jazida das mãos de Lansana Conté, último ditador do país.

No fim de 2010, como fruto das lutas do povo da Guiné, assume a presidência o ex-preso e exilado político Alpha Conté, primeiro presidente democraticamente eleito. Com um país arruinado e milhares de famintos, o presidente propõe rever os acordos de concessão para a exploração das jazidas, de forma que o governo tenha mais recursos para superar os graves problemas sociais e econômicos do país. A Guiné é um dos países mais pobres do mundo e, ao mesmo tempo, tem a metade das reservas mundiais de bauxita, além de jazidas de diamante e ouro. O novo governo acusa ainda o consórcio Vale Beny Group de não cumprir a legislação do país.

Na madrugada de 31 de julho, manifestantes invadiram e saquearam o acampamento da mineradora na cidade de Zogota porque a empresa não cumpriu acordos trabalhistas e desrespeitou vários direitos dos trabalhadores. No dia 4 de agosto, seis trabalhadores da Vale foram mortos pelo exército guineense numa nova manifestação. Segundo manifestantes, a própria Vale forneceu os veículos ao exército para que reprimisse os trabalhadores.

Portanto, como está constatado, no centro dos ataques à soberania do povo da Guiné está a Vale do Rio Doce, uma empresa estratégica que já foi estatal. Nesse período, nossas riquezas naturais estavam sob controle público, mas hoje, como empresa privada capitalista, a única coisa que interessa a seus proprietários é aumentar a exploração sobre a classe trabalhadora, roubar as riquezas de diversos países e obter o máximo de lucro possível, mesmo que, para alcançar seus objetivos, seja necessário assassinar trabalhadores e se envolverem escândalos. Ouseja, não há escrúpulos para os capitalistas quando se trata de aumentar seus lucros e privilégios.

A privatização da Vale do Rio Doce

É importante lembrar que a Vale do Rio Doce foi entregue, em maio de 1997, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, ao empresário Benjamin Steinbruch por R$ 3,3 bilhões, um valor muito subestimado, sendo que ainda foi desconsiderado dessa conta o valor das jazidas que estavam sobre o controle da empresa naquela época.

Antes mesmo de sua privatização, a Vale já era a maior exportadora de minério de ferro do mundo, com faturamento anual de R$ 2 bilhões. Descobertas feitas meses antes da privatização apontavam jazidas de ouro no Pará, região onde hoje se encontra a maior província mineral do mundo, a reserva mineral de Carajás. Todo esse patrimônio foi entregue de bandeja aos capitalistas, através de negociatas e transações que lesaram o patrimônio público e colocaram as riquezas minerais brasileiras nas mãos de grupos capitalistas privados. A transação teve ainda o total financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Steinbruch ainda ganhou R$ 700 milhões que estavam no caixa da Vale.

Tudo isso mostra o quanto foram criminosas as privatizações de nossas empresas estatais, na década de 1990, e do nosso patrimônio realizadas no governo neoliberal de FHC. Isso aponta a necessidade de uma profunda investigação no mar de corrupção que marcou essas transações. Assim, ficará mais claro que a reestatização dessas empresas é uma justiça que deve ser feita ao povo brasileiro.

Natália Alves, Belo Horizonte

Olga Benário luta contra violência às mulheres

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A atual posição social ocupada pelas mulheres teve sua origem há centenas de anos, com o surgimento da propriedade privada e o nascimento da figura do patriarca, o homem que detinha poder sobre todos os bens da família: terras, ferramentas, excedentes de produção etc. Condenada às obrigações domésticas, a mulher foi escravizada dentro do lar e passou a ser considerada também uma das propriedades do patriarca da família, bem como os filhos gerados por ela.

A sociedade em que vivemos ainda é baseada nessa forma de organização chamada “patriarcal” e economicamente regida pelo sistema capitalista. Este sistema econômico se sustenta a partir das desigualdades e opressões, explorando o trabalho de muitos e enriquecendo poucos. Tudo vira mercadoria e é passível de comercialização, e aquilo que não mais interessa é descartado e substituído por outro artigo mais rentável.

A aprovação da Lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, foi, sem dúvida, uma importante conquista da sociedade, em especial das mulheres que lutam há anos pela criminalização da violência. Porém, a lei está aquém do necessário, pois falta muito suporte para que ela seja plena. A existência de apenas 374 delegacias especializadas no enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil faz com que apenas 7% dos 5.554 municípios brasileiros sejam contemplados. Além das delegacias, é necessário que outros órgãos municipais, estaduais e federais atuem de maneira conjunta para reeducar agressores e prevenir e punir qualquer tipo de violência. Atualmente as delegacias comuns desqualificam as denúncias de agressão e violência, não as enquadrando na Lei Maria da Penha. Não existem órgãos de apoio suficientes e não há punição severa para os agressores.

Na última década, percebeu-se um crescimento de políticas e iniciativas que visam a minimizar a prática de violência e assassinatos praticados contra mulheres no Brasil, mas o que se pôde observar foi um aumento de 230% no número de mortes nesse mesmo período. Este assustador crescimento está intimamente ligado ao fato de que as mulheres ainda são consideradas uma propriedade privada dos homens com os quais se relacionam ou são extremamente desvalorizadas por agressores que não sejam de seu convívio.

Belo Horizonte, por exemplo, terceiro centro econômico e político do país, apresentou um aumento de 77% das ocorrências de estupro e ocupa hoje a posição de sétima capital mais violenta para mulheres do Brasil.

Neste sentido, o Movimento de Mulheres Olga Benário lançou,em Minas Gerais, uma ampla campanha que denuncia a violência e exige o combate a todos os tipos de violência cometidas contra as mulheres. Organizando grupos de estudo com as mulheres da Ocupação Eliana Silva, debates em parceria com a Central Única dos Trabalhadores e lançando materiais e manifestos, o Olga Benário começa a reorganizar as mulheres em torno dessa luta para acabar com esta verdadeira chacina cometida contra as trabalhadoras brasileiras – e convoca toda a sociedade para se levantar contra tamanha barbárie.

Raphaela Mendes é Movimento de Mulheres Olga Benário – MG

O caso dos dez presos de Luluncoto

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Presos políticos do Equador necessitam de solidariedade

Durante os últimos anos, no Equador se vive o enfraquecimento das garantias e direitos contemplados na Constituição.

Segundo informes dos organismos de direitos humanos e da Defensoria do Povo do Equador, em 2011 houve 129 defensores dos direitos humanos processados pelo governo e por empresas privadas, assim como 31 ativistas políticos processados ou condenados. Seus casos são pouco conhecidos, o que obriga a uma ação mais firme da parte de quem se sente comprometido com os direitos humanos e com a consequente luta para que esses direitos sejam respeitados em todo o mundo. Deve-se assinalar que no Equador não existe nenhuma organização de caráter terrorista, embora haja cerca de 200 pessoas acusadas desse crime. Os segmentos sociais têm recorrido às tradicionais formas de luta e protesto – como ocupação de praças, fechamento de rodovias, mobilizações e marchas – que são reprimidas com uma força policial e militar desproporcional. Para o regime, segundo sua primeira proposta de novo Código Penal, uma pessoa que fecha uma rodovia sem permissão merece a mesma punição que um torturador.

Os dez de Luluncoto

Em março deste ano as principais organizações sociais do país, como a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), a Frente Popular (que agrupa organizações de professores, estudantes, moradores de bairros, pequenos comerciantes, camponeses, mulheres e uma central sindical), a Frente Unitária dos Trabalhadores (que agrupa quatro centrais sindicais) e muitos outros coletivos populares convocaram a “Marcha por Água, Vida e Dignidade dos Povos”, que percorreu quase todo o território do país entre 8 e 22 de março deste ano. A resposta do governo foi um discurso violento, discriminatório e racista, de incitação ao ódio, carregado de ataques e desqualificações aos diversos atores sociais, a que chamou de “desestabilizadores da democracia” e de “golpistas”.

Entretanto, como sabe todo o país, a marcha se realizou pacificamente, mostrou sua plataforma reivindicativa de direitos e esvaziou o argumento do governo. Os setores populares organizados se somaram de distintas maneiras e foram muitos os intelectuais que expressaram publicamente seu apoio, realizaram eventos para debater a situação e contribuíram para desmascarar o extrativismo e a criminalização da luta social.

Invasão de domicílio

No dia 3 de março passado, dez equatorianos (sete homens e três mulheres), todos eles trabalhadores, estudantes e funcionários públicos, líderes sociais conhecidos, reuniram-se numa atividade pacífica para discutir a “Marcha por Água, Vida e Dignidade dos Povos”, que estava para começar. De acordo com a polícia, portavam apenas fontes de consulta, como a Constituição da República, o jornal oficial El Ciudadano, vários meios de comunicação, livros e panfletos sobre filosofia do Direito e o documento “Defesa da democracia” elaborado pelo governo, entre outros. A reunião foi realizada num apartamento do conjunto Casales, no bairro de Luluncoto, ao sul de Quito.

No apartamento, os sete homens e as três mulheres que participavam da reunião foram abordados violentamente por cerca de 50 agentes da Unidade de Luta contra o Crime Organizado (Ulco) e do Grupo de Intervenção e Resgate (GIR). A ação policial violou expressas normas legais, pois invadiu um domicílio sem mandado judicial, e, além disso, a polícia não tinha em mãos nenhuma ordem de prisão, não foram lidos para os detidos os seus direitos nem lhes foi informado o motivo de sua detenção. Para completar, não havia a prática de nenhum delito (a polícia admite que apenas estavam reunidos e conversando), de maneira que não poderiam ser presos em flagrante.

Os membros dos grupos especiais da polícia submeteram os detidos a tratamento degradante e cruel, pois os algemaram e os retiraram do apartamento, colocando-os numa escadaria onde permaneceram quatro horas ajoelhados. Fadua Tapia, jovem de 18 anos, grávida, informou sua condição, porém foi violentamente empurrada ao chão e algemada. Golpearam contra a parede o rosto do engenheiro afro-equatoriano Javier Estupiñan, quebrando um de seus dentes, como consta na perícia.

Enquanto os homens permaneceram fora do apartamento, as mulheres foram colocadas em um dos quartos; Os pertences pessoais dos detidos (documentos, celulares, cadernos e agendas, computadores, cédulas e moedas, mochilas e carteiras) foram manipulados por agentes policiais, que foram repreendidos por Cristina Campaña, que protestou ao ver que introduziam material impresso em sua mochila.

Os dez cidadãos permaneceram, arbitrária e ilegalmente, retidos por cerca de sete horas, das 16 horas (hora da prisão) às 23 horas, momento em que foram levados à Polícia Judicial para, depois de uma hora, ou seja, à meia-noite, supostamente ser formalizada a detenção num boletim de ocorrência tão malfeito que até foi datado de 3 de março de 2011, ou seja, um ano antes da prisão). De acordo com a lei, todo esse procedimento deveria ter sido realizado imediatamente após a detenção. Apenas na Polícia Judicial seus direitos finalmente foram lidos e lhes foi permitido fazer uma ligação telefônica a seus familiares.

Ingerência do governo na Justiça

No dia seguinte, às 14 horas, os detidos foram retirados repentinamente das celas da Polícia Judicial, sem conhecimento de seus familiares e advogados, e conduzidos para a audiência de instrução em outro lugar, na Unidade de Vigilância de Carapungo, localizada ao norte de Quito. Invocando a segurança do Estado, as autoridades declararam a audiência reservada e exibiram as supostas provas – cédulas de identidade, celulares, carteiras, cadernos e agendas, dinheiro, anotações e computadores –, mas ocultando documentos como a Constituição da República, o jornal El Ciudadano, o documento do governo “Defesa da democracia” e outros meios de comunicação.

Os detidos acusam a polícia de haver “plantado” textos supostamente ligados aos GCP (Grupos de Combatentes Populares GCP). Nessa mesma hora ficou-se sabendo que o ministro do Interior havia convocado uma entrevista coletiva com o propósito de exibir os detidos como supostos desestabilizadores da democracia, o que não aconteceu pela chegada dos familiares e advogados. Antes de terminar a audiência, o pessoal da polícia tinha até mesmo um cartaz com o título “GCP” e as fotos dos detidos algemados, evidenciando uma trama que tinha o claro propósito de criar na opinião pública uma corrente pela condenação.

Ao invadir o apartamento, as forças policiais não informaram aos dez cidadãos as razões de sua prisão; apenas na Polícia Judicial lhes foi dito que eram acusados de ser “terroristas”. Na audiência de instrução do caso, a promotora Diana Fernández, em uma incongruente intervenção diante do juiz Juan Pablo Hernández, que se mostrou distraído durante todo o tempo, os acusou de crime contra a segurança do Estado e expediu contra eles uma ordem de prisão preventiva, motivo pelo qual estão privados da liberdade há mais de cinco meses.

Em 26 de abril, ou seja, 53 dias depois da prisão ilegal, durante a madrugada foram realizadas invasões aos domicílios de familiares dos detidos, em várias cidades do país simultaneamente, violando-se novamente os direitos humanos. Usando um volume desproporcional de forças policiais, elementos fortemente armados e mascarados irromperam nas casas, criando terror entre crianças, mulheres e idosos, numa ação destinada a atemorizar os familiares, que durante todo o tempo foram a público exigir a liberdade dos dez detidos.

A promotora Diana Fernández justificou esse ato violento ao argumento de que haviam sido encontradas novas evidências. Essas “provas” eram livros de Direito Constitucional, panfletos de várias organizações sociais, cadernos da Universidade Central, livros de Ciências Sociais de autores como Agustín Cueva, a Enciclopédia Universal Ilustrada, DVDs de filmes como O último rei da Escócia, O exorcista etc., CDs de música de protesto (como as do cantor equatoriano Jaime Guevara), fotos como as da filha de um dos detidos que tinha ao fundo uma imagem de Che Guevara e computadores, instrumentos de trabalho e estudo dos outros membros da família.

Esse processo, que nasceu contraditório, atropelado e violador de direitos fundamentais, apresenta como justificativa o fato de que, na marcha indígena e popular de março, estavam elementos desestabilizadores da democracia. O governo encontrou, na reunião desses trabalhadores e jovens estudantes, a oportunidade de contar com um “bode expiatório”. A enorme campanha publicitária oficial para deslegitimar a “Marcha por Água, Vida e Dignidade para os Povos” terminou saturando a população e não teve os efeitos esperados.

Entretanto, e em que pese o que há de inconstitucional e ilegal no processo, a ingerência do governo na atuação da promotora e dos juízes foi notada desde o início (na audiência de instrução do processo estava presente o vice-ministro do Interior, Javier Córdova). Uma semana após a detenção, o presidente Rafael Correa criticou a imprensa por não ter dado a devida importância àquilo que ele entendia que o caso possuía. Na contramarcha organizada pelo governo, no dia 22 de março, o presidente fez referência aos detidos em seis discursos, qualificando-os como “desestabilizadores”; já o ministro José Serrano fez ameaças contra quem assumiu a defesa dos detidos. Tudo isso mostra o interesse de conseguir uma condenação por um crime inexistente que eles não foram capazes de provar.

Essas detenções se mostram como ilegais e violadoras dos direitos humanos e da Constituição do Equador, que garante o direito de todos os cidadãos a participar do espaço público como local de deliberação, nos assuntos de interesse público, como o bem-estar, a educação, a saúde, o trabalho e a moradia, o direito de opinar e expressar seu pensamento livremente e em todas as suas formas, a liberdade de consciência, de associação, reunião e mobilização de forma livre e voluntária. O exercício desses direitos não pode se constituir em delito contra a segurança do Estado. O que faziam esses jovens estudantes e trabalhadores era exercer seus direitos.

Os dez detidos em Luluncoto são presos políticos, aos quais se causa um grave dano: vários deles perderam seus empregos, tiveram seus estudos prejudicados, foram separados de suas famílias e amigos e impedidos de ter uma vida normal.

Os familiares recorreram aos organismos de direitos humanos e à Defensoria do Povo, conversaram com o juiz espanhol Baltazar Garzón para que viabilize um processo justo e livre das claras pressões políticas do governo, que busca uma condenação a qualquer custo.

A condição de um preso político demanda a resposta da comunidade internacional, povos e pessoas democráticas e comprometidas com os mais elevados valores humanos. Por isso, os familiares dos dez presos políticos de Luluncoto solicitam uma ação imediata, dentro e fora do país, que impeça a continuação dessa injustiça e a ameaça de uma prisão de anos que destrua a vida desse grupo de jovens – e de suas famílias.

“O que queremos é justiça, o cumprimento do devido processo e das leis do país, suspensão da perseguição e das ameaças do governo, o fim do uso da imprensa para exercer um ‘linchamento midiático’, e que o sistema judicial atue com independência. Se a justiça se expressar, os familiares vítimas dessa montagem sairão livres de maneira imediata e se impedirá que casos como este se repitam uma e outra vez”, declarou a A Verdade Ramiro Vinueza, representante do comitê pela liberdade dos 10 presos políticos de Luluncoto.

Liberdade para os presos políticos do Equador !

Da Redação

 

Ocupação Eliana Silva constrói creche de alvenaria

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A ocupação Eliana Silva, organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) no dia 22 de agosto na região do Barreiro, em Belo Horizonte, completou dois meses  de resistência e está em plena consolidação. São cerca de 370 famílias que vêm construindo uma vida nova dentro da ocupação.

A experiência de poder popular é fator mais marcante deste processo. Todas as decisões são tomadas coletivamente, mantendo as famílias mobilizadas diariamente, participando das assembleias e reuniões dos núcleos do MLB.

As comissões de educação, segurança, estrutura, comunicação, limpeza, alimentação desempenham um grande papel para o crescimento da organização das famílias e para o desenvolvimento desta nova consciência coletiva. A comissão de segurança, por exemplo, garante a defesa da ocupação que desde o primeiro dia, funcionando 24h, o que impediu várias tentativas da PM e de representantes do Governo e da Prefeitura de BH em retirar as famílias, além de ter barrado a Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig) e a Polícia, que queriam cortar a luz da comunidade.

Este trabalho, movido à união e vontade de vencer, incomoda os poderosos, que, mesmo estando de certa forma vulneráveis devido ao processo eleitoral, buscam impor um clima de tensão e medo permanente às famílias, fotografando, filmando e tentando se infiltrar na ocupação, inclusive com homens à paisana.

Mesmo com todas essas ameaças, as famílias seguem firmes e convencidas da enorme possibilidade de vitória. É o que nos diz o relato dos moradores da ocupação: “O sonho que eu tenho de ter minha casa, para mim e para o meu filho e independente da situação, estarei aqui para luta e resistir, não tenho nada a perder”, afirma Cristiane Verrissímo, de 26 anos. “Moro de favor, a dona da casa colocou a casa a venda, o que ganho por mês não dá pra pagar aluguel e cumprir com as atividades que tenho, por isso, estou junto com vocês nessa luta para o que der e vier” disse Seu Geraldo Silvio, 67 anos. “Eu quero sim ter minha casa, para ficar com meus filhos sem passar humilhação, mesmo passando muitas dificuldades, chuva, sol, frio. Faço até o sacrifício de ter que ficar longe de uma parte dos meus filhos. Por isso tudo eu não desisto”, é o depoimento de Mônica Lima, 28 anos, mãe de quatro crianças.

A rede de solidariedade

A força da ocupação também vem da rede de solidariedade que cresce a cada dia. Além de centenas de estudantes, professores, sindicalistas, advogados populares, jornalistas, arquitetos e outros profissionais liberais, religiosos, parlamentares, etc., personalidades vêm declarando seu apoio à ocupação. Além do rapper Emicida, que desde maio vem constantemente defendendo a ocupação, outro grande rapper brasileiro, o Rebeld, do grupo SNJ (Somos Nós a Justiça) deu uma importante declaração de apoio à ocupação que pode ser vista no blog:http://www.ocupacaoelianasilva.blogspot.com.br/2012/09/rebeld-snj-declara-apoio-comunidade.html. Além disso, foram doados livros para a biblioteca, brinquedos e cadeirinhas para creche, além de roupas, cobertores, móveis e alimentos.

Alvenaria, o caminho para vitória

Com pouco mais de 20 dias de ocupação, as famílias, contando com grande apoio da rede de solidariedade e decididas em permanecer no local, já ergueram uma creche, que atende diariamente cerca de 40 crianças de 0 a 5 anos, e iniciaram a construção de suas casas de alvenaria.

Uma rede de professores e estudantes de arquitetura organizou um belo projeto de divisão equitativa dos lotes e abertura das ruas e avenidas. “Fizemos um projeto de parcelamento para garantir que as famílias tivessem melhores condições habitacionais e qualidade de vida. O projeto prevê como as famílias podem estar mais inseridas dentro do contexto urbano, dando a elas o direito à cidade”, disse a estudante de Arquitetura da UFMG Poliana Ambrósio.

No projeto, o novo bairro irá contar com alguns espaços coletivos, além da creche, uma sede para o MLB e a associação de moradores, uma igreja ecumênica e um espaço de lazer com quadra e brinquedos.

Dezenas de moradias já estão erguidas, e a luta continua para que a Prefeitura e os Governos Estadual e Federal possam garantir a posse definitiva da área às famílias bem como o financiamento para implementação do saneamento básico, asfalto, e demais obras de infraestrutura necessárias.

Várias outras iniciativas estão em discussão, como projeto pedagógico para educação de jovens e adultos, elaboração de programa de sustentabilidade para as famílias, reciclagem do lixo, projetos ecológicos, horta comunitária, entre outras atividades.

Assim é a nova vida para os moradores e lutadores da ocupação Eliana Silva.

Leonardo Pericles, membro da Coordenação Nacional do MLB

MLB realiza 1º Congresso em Jaboatão

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A cidade de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, tem mais de 650 mil habitantes e um déficit habitacional oficial de 20 mil moradias. Não possui nenhum projeto em andamento para sanar os problemas de moradia e só tem quatro creches em funcionamento. Contudo, Jaboatão sempre foi palco de batalhas nas quais seu povo sempre foi protagonista.

Foi isso o que demonstraram, mais uma vez, os 400 delegados que participaram do 1º Congresso do Movimento de lutas nos Bairros Vilas e Favelas (MLB), no dia 16 de setembro.

A poesia popular abriu os trabalhos do evento, lembrando que só a verdadeira cultura revolucionária emana do povo. A mesa de abertura foi composta por Kleber Santos, do MLB, que coordenou os trabalhos; Joel Marcos, da coordenação da Central dos Movimentos Populares – CMP; Guita Kosmhinsky, do Movimento de Mulheres Olga Benario; o companheiro Geraldo Soares, do Sindicato dos Trabalhadores da Borracha; e Marcelo Bulhões, da Caixa Econômica Federal (CEF). Carlos Padilha, ex-presidente da CUT e ex-secretário de Habitação do Recife.  Inaldo Campelo, secretário de Habitação de Jaboatão, destacou a realização do congresso como “uma ação ímpar” e disse que a secretaria estava aberta a discutir o avanço nas soluções dos problemas.

Ao final, houve uma homenagem ao vice-prefeito Edir Peres pelo apoio ao movimento popular e à luta por moradia digna em Jaboatão. Edir foi aplaudido de pé por todos e ressaltou o papel que  MLB tem cumprido na luta por uma moradia digna.

“Os Programas Habitacionais” foi o tema do painel da tarde, ministrado pelo represente da CEF, momento que o conjunto dos delegados aproveitou para tirar dúvidas sobre os projetos habitacionais em construção na cidade. Depois do debate, a delegação foi dividida em grupos, com temas variados.

A plenária final transformou-se em um grande ato político em defesa de uma nova e melhor cidade (com moradia, saúde, creche, trabalho e transporte de qualidade), anseios de uma população que não apenas quer ser ouvida, mais quer ver os problemas resolvidos.

O Congresso do MLB em Jaboatão aconteceu num momento especial. Em 2012, completaram-se nove anos da realização da ocupação Mércia de Albuquerque. Durante esse período as famílias deram centenas de provas e de resistência. No início do ano, mais uma vez, as famílias foram surpreendidas com a interrupção das obras dos apartamentos. Após vários atos na Prefeitura, Sehab e visitas à Caixa, as obras foram retomadas. Agora elas passam por um processo cansativo de cadastramento, no qual a Secretaria de Habitação do município pernambucano incluiu visitas a todos em suas casas, procedimento que tem causado vários constrangimentos a inúmeras famílias.

Mesmo passando por tudo isto, o MLB e as famílias assumiram mais um compromisso com a luta no congresso: continuar resistindo com garra até a entrega de suas casas!

Elisabeth Araujo, Recife

Famílias fazem ocupação em Natal

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Na madrugada do dia 22 de setembro, cerca de 200 famílias, organizadas pelo MLB, ocuparam um terreno no bairro Planalto, em Natal. O terreno, que se situa nas proximidades dos conjuntos Leningrado e Santa Clara, foi cedido pela prefeitura ao governo estadual para a construção de moradias, mas o governo acabou por perder a verba para esse fim por ter extrapolado o prazo para sua execução. O terreno estava servindo apenas para o uso de drogas e para esconderijo de assaltantes.

Cansadas de tanto descaso, as famílias decidiram, então, ocupar o terreno para garantir que sua destinação seja para atender o direito delas a moradia. “Estamos cansados de esperar, decidimos ir à luta para garantir nossos direitos,” afirmou Marcos Antônio, coordenador do MLB.

Com muita determinação, as famílias rapidamente limparam o terreno, construíram suas barracas provisórias e organizaram a cozinha coletiva. As assembleias têm sido diárias, para discutir coletivamente os problemas e encaminhamentos da ocupação. Nessas assembleias foram eleitas as comissões e a coordenação da ocupação, que vão dirigir os trabalhos do dia a dia. A cada dia, mais e mais famílias têm visitado a ocupação, no intuito de se incorporar à luta pelo direito de morar.

Outro aspecto relevante dessa ocupação é que muitos já conheciam o trabalho do MLB por virem do Conjunto Leningrado, uma das conquistas do Movimento. Eram apenas crianças quando chegaram à ocupação Leningrado; cresceram, se tornaram trabalhadores, constituíram família e agora seguem o exemplo da luta.

Esta ocupação, além de representar uma luta justa, é também uma homenagem à companheira Valdete Guerra (em memória), militante do PCR e do MLB que nos deixou no ano passado. Por isso a ocupação foi batizada de 8 de Março, dia internacional da luta das mulheres e que também era a data de aniversário da nossa companheira Valdete.

Valdete Guerra presente!

Alex Feitosa, Natal

Ato em Recife pede punição aos torturadores

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Já em Recife, a Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco recebeu militantes da esquerda e dos Direitos Humanos de Pernambuco para um ato em homenagem aos heróis e fundadores do PCR, no dia 14 de setembro. O ato teve início com a exibição do filme “Aos Heróis do PCR”, seguido da apresentação do poema “Operário em Construção”, de Vinícius de Moraes, declamado por André Monteiro, estudante de história da Universidade Federal de Pernambuco, do grupo Recite. Convidado para prestar sua homenagem sob a forma de poesia, o cordelista Alan Sales declamou versos de literatura de cordel críticos da corrupção e poemas de sua autoria sobre a anistia no Brasil e sobre a Ditadura Militar, entre músicas de Chico Buarque, Geraldo Vandré e Zé Ramalho ao som do seu violão.

Na mesa, estiveram presentes Amparo Araújo, secretária de Direitos Humanos e Segurança Cidadã da Prefeitura da Cidade do Recife, fundadora do Movimento Tortura Nunca Mais em Pernambuco; Serginaldo Santos, coordenador do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB); José Henrique, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Caruaru-PE; Rafael Freire, presidente do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba; e Edival Nunes Cajá, ex-preso político, presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa e dirigente do PCR.

Isadora de Carvalho, bisneta de Amaro Luiz, foi a primeira a prestar seu depoimento, emocionando todos os presentes ao dizer que “eu tenho orgulho de ser descendente de Capivara”. Em seguida, Amparo Araújo “falou da emoção que sentia de ver reunidos tantos jovens para celebrar a memória dos que lutaram e morreram na luta contra a Ditadura”.

Edival Cajá resgatou a coragem, o heroísmo, a determinação e a confiança no povo que possuíam os cinco heróis homenageados. Relatou sua experiência após a prisão de Manoel Aleixo, quando teve que comparecer a um encontro onde Aleixo deveria estar e não apareceu, confirmando sua prisão e confirmando também sua fidelidade ao Partido porque não entregou o encontro para os policiais.

Rafael Freire frisou a importância do jornal A Verdade, que, há 13 anos, vem denunciando os golpistas, torturadores e assassinos da Ditadura, além de destacar o exemplo revolucionário dos heróis do povo brasileiro, homens e mulheres que deram suas vidas pela redemocratização do país e pelo socialismo. Já Serginaldo Santos falou do papel que tiveram os homenageados da noite para a derrota do Regime Militar: “nós podemos continuar essa luta aqui hoje porque outros lutaram e enfrentaram a repressão e as torturas no passado”.

Adelson Borba, sociólogo, que foi presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Católica de Pernambuco, em 1978, prestou um emocionado depoimento sobre o papel do movimento estudantil na década de 1970, lembrando de passagens como a greve estudantil contra a prisão de Cajá.

O último depoimento foi do operário da construção civil José Henrique, que falou da alegria de estar reunido com aquela quantidade de companheiros para prestar tão justa homenagem. Disse que “o principal que devemos fazer é continuar a luta e organizar o Partido de Manoel Lisboa”.

Estiveram presentes representantes do PCR da Bahia, Alagoas, Paraíba, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo, além de vários sindicalistas, lideranças estudantis e lutadores sociais. Entre outros, registrou-se a presença de Luis Alves, memorialista do jornal A Verdade, e Viviane Farias, da Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco, representando o senador Humberto Costa e o deputado federal João Paulo.

A despedida ficou por conta de Kelayne Martins, presidente da Associação Recifense dos Estudantes Secundaristas (Ares), que surpreendeu a todos cantando à capela uma canção de Elis Regina.

Já em Belém-PA, reuniram-se no Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal do Pará (Sintsep-PA), no dia 19 de setembro, diversas organizações políticas e dos movimentos sociais para homenagear os heróis do PCR mortos pela Ditadura Militar. Participaram da mesa Edival Nunes Cajá, representando o Centro Cultural Manoel Lisboa, Fernanda Lopes, do PCR, Daniel Veiga, da Refundação Comunista, Juliano Medeiros, do PSOL, o sociólogo Dermi Azevedo e o ouvidor-geral da OAB-PA Oswaldo Coelho. Além do integrantes da mesa, falaram no ato companheiros estudantes, do MLB e do Movimento Xingu Vivo.

Em Natal-RN, no dia 27 de setembro, foi realizado um ato político na sede do Sindicato dos Comerciários do Rio Grande do Norte, que contou com a participação de dezenas de jovens, moradores dos bairros populares e de militantes dos movimentos sociais. Compuseram a mesa os companheiros Antônio Capistrano, presidente da Comissão da Verdade do RN, Alexander Feitosa, do PCR, Samara Martins, da UJR, Roberto Montenegro, do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular, Wellington Bernardo, do MLB, e Soraya Godeiro do Sindicato dos Servidores Municipais de Natal.

Da Redação

PCR homenageia heróis assassinados pela Ditadura

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No dia 8 de setembro, 300 pessoas participaram de um importante ato, em São Paulo, pela punição dos torturadores e assassinos da Ditadura Militar e em homenagem aos militantes do Partido Comunista Revolucionário assassinados no período. Setembro foi escolhido por ser o mês do assassinato de dois dos mais importantes fundadores do PCR, Manoel Lisboa de Moura e Emmanuel Bezerra dos Santos, mortos em 1973.

Participaram como debatedores os companheiros Ivan Seixas, coordenador do Núcleo de Memória Política e membro da Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva de SP; Rafael Martinelli, presidente do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de SP e fundador da ALN; Amelinha Teles da Comissão dos Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e também integrante da Comissão Estadual da Verdade de SP; e de Luiz Falcão, diretor de redação do jornal A Verdade e membro do Comitê Central do PCR. Todas as falas foram cheias de energia revolucionária e transmitiram grande força e emoção aos presentes.

Estavam presentes dezenas de militantes da União da Juventude Rebelião (UJR) e do PCR dos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e entidades dos movimentos populares, sindicais e estudantis, com destaque para UNE, Ubes, Fenet, MLB, MLC, Movimento Olga Benário e dezenas de Centros Acadêmicos, DCEs, grêmios, associações de moradores e sindicatos.

Amelinha Teles ressaltou a luta travada pelos familiares desde a década de 1980 para que os corpos dos militantes desaparecidos fossem identificados e entregues a seus familiares. Ivan Seixas declarou que “é fundamental que o PCR assuma a tarefa de punir os assassinos e torturadores de Manoel Lisboa e dos demais companheiros do PCR. Nós não queremos torturar como eles fizeram conosco, queremos apenas que seja feita justiça, que eles sejam condenados e punidos. Querer justiça não é revanchismo”.

Rafael Martinelli falou sobre a traição de classe ocorrida com o revisionismo soviético e que é necessário construir um partido verdadeiramente revolucionário. “Neste sentido, acredito que o PCR está no caminho correto, fico emocionado quando vejo tantos jovens, gente dos bairros, sindicalistas, estudantes de vários cantos e todos com o mesmo propósito”.

Outro momento de grande emoção foi o relato de Luiz Falcão sobre os sofrimentos e torturas sofridos pelos camaradas Manoel Lisboa, Amaro Luiz de Carvalho, Emmanuel Bezerra, Amaro Félix e Manoel Aleixo, onde ressaltou que eles  deram suas vidas para acabar com a miséria do povo e pela construção do socialismo.

“Neste momento, em que o capitalismo atravessa sua maior crise desde a crise de 1929, que promove guerras, massacra povos como fez no Iraque, no Afeganistão, na Líbia e deixa milhões de seres humanos sem água e comida, joga no desemprego milhões de jovens, mais do que nunca é necessário reafirmarmos nosso compromisso com a construção do socialismo. Por isso, este ato é também para renovar nosso compromisso de continuar essa luta. Pouco antes de morrer, Manoel Lisboa falou com a companheira Maria do Carmo e nos deixou sua última palavra de ordem, pediu para que continuássemos o trabalho do Partido. Hoje, Manoel, o PCR conta com centenas de militantes em todos os cantos do país e reafirma esse compromisso com a causa pela qual deste tua vida”, disse Falcão.

Em todos os momentos do ato, a plateia manifestou muita combatividade e emoção. Várias falas, palavras de ordem, declamação de poesia e bandeiras vermelhas com o rosto dos nossos heróis tremulavam enchendo o ambiente de energia revolucionária. Por fim, a comemoração foi encerrada com uma grande festa ao ritmo dos tambores do samba e da voz da Negra Dija que fez todos se confraternizarem e se prepararem para as lutas que avançam a cada dia.

PCR-SP

Pacote de reformas renova concessões de energia elétrica

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Em 11 de setembro, o Governo Federal lançou um pacote de reformas, através das Medidas Provisórias 577 e 579, que antecipam a renovação das concessões de energia no Brasil, que venceriam até 2015. Boa parte destas concessões que estavam prestes a vencer se encontram nas mãos de empresas estatais. As demais, maioria sob tutela de empresas privadas, não entram no pacote e vencerão até 2017. Em linha geral, há uma justificativa clara para a antecipação destas renovações: o oportunismo eleitoral, além, claro, das negociatas com grupos empresariais que atuam no setor.

Mas o que, de fato, representa essa renovação? Bom, sabemos que o sistema elétrico brasileiro é um dos mais bem estruturados do mundo e, sem dúvida, um dos mais eficientes. Nossa matriz energética é composta em mais de 70% pela produção de energia hidrelétrica, que tem em média 90% de rendimento. Todas as outras fontes de energia chegam, no máximo, a 40% de rendimento. Nos EUA, o maior consumidor de energia do mundo, a matriz energética é composta em mais de 70% pela queima de combustíveis fósseis, principalmente petróleo. Isso justifica as guerras provocadas e as intervenções feitas pelos EUA no Oriente Médio para abocanhar o controle do petróleo e sustentar o “sonho americano”.

Se fizermos uma análise simples, veremos que o Brasil ganha, por seu potencial energético, uma posição central para o capitalismo e não ficaríamos surpresos se, em pouco tempo, os EUA e o restante da corja dos países centrais do capitalismo nos invadissem para “manter a paz”, numa possível guerra provocada por eles mesmos.

Medidas provisórias garantem superlucros de empresas

Nosso sistema elétrico, que tem um rendimento energético valoroso, também possui uma rentabilidade econômica absurda, gerando parcelas enormes de lucros (muitas vezes maiores que as de bancos) para os grandes grupos financeiros e grandes disputas entre esses grupos por seu controle. Mas a farra teria que diminuir, por uma questão bem simples: quando uma empresa é contemplada por uma concessão num leilão, ela receberá de volta e, num período determinado em contrato, todo o investimento histórico efetuado e mais uma polpuda taxa de lucro. Esses contratos de concessões irão vencer e não justificaria o Governo continuar sufocando o povo a pagar uma tarifa absurda de energia, se esse sistema já está construído e pago.

Com o pacote de reformas para o setor, o Governo Federal apenas cumpriu o contrato e desonerou a despesa do povo trabalhador, reduzindo as tarifas e, consequentemente, as contas de luz. Obviamente o capital também foi agraciado: os consumidores industriais poderão ter reduções de até 28%, enquanto as reduções para os consumidores residenciais poderão chegar a 16%. Além disso, três impostos federais foram extintos, o que contribui para a redução da tarifa, mas essa medida tem como contrapartida a redução da arrecadação do Estado.

Isso é parte da cartilha do Programa Brasil Maior, agenda neoliberal adotada pelo Governo Federal que reduz impostos, principalmente para o setor industrial (o IPI é uma das principais marcas), desonera folha de pagamentos dos servidores públicos e reduz os investimentos nas políticas públicas, economizando com os trabalhadores para investir em programas de infraestrutura como o PAC, gerando empregos precários nas milhares de obras, mas engordando o bolso dos empreiteiros; gerando uma aceleração da produção industrial para tentar passar à margem de uma crise monstruosa do capital pelo viés do consumismo, ilusão capitalista que é um dos principais motores da atual crise.

Muita coisa ainda está para acontecer: quase 500 emendas já foram feitas e estão sob avaliação para serem incorporadas ou não às Medidas Provisórias. O único fato concreto é que se as tarifas diminuírem, a arrecadação das empresas vai diminuir e, com isso, a taxa de lucro das empresas será afetada negativamente e, em alguns casos, de forma agressiva.

Trabalhadores e população sustentam o sistema

Por um lado, isso deixa claro, mais uma vez, quem é que realmente sustenta o sistema: os consumidores trabalhadores, que são os que pagam a conta. O capital tem se esforçado para iludir os trabalhadores e a população com a ideia de que são os acionistas e o mercado financeiro os principais elementos de investimento nas empresas. Falácia sustentada apenas ideologicamente! Esses bandidos, ao ouvirem o anúncio das reduções nas tarifas, retiraram seus recursos das empresas do setor elétrico e fizeram com que ações de grandes grupos, como a Cemig (estatal mineira) caíssem mais de 20% em um só dia! Sanguessugas que mudam de hospedeiro diante da menor possibilidade de diminuir o sangue. A direção da Cemig foi à imprensa e declarou: “vamos até a guerra para defender os interesses dos acionistas!” A direção da federal Furnas também divulgou seu plano para manter o lucro: “vamos cortar 35% do pessoal até 2018”.

O Governo, em momento algum, pensou nos trabalhadores do setor elétrico. Sequer conversou com os representantes dos trabalhadores para discutir o pacote e não atendeu a pontos importantes da pauta trabalhista, como o fim da terceirização no setor elétrico, que tem ceifado vidas e mutilado trabalhadores de maneira absurda. O Governo Dilma deixou os trabalhadores do setor elétrico no limbo: as empresas sofrerão uma descapitalização e seus lucros serão diminuídos. Os acionistas farão pressão para que seus interesses sejam atendidos e os diretores executivos das empresas já deixaram bem claro onde vão atacar para reduzir custos e continuar enviando bilhões aos acionistas dentro e fora do Brasil

As consequências dessas medidas virão com diversos ataques aos trabalhadores, seja com corte direto de pessoal, retirada de direitos e aumento das terceirizações ou pela diminuição nos investimentos no próprio sistema, o que afetará a qualidade dos serviços prestados e aumentará o sofrimento dos trabalhadores e da população com os prováveis apagões. Recentemente, um apagão atingiu quase todos os estados da região Nordeste do Brasil, além de estados em outras regiões. Por isso, cabe aos trabalhadores não recuar e ir à luta em defesa dos seus direitos, do emprego e do serviço de qualidade, contra as terceirizações e contra a ganância dos acionistas, que nada produzem e tudo corroem!

Jobert Fernando de Paula, diretor do Sindieletro-MG

Greve dos bancários conquista aumento real

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Após 10 dias de uma intensa paralisação nacional, os bancários conquistaram um aumento real de salário de pouco mais de 2%. Antes, os banqueiros queriam impor um aumento real de 0,58%. Obviamente, trata-se de uma vitória da greve que fechou mais de 9.400 agências no País. O fato é que, sem a greve, não se conseguiria tal reajuste. Além disso, foi conquistado um aumento de 8,5% do piso salarial e do auxílio-alimentação e 10% na parcela fixa da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Nos últimos anos, foram várias vitórias dos trabalhadores com as paralisações, entre elas concursos para os bancos públicos. No entanto, a defasagem salarial continua absurda. No período FHC, os bancários acumularam uma redução salarial de 88,2%. Após esse período nefasto, houve uma gradual recuperação. Segundo Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), “com mobilização e greves, os bancários conquistaram, nos últimos nove anos, aumento real de salário, acumulando 13,22% nos salários e 35,57% no piso, de acordo com o INPC”.

Essa proporção, no entanto, nem de longe se compara ao crescimento da lucratividade dos bancos. De 2003 a 2010, os lucros dos cinco maiores deles (Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal) elevaram-se de R$ 11,1 bilhões para R$ 46,2 bilhões. Ou seja, em sete anos, elevação sustentada, à média de 17,7% ao ano, ou seja, 313%. Em termos reais (correção pelo IPCA): 12,1 % ao ano, acumulando 222%.

Ressalta-se que essa lucratividade só foi possível através da exploração dos trabalhadores bancários, de sua jornada cada vez mais estafante, dos seus baixos salários e das cobranças absurdas de tarifas dos correntistas. Logo, os trabalhadores devem continuar mobilizados para conquistar mais vitórias. Parabéns a todos os bancários do Brasil!

Serley Leal,Forataleza