UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
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Um povo que não sabe ler nem escrever é facilmente enganado

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livrosO Brasil é a oitava economia do mundo, exporta as mais importantes riqueza naturais, tem a maior biodiversidade do planeta e agora vai receber a Copa da Fifa. Mas, um estudo realizado em 2011 revela que 12,9 milhões de brasileiros com mais de 15 anos de idade não sabem ler nem escrever. Destes, 6,8 milhões estão na região Nordeste, que apresenta taxa de analfabetismo de 16,9%, quase o dobro da média nacional, de 8,6%. Segundo a pesquisa, os estados de Alagoas, Maranhão e Piauí detêm os maiores índices de analfabetismo do país, de 17,3% a 21,8%.

Quando, porém, o assunto é analfabetismo funcional, a taxa estimada é de 20,4%, Em 2011 foram contabilizados, entre as pessoas de 15 anos ou mais, 30,5 milhões de analfabetos funcionais no país. Analfabeto funcional são as pessoas que, mesmo capazes de identificar letras e números, não conseguem interpretar textos e realizar operações matemáticas mais elaboradas ou maior de 15 anos com escolaridade de apenas quatro anos letivos.

É lógico que esses dados devem nos indignar, pois o analfabetismo num país como o nosso significa um enorme atraso.

A terra de Lampião, Frei Caneca, Manoel Lisboa, Zumbi do Palmares, Margarida Maria Alves, Maria Quitéria, Emmanuel Bezerra, Carlos Marighella, Anita Garibaldi, Santo Dias, Honestino Guimarães, Stuart Angel, Devanir José de Carvalho não pode continuar nessa realidade. Cabe aos comunistas revolucionários que atuam nessas regiões seguir o exemplo do nosso comandante Ernesto Che Guevara, que, mesmo em época de guerrilha, orientava seus soldados a que estudassem e aprendessem a ler e a escrever, sendo ele mesmo o professor, deixando assim uma importante lição: “Um povo que não sabe ler nem escrever é facilmente enganado”, o que se comprovou ser acertado.

No Brasil inteiro temos que ensinar nosso povo a escrever seu próprio nome, ensinar nosso alfabeto, explicar quem são os seus heróis. Mais do que ensinar, temos que saber ouvir nosso povo, que não entende o que lê, nem o que escreve. Devemos assumir a responsabilidade e dizer que sim, que nosso povo é capaz de ler os livros e entender a realidade, e mais, escrever com sua luta as páginas seguintes da nossa história.

Sem dúvida, se desenvolvermos um trabalho educacional nos bairros, este se tornará cada vez mais profundo, será uma verdadeira fortaleza. Temos muitos companheiros da UJR que podem e devem contribuir com essa tarefa digna.

Queremos um povo que saiba o motivo do seu salário de miséria, o motivo da sua casa ser um barraco, o motivo de as mulheres sofrerem com a dupla jornada, e só vamos realizar de forma profunda a tarefa pela qual somos responsáveis – dirigir uma revolução popular e construir o Poder Popular e o Socialismo – se desenvolvermos a tarefa de sermos educadores populares revolucionários do nosso povo.

Gabriela Valentim

(Militante do MLB e educadora do Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova) em São Bernardo do Campo-SP)

“O Carnaval é hoje uma grande alienação das manifestações culturais”

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Bongar foto 2Formado em 2001, o Bongar é um grupo musical com origem na cultura negra, especificamente na comunidade religiosa terreiro Xambá do Quilombo do Portão do Gelo, que é o primeiro quilombo urbano de Pernambuco, localizado no Município de Olinda. No dia 09 de fevereiro, na Torre Malakoff, no Recife Antigo, o grupo estará lançando seu DVD Festa de Terreiro de Bongar.  

Em entrevista exclusiva a A Verdade, o Bongar conta como surgiu, denuncia o Carnaval hoje como “uma grande alienação das manifestações culturais” e a difícil tarefa do grupo em resgatar, preservar e reproduzir a cultura negra num país racista.

Como surgiu o grupo? 

No começo, éramos nove membros e a gente não sabia ainda que ritmo tocar, depois ficaram seis. Decidimos tocar coco de roda, que é uma vertente forte na comunidade Xambá, e era uma coisa que a gente brincava quando criança e via nossos bisavós, avós e tias tocando. Desde o primeiro ensaio, já tinha o primeiro show marcado, em 2001. Com o passar do tempo, entendemos que o grupo surgiu para apresentar à população o terreiro de Xambá, que muitos achavam que estava instinto, ficando nossa comunidade bastante conhecida.

Qual a relação do grupo Bongar com a juventude da comunidade?

Vivemos numa comunidade quilombola e sentimos a necessidade de autoafirmação do povo negro entre os jovens. Para gente era fundamental desenvolver ações que pudesse valorizar isso. Entendemos que a música é um instrumento capaz de levar à transformação. Além da música, promovemos palestras, oficinas de percussão e capoeira, participamos de eventos externos de políticas afirmativas. A partir desse trabalho, percebemos essa transformação considerável na nossa comunidade. Quando a gente era criança, diziam que nosso cabelo era ruim e hoje as crianças e os adolescentes fazem trancinhas, assumem o black. A gente tinha que dizer que era espírita para ser aceito pelos coleguinhas e pelas professoras, hoje até as crianças assumem que são de terreiro. O Bongar nasceu com o propósito der ser referência da cultura negra para essa juventude que não se vê na grande mídia e se transformam para serem aceitos.

Qual a relação da cultura negra com os terreiros?

O terreiro sempre foi fonte de inspiração para os movimentos políticos de identidade negra. Não dá para pensar em políticas afirmativas sem tocar no cultural do negro. Não é só a cota para o estudante negro, a universidade deve fazer uma reforma, reconhecer a história do negro no Brasil. Há pouquíssimos estudos da africanidade nos países latinos. São todos esses elementos que devem ser resgatados e que a grande referência são os terreiros. É dentro deles que está grande parte da nossa história, e essa história está na oralidade, então a academia tem que reconhecer o grande valor que tem a história oral, para relevar um Brasil que não está nos livros. Nisso os terreiros de candomblé estão na ponta. Qualquer arte que a gente venha a fazer tem relação com o sagrado. Não só da cultura negra, mas de uma maneira geral, na Ditadura Militar, por exemplo, os terreiros davam refúgio a vários artistas perseguidos.

É democrático o financiamento cultural no Brasil?

Não. Apesar do Estado brasileiro afirmar que somos um país pluricultural, só investe recursos para manutenção do que ele acredita ser uma “cultura representativa”. Há um mito de que gestores culturais não são racistas, mas existe sim racismo institucional, tanto no Ministério da Cultura como em diversas secretarias. Prova disso foi a 3ª Conferência de Cultura não aprovar a proposta de destinar 20% dos recursos da Cultura para manifestações de matrizes africanas, mesmo o Brasil tendo quase 50% de negros na sua população, e, num gesto simbólico, a mesa da Conferência pediu para que os gestores a favor dessa proposta ficassem À esquerda e os contra à direita. Logo, não existe orçamento suficiente para projeto de cultura negra. E cabe aos movimentos e grupos de cultura negra se desdobrar para se autofinanciar.

E no Carnaval, existe espaço para cultura negra? 

O Carnaval é hoje uma grande alienação das manifestações culturais. O Carnaval deveria ser a culminância de todo um processo desenvolvido durante o ano, e não ser um momento onde as agremiações vão mendigar um mísero cachê, cabendo às prefeituras e os estados decidirem se ele é merecedor ou não. O debate de cultura fica nesse âmbito do cachê, alienando quem faz cultura.  É gasto uma fortuna para quatro dias com artistas nacionais e, durante o ano, não existem recursos para a gente fazer nada. Não existe uma política de base comunitária, onde o Estado esteja presente o ano todo formando essas pessoas para o Carnaval. Inclusive, se houvesse esse trabalho, as apresentações seriam uma contrapartida das agremiações. Por conta disso, vários grupos culturais tradicionais das comunidades não existem mais.

Camila Áurea, Recife 

Assédio moral: tão antigo quanto o trabalho

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assedio-moralO texto que segue contempla o testemunho de três trabalhadoras em Educação do Rio Grande do Sul, cuja luta recente no “chão da escola” contra uma direção autoritária e opressora, venceu o medo e a tensão e deu o exemplo de que não podemos aceitar injustiças.

Como resultado deste movimento coletivo, houve o afastamento e punição da diretora da escola tendo inclusive sua vida funcional abalada. Não nos contentamos só com isso e agora, ao final de 2013, tivemos o comprometimento da 1ª CRE de Porto Alegre de que todas as pessoas que contribuam para um ambiente antidemocrático na escola sejam remanejadas. Começaremos, enfim, uma nova fase nesta comunidade escolar.

 “Durante toda nossa luta, percebi que fibra e garra foram o que não nos faltaram. Todas nós lutamos por justiça e conseguimos vencer o assédio moral. Justiça foi mostrar que assédio é crime. Justiça foi mostrar que todo ser humano merece respeito”, afirmou de Denise Pianetti, professora de Matemática que viveu esse duro embate.

Para Odete Brauner, monitora e uma das envolvidas no caso, sintetizou essa luta dizendo: “Lutei pela justiça e pelo respeito aos professores, funcionários e alunos para que esta escola viva dias melhores e sem opressão”.

O assédio moral é fruto de uma discussão atual, embora o fenômeno seja tão antigo quanto o próprio trabalho. Em nosso país, a primeira matéria referente ao tema foi publicada no jornal Folha de São Paulo em 25 de novembro de 2000, em uma dissertação de mestrado realizada por Margarida Barreto, assim como o primeiro livro, também escrito no mesmo ano, intitulado Dando a Volta Por Cima. Na obra, o autor, João Renato Alves Pereira, retrata as várias faces da opressão de quem é alvo de assédio, as estratégias do opressor, os danos que podem prejudicar a saúde, a vida psíquica, familiar e social. Já o primeiro Estado a adotar uma legislação específica sobre o assunto foi o Rio de Janeiro, em 2002.

Mas o que é mesmo assédio moral?

Segundo Margarida Barreto, pode ser conceituado como uma conduta abusiva (gestos, palavras, comportamentos, atitudes), que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa, trazendo como consequência a degradação do ambiente de trabalho, a vulnerabilidade e desequilíbrio da vítima, dentre outras.

Este tipo de opressão não está isolada na sociedade, é fruto de um conjunto de fatores, tais como a globalização que visa somente à produção e ao lucro, incentivando a competição opressora através do medo, violência psicológica, humilhação e constrangimento.

Reforçando o título deste texto, infelizmente, isso não é algo novo na vida dos trabalhadores, é o reflexo do que acontece cotidianamente na sociedade capitalista: o patrão sempre querendo ter benefícios próprios sem pensar na coletividade e rebaixando o trabalhador. Essa é exatamente a lógica do sistema – a luta de classes –, caracterizando-se pelo antagonismo entre opressores e oprimidos, uma batalha permanente, às vezes visível, às vezes camuflada.

Acreditamos que a mudança dessa realidade histórica somente acontecerá com a união dos trabalhadores, na luta pelos seus direitos em busca de uma nova sociedade, com igualdade, justiça e solidariedade.

Nas palavras da professora Jussara Moura, que viveu todo o processo ao lado das companheiras, “essas mulheres fizeram-se notórias e aguerridas em nossa caminhada contra o assédio moral. Com união vencemos montanhas e a prática da justiça prevaleceu”.

(Fátima Magalhães e Lorena Teixeira Gomes, militantes do  MLC e do Movimento de Mulheres Olga Benário)

Saúde da mulher: alertas na vacinação contra o HPV

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A partir do dia 10 de março de 2014 a vacina contra o Papiloma Vírus Humano (HPV) será oferecida pelo SUS a meninas de 11 a 13 anos. O HPV é um vírus capaz de infectar a pele e as mucosas, por isso um vírus sexualmente transmissível e que possui mais de 100 tipos circulantes, e sua consequência mais conhecida é o câncer de colo de útero.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que 291 milhões de mulheres no mundo são portadoras da doença (ou seja, mesmo não desenvolvendo os sintomas estão infectadas e transmitem o vírus) e que 270 mil mulheres morrem por ano devido à doença. No Brasil, 5.160 mulheres morreram em 2011 em decorrência desse tipo de câncer.

Diante desses dados alarmantes e das características fundamentais de transmissão do vírus, voltamos nosso olhar para a importância de medidas de investimentos em medicina preventiva e saúde pública, bem como na educação em saúde. A vacinação é uma medida eficaz e podemos considerá-la um avanço para a prevenção do HPV e do câncer de colo de útero entre nós mulheres.

É importante entender que a faixa etária da vacinação deve ser entre 9 e 13 anos, pois nessa  faixa a vacina é eficaz para imunizar as mulheres quando futuramente atingirem a puberdade e a fase adulta.

Em 2014 a vacina será distribuída para meninas de 11 a 13 anos, e em 2015 para meninas de 9 a 13, pois a meta do Ministério da Saúde é vacinar 80% do público-alvo, que atingirá aproximadamente 5,2 milhões de meninas. Dados que mais uma vez emitem um sinal de alerta: por que não estabelecer uma meta para atingir 100% das meninas?

O fato é que, apesar do avanço, quando se avalia sob a ótica da incorporação de mais uma vacina o calendário do SUS, infelizmente, ao observamos a situação sob a ótica das políticas de saúde pública e planejamento do governo, mais uma vez o governo federal opta por uma parceria público-privada para adotar uma medida no Ministério da Saúde.

A vacina será produzida numa parceria firmada entre o Instituto Butantan e o Merck, um dos maiores laboratórios do mundo, que tem como seu objetivo central o lucro e não a vida humana. Será investido R$ 1,1 bilhão na compra de 41 milhões doses da vacina durante cinco anos – período exigido pela indústria para que se transfira a tecnologia ao instituto brasileiro, para que então a vacina passe a ser produzida integralmente no país.

Mais uma vez assistimos à famigerada indústria farmacêutica, juntamente com um governo liberal, impedindo que os avanços da ciência e da tecnologia cheguem a todos e permitam que a saúde seja, de fato, um direito humano universal.

Esperamos que os 80% das meninas que pertencem ao público-alvo sejam imunizadas, e que os avanços tecnológicos e políticos não parem por aí. E que a constante luta dos profissionais que buscam um SUS 100% público e de qualidade continue ganhando força para melhorar a saúde e, consequentemente, a qualidade de vida da população.

Isabela Neves, biomédica
Belo Horizonte

70 anos da vitória em Leningrado contra o nazifascismo

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LENINGRADONo dia 27 de janeiro de 1944, chegava ao fim a mais longa batalha de toda a Segunda Guerra Mundial: o cerco a Leningrado. Há 70 anos, as tropas do Exército Vermelho venciam e expulsavam o exército nazista de Hitler da “Cidade de Lênin”.

A cidade, então, encontrava-se há 872 dias quase que completamente cercada, com rotas de transporte e linhas de abastecimento cortadas. Leningrado, na época tinha, cerca de três milhões de habitantes. O cerco fez com que metade da população tivesse que ser evacuada. A batalha, juntamente com a fome, matou cerca de 700 mil pessoas.

Para os alemães, Leningrado significava um ponto estratégico no plano de invasão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A cidade tinha o principal porto do Mar Báltico, além de ser um centro econômico no oeste da União Soviética. Mas a cidade era, mais do que isso, um centro político importantíssimo para os soviéticos. Ela levava o nome de Lênin, fundador do Partido Comunista Bolchevique e líder da Grande Revolução Russa de 1917, período em que a cidade era a capital do Império czarista e se chamava Petrogrado. Portanto, para os nazistas era fundamental no seu plano de invasão da URSS tomar a cidade.

Só que as forças militares de Hitler não contavam com a feroz e heroica resistência do povo soviético. A população de Leningrado se organizou e, juntamente com o Partido Bolchevique e o Exército Vermelho, resistiu a todos os ataques nazistas. O exército alemão cortou  todas a linhas de suprimentos da cidade, além de realizar bombardeios quase diários, provocando a fome generalizada.

Porém, os soviéticos conseguem uma saída. Durante o inverno, estabelecem uma rota de abastecimento pelo lago Ladoga, que se encontrava congelado. Ao mesmo tempo, a cidade fortalecia sua defesa com a ajuda da Marinha Soviética e com as baterias antiaéreas, que superavam, em quantidade, até as defesas de Londres, que também se encontrava sobre intenso bombardeio nazista. Fábricas enviavam tanques de combate da produção direto para o front.

Incrível que, mesmo com todos os ataques, a cidade mantinha sua vida cultural. Em 1942, em pleno cerco, algumas escolas e teatros foram inaugurados. Houve até um concerto da Orquestra Filarmônica de Leningrado, que apresentou a “Sinfonia Heroica de Leningrado”, de Shostakovitch, que saudava os soldados e trabalhadores que defendiam a cidade e se tornou símbolo da batalha.

A vitória de Leningrado ficou marcada na história como mais um exemplo da combatividade e do heroísmo do povo soviético, do Partido Comunista Bolchevique e do Exército Vermelho na luta contra o fascismo, sendo temas de diversos filmes, livros e músicas. Esse fato significou um avanço fundamental para a vitória da URSS e dos aliados sobre a Alemanha nazista.

A atuação e a organização dos trabalhadores e dos soldados da União Soviética nessa batalha nos coloca um exemplo de luta e de resistência aos ataques do capitalismo, mesmo na sua expressão mais horrenda (o fascismo).

(Com informações do site Gazeta Russa)

Felipe Annunziata, estudante de História da UFRJ e militante da UJR

Invasão de privacidade: EUA inseriram programa espião em 100 mil computadores

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De acordo com o jornal The New York Times, a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, em inglês) implantou programas de espionagem em quase 100 mil computadores ao redor do mundo. Embora a maioria dos programas seja inserida através da internet, a NSA desenvolveu uma nova tecnologia, que, por meio de ondas de rádio, consegue invadir os computadores que não estão conectados à rede.

A denúncia é baseada em documentos revelados pelo ex-analista da NSA, Edward Snowden. Segundo o jornal, as ferramentas de recepção – minúsculas placas de circuito colocadas no computador monitorado ou em dispositivos USB – eram instaladas diretamente por uma pessoa com acesso ao equipamento, que pode ser um espião, um usuário do computador ou mesmo seu fabricante.

Entre os alvos do “grampo” estão unidades dos exércitos russo e chinês, a polícia e os cartéis do tráfico de drogas do México, instituições comerciais da União Europeia e países “aliados” dos Estados Unidos, como Arábia Saudita, Índia e Paquistão.

Esse método de espionagem, batizado de “Quantum” e utilizado pela NSA desde 2008, consiste em um canal secreto de ondas de rádio que podem ser transmitidas através de cartões USB instalados nos computadores. As informações são recolhidas por uma estação do tamanho de uma maleta, que pode estar localizada a uma distância de até 13 km do alvo.

Segundo a NSA, esse programa é apenas uma defesa contra ataques cibernéticos estrangeiros. “Nós não usamos nossos serviços de inteligência para roubar segredos comerciais de companhias estrangeiras em benefício das empresas dos EUA e sua competitividade internacional”, disse a porta-voz da NSA, Vanee Vines, para quem quisesse acreditar.

Lembremos que, às vésperas do leilão do campo do pré-sal de Libra, em outubro do ano passado, documentos vazados da NSA comprovavam que a rede privada de computadores da Petrobras foi alvo de espionagem do Governo norte-americano. Esses mesmos documentos também relatavam o treinamento para funcionários da NSA sobre como espionar outras redes privadas de computadores.

De acordo com especialistas em computação, a rede de software do programa Quantum pode criar um caminho digital para lançar ataques cibernéticos contra qualquer alvo monitorado. “A tecnologia de frequência de rádio ajudou a resolver um dos maiores problemas enfrentados pelas agências de inteligência norte-americanas por anos: entrar em computadores que adversários, e alguns parceiros dos EUA, tentavam tornar impermeáveis à espionagem ou ataques cibernéticos”, afirma a reportagem do jornal.

Como vemos, quanto mais o tempo passa, mais se descobrem os planos do imperialismo norte-americano de controlar o conjunto das informações que circulam no mundo para, por meio disso, aumentar seu domínio político, econômico, militar e cultural sobre a humanidade, mesmo que para isso seja necessário sufocar a democracia e limitar a tão venerada “liberdade individual”.

Redação Rio de Janeiro

A luta continua

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Na manhã do dia 27 de dezembro de 2013, Serginaldo dos Santos, presidente da Central de Movimento Populares de Pernambuco (CMP), Coordenador do Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e militante do PCR  foi injustamente preso em sua residência. De forma agressiva, dois policiais à paisana invadiram sua casa, empurraram e ameaçaram sua filha e, depois desses atos de violência, o prenderam e o conduziram ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel). Serginaldo

O mandado de prisão foi requerido em ação movida pelos donos do Shopping Center Tacaruna,(entre eles, o milionário João Carlos Paes Mendonça, também dono dos shoppings RioMar, Recife, Guararapes), que acusaram Serginaldo de “ter cometido extorsão aos comerciantes do shopping” e de que se constitui em “um perigo” para o shopping e seus consumidores.

Na verdade, o MLB organiza, todos os anos, a Jornada Nacional de Luta por um Natal sem Fome e sem Miséria, nas principais capitais do Brasil, reunindo as famílias pobres que passam necessidade, para reivindicar cestas básicas e garantir, pelo menos, uma modesta Ceia de Natal.  Após sair da prisão, Serginaldo voltou a fazer aquilo que mais gosta: organizar o povo pobre para lutar por seus direitos. A seguir, o depoimento de Serginaldo Santos à reportagem de A Verdade sobre sua prisão.

“Eram aproximadamente 14h30 quando cheguei preso ao Cotel, porta de entrada do sistema penitenciário da Região Metropolitana do Recife (RMR). Depois de passar por uma revista, fui encaminhado para uma cela de triagem (espera). Ao entrar na cela (40m², com banheiro e chuveiro), me deparei com uma situação só vista nos tempos da escravidão: um amontoado de homens sentados no chão,  aproximadamente uns 40, com idade entre 20 a 35 anos, todos negros, a maioria sem camisa, com os olhos arregalados e como se estivessem com o pensamento parado no tempo. De repente, um deles me pergunta por qual motivo estava ali. Respondi que estava sendo acusado de ter organizado  uma ação  num shopping,  cujo objetivo era a conquista de cestas básicas para as famílias que vivem em ocupações por falta de teto digno para morar. Ao relatar o fato, um deles chegou a dizer: “O cara foi fazer o bem e está aqui”.

Às 17h um grupo de 30 detentos que tinham chegado no dia anterior foi levado para as celas.   Fiquei sabendo, naquele momento, que geralmente o tempo de espera na sala de triagem era de 24 horas, para, em seguida, a pessoa  ser encaminhada a ir para um presídio. Ao mesmo tempo que esse grupo saiu, novos presos chegaram.  As 18h o chaveiro avisou a chegada da comida. Naquele momento éramos em torno de 15 pessoas. Notei que havia sete potes de sorvete espalhados pelo chão. Foi quando me dei conta de que era naqueles potes onde seria colocada a janta (batata-doce, pão, salsicha e café). Novamente a imagem da senzala veio na minha cabeça.

Após o jantar, um silêncio tomou conta da sala, e foi quando comecei a pensar mais profundamente. O primeiro pensamento foi a lembrança dos companheiros que foram presos no tempo da ditadura. Me lembrei do companheiro Manoel Lisboa e dos outros companheiros do PCR, e na memória também veio a lembrança do livro Testamento sob a forca, que relata a prisão de Júlio Fuchik, revolucionário tcheco. Sabia que minha situação nem de longe se comparava ao que esses companheiros passaram na prisão, pois pagaram com suas próprias vidas por lutar pela liberdade e pelo socialismo. No entanto, devia seguir seus exemplos de altivez. Outro motivo que me dava força era saber que não estava só, sabia que, contra a injustiça cometida contra mim, os companheiros e companheiras se levantariam pela minha liberdade. Lembrei-me do poema “As gerações futuras”, do companheiro Emanuel Bezerra, escrito quando estava preso, no qual ele diz: Meus soldados não se rendem, o grande dia chegará”.  Um pensamento de indignação também tomou conta de mim ao lembrar os momentos da minha prisão na minha casa e o abusos cometidos pelos policiais contra meus filhos, mas também um sentimento de orgulho por eles terem resistido àquela situação sem se intimidar.

Depois de muito tempo sem comunicação, recebi um lençol e uma bermuda. De pronto emprestei a bermuda a outro detento. Procurei dormir, mas bateu uma ansiedade. Sento e observo em silêncio cada um ao meu redor, até que surge a ideia de lavar a sala, e todos participam. Deito no chão e procuro dormir; rolo pra um lado e pro outro, e o sono não vem. Durante toda a madrugada chega gente. Às seis horas o sol bate na cela, e percebo que já somos quase 20. Chega a hora do café da manhã (pão e café), e novamente pegamos os potes e dividimos a comida. No presídio, é dia de visita conjugal, e um detento alerta para os novatos para não olhar para as mulheres, não levantar a camisa, nem coçar o saco; são as regras da prisão.

O tempo passa e continuam a chegar mais presos. Todos os que chegam deixam a sandália no banheiro e vão direto pro chuveiro, (eles dizem que é pra tirar as mazelas da rua). Todos que chegam (na maioria por tráfico) são questionados por que caíram. De novo também me perguntam por que estou ali, e relato novamente o motivo, e a reação é de surpresa. Aproveito também para dizer que sou professor de História, e, daí pra frente, sou tratado como professor.

Chega pra mim uma sacola de roupa e material de higiene (começo a pensar, pela quantidade das peças, que minha prisão iria se prolongar). Nesse momento ofereço, para uso coletivo, o sabonete, o desodorante e a pasta de dente. Fico a maior parte do tempo calado até que sou provocado a falar.

Um deles pede que eu fale sobre História, que ali alguns estudaram e outros não. Provocado, começo a dizer que eles são vítimas do sistema, que ninguém nasce bandido, falo da verdadeira causa de eles estarem ali. Falei pouco, mas pelo balançar da cabeça e a satisfação expressada por vários deles, senti que fui  compreendido, chegando alguns a comentar  que eu poderia dar aula e receber por esse trabalho. Era possível perceber neles um sentimento de respeito e desejo de que eu saísse da prisão. Fui chamado para tirar foto, e, em seguida, novamente chamado, para fazer o exame médico.

Chegou a hora do almoço (feijão, arroz, carne guisada). Já éramos 35 presos, com os mesmos sete potes, as colheres improvisadas com o que sobrou de uma garrafa pet, já que a outra era  de uso coletivo para se beber água. Depois do almoço, decidiu-se novamente lavar a cela, e, com o pedaço de sabonete que eu dei, foi feita uma água detergente. Terminada a lavagem, sentamos todos no chão, olhos para os quatro cantos, e novamente a imagem da senzala se repete. Vejo aproximadamente 40 pessoas; dessas, 38 são homens negros, de idade entre 20 e 35, mais da metade sem camisa. Sem comunicação externa. Muitos reincidentes, presos por tráfico (a maioria por maconha, uma quantidade menor por crack).

Às 17h sou chamado, pelo chaveiro, para falar com meus advogados (Marcelo Santa Cruz,  Abnes Canário, Luiz Carlos, Vinícius Campos),  e recebo a notícia do meu habeas-corpus. Também sou informado de que muita gente estava à minha espera.

Voltei para a cela, disse aos presos quem eu era, da minha luta, por que estava ali, e que naquele momento estava saindo. Desejei um feliz ano-novo (mesmo naquela situação), e o que estava na minha sacola (calça, camisa, lençol, material de higiene) dei a cada um dos que continuaram presos.”

Serginaldo Santos, Recife

Favela Metrô-Mangueira resiste

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Após a morte do adolescente Wellington Sabino, de 20 anos, pela Polícia Militar, na favela da Mangueira, no Rio de Janeiro, um sentimento de rebelião e ódio ao Estado tomou conta dos moradores, na madrugada do dia 05 de janeiro deste ano.

 Dois dias depois, a política de remoções e repressão ao povo em prol da Copa da Fifa e dos grandes empresários colocou novamente os moradores da famosa favela em enfrentamento com a Polícia. As remoções já acontecem desde que as obras do entorno do Maracanã começaram, mas esta foi a primeira vez onde foi registrada resistência à base de pau e pedra. A área do Morro da Mangueira valorizou-se muito após a implementação da Unidade de Polícia Pacificadora (que de pacífica não tem nada), e da manutenção do Complexo Maracanã, ou seja, como de praxe, pobres favelados são prejudicados pela especulação imobiliária e despejados sem sequer existir um mandado oficial para essas ações. O mesmo pretexto da expulsão dos índios da Aldeia Maracanã foi utilizado para demolições dos barracos.

 O primeiro confronto entre moradores e a Polícia Militar ocorreu no dia 7, à noite, com vários detidos e feridos, inclusive crianças. Barricadas foram erguidas, coquetéis molotov e vários objetos, atirados. No dia seguinte, foi convocado um ato, onde militantes de esquerda, entidades e a mídia alternativa se uniram com o povo e compareceram em peso. A tropa de choque montou um plantão na entrada da comunidade e só começou agir quando os ativistas foram embora, deixando claro que, no pensamento deles, uma grande resistência aconteceria com todo aquele contingente disposto a lutar contra o aparato repressivo do Estado.

 Moradores antigos do morro apresentaram aos advogados e jornalistas ali presentes documentos que provam a regulamentação das habitações, que, mesmo assim, foram pichadas com números que indicavam a demolição, e de fato foram implodidas. Um casal de antigos moradores entrevistado por A Verdade contou que mora há dois anos na Mangueira, antes da UPP chegar, e é tratado como invasor. Outros disseram que o secretário de Habitação do Município, Pierre Batista, prometeu pessoalmente programas como o Aluguel Social e lhes comunicou um prazo para a retirada das casas. Porém, horas depois, a PM batia na porta para expulsá-los de suas casas, embora não tinham para onde ir. Manifestantes chegam a todo instante para ocupar e resistir com os “mangueirenses”, que os recebem muito bem, oferecendo comida, café, água e serviços básicos. No dia 9, quatro casas foram removidas e houve novo confronto. A população está reagindo, se conscientizando e se organizando para garantir seus lares. A favela luta!

Igor Plácido – militante da UJR

Ocupação reúne oito mil famílias em São Paulo

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No dia 29 de novembro de 2013, no bairro Jardim Ângela, Zona Sul de São Paulo, cerca de duas mil pessoas organizadas pelo Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocuparam um terreno para sair do sufoco do aluguel. A ocupação hoje já conta com cerca de oito mil famílias, que seguem na luta para transformar o local em Área de Especial Interesse Social (AEIS).MTST

A ocupação reflete a opinião da população das periferias de São Paulo, que não aguenta mais a situação em que vivem. Ao mesmo tempo em que veem serem erguidos prédios luxuosos, shoppings gigantescos, e milhões gastos com a Copa da Fifa, as Unidades Básicas de Saúde funcionam precariamente, falta moradia digna e continua-se a viver pagando aluguel caro.

No segundo semestre do ano passado, foram organizadas outras ocupações, todas em conjunto com o Movimento Periferia Ativa. São elas: Faixa de Gaza, no bairro Paraisópolis, com cerca de mil famílias, e Dona Deda e Capadócia, somando mais mil famílias as duas juntas.

A Verdade ouviu alguns moradores das ocupações sobre o que as motivou a participar das ocupações, a seguir seus depoimentos:

“Conheci o Movimento há 8 anos e, quando entrei, vim com uma pá, uma enxada e uma cavadeira nas costas. Achei que ia marcar um terreno para começar a construir minha casa e já tinha tudo planejado, marquei um pra mim, um pra minha filha e um pra minha nora, pois todas nós pagamos aluguel. Daí me explicaram que não era assim que funcionava, o movimento era organizado e tinha regras. Depois de um mês, já passei para a Coordenação e estou até agora na luta. Hoje estou coordenando e ajudo a organizar as cozinhas das ocupações. Tenho 5 filhos e 3 netos.”  Edna Fatima Ribeiro, 61 anos, moradora da Ocupação Nova Palestina

“Entrei no Movimento em 2007, morava de aluguel, trabalhava de auxiliar de limpeza, e o dono da casa onde eu morava queria me despejar. Descobri que haviam organizado uma ocupação na Região do Vale Velho e fui pra lá. Foi difícil eu conseguir um barraco, já havia cinco mil famílias inscritas, mas eu persisti por que não ia ter outro jeito de ter minha casa própria. Estou até hoje no Movimento e estamos com várias ocupações. Estou com mais energia do que antes e estamos aí na luta.” Laura Cristina da Silva, 25 anos, moradora da Ocupação Faixa de Gaza

“Sou do Movimento Periferia Ativa, e aqui fazemos várias lutas pela melhoria do bairro, como a da saúde, energia elétrica e saneamento e temos um jornal que sai todo mês. É difícil, o posto de saúde aqui nem tem médico, por isso agimos em conjunto com o MTST e buscamos a solução para esses problemas. A última luta, foi um ‘Rolezinho’ no Shopping Campo Limpo, onde reunimos a juventude negra da periferia e fomos pra lá. Reunimos cerca de duas mil pessoas e distribuímos pão com mortadela pra rapaziada. Lá estão querendo proibir os jovens menores de 18 de entrar desacompanhados dos pais.” Giodazio Souza Silva, 41 anos,  apoiador da Ocupação Nova Palestina

Ana Rosa Carrara, São Paulo

Papai Noel se esqueceu das crianças pobres

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Uma empresa de televisão que transmite programação para passageiros de ônibus do Recife fez uma matéria sobre o Natal e nela estava um Papai Noel fazendo um balanço bastante positivo do seu trabalho no Natal de 2013: muito trabalho que teve para levar presentes às casas das famílias por toda parte do mundo, etc. Mas fez uma advertência às crianças que não receberam presentes: neste ano de 2014, precisarão se comportar, porque Papai Noel não leva presente para crianças que não se comportaram.

Será mesmo justo dizer que as crianças que não receberam presentes foram indisciplinadas? Muitas dormiram ansiosas no dia 24 de dezembro, esperando que no Natal ganhassem um lindo presente que pediram a Papai Noel. Ao acordarem, procuraram embaixo da cama, em toda a casa, e ficaram frustradas porque o bondoso Papai Noel havia se esquecido delas. Tanto esforço para tirar notas boas e ajudar a mãe em casa… Mesmo assim, mais um ano se passou, e ela não foi lembrada. Realidade dura que as crianças pobres vivem. Ao mesmo tempo, assistem na televisão a uma realidade totalmente diferente: muitas festas, presentes e uma fartura enorme na ceia de Natal.

Enquanto as crianças pobres da periferia não são lembradas por Papai Noel, um jovem chamado Thor, de 19 anos, recebeu uma lembrancinha avaliada em quase meio milhão de reais: uma caminhonete X6. A diferença é que este jovem é filho do milionário Eike Batista. Thor Batista, porém, não está entre os mais comportados, pois, há pouco tempo, atropelou e matou o ajudante de caminhoneiro Wanderson Pereira dos Santos.

A realidade é que as crianças pobres são esquecidas por Papai do Noel e pelos governos capitalistas, pois não só não chegaram os brinquedos no Natal, mas também comida (165 milhões estão desnutridas). Ou seja, Papai Noel se esqueceu de levar comida para elas. A desnutrição ocasiona graves sequelas para crianças pelo resto de suas vidas, pois uma em cada quatro delas de menos de cinco anos sofre atrofiamento físico e baixo desenvolvimento intelectual.  A criança também precisa de pelo menos de quatro copos d’água por dia para lhe propiciarem uma hidratação adequada, mas 770 milhões de pessoas no mundo não têm acesso a uma fonte de água, e 2,5 bilhões não têm acesso a saneamento básico. Se não bastasse, nem o direito de brincar elas têm, pois 168 milhões delas estão trabalhando para levar algum trocado para casa, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De todos os 165 milhões de crianças do mundo desnutridas nenhuma é cubana. Cuba não tem esses problemas, e é o único país da América Latina e do Caribe que eliminou a desnutrição infantil e está em primeiro lugar no ranking de alfabetização entre os 191 países do mundo, com 98,8% das crianças alfabetizadas. Há 55 anos, os cubanos organizaram uma revolução socialista, com a qual inverteram as prioridades, e a classe trabalhadora e suas crianças passaram a ser tratadas com dignidade e respeito.

A juventude dos países capitalistas é uma das parcelas que mais sofrem, pois num mundo de consumismo, em que o menino que não tem uma camisa de marca, um tablet, um iPhone, é considerado inferior, ao mesmo tempo que veem outras crianças recebendo lindos brinquedos de presente – e ainda, para piorar, dizem que ele não recebeu por não ter se comportado.

A verdade é que, até quando durar este sistema econômico e político, o capitalismo, no qual todo o trabalho é coletivo (mas quem se apropria dos frutos desse trabalho é um punhado de milionários), o povo e suas crianças vão sofrer com estas brutais desigualdades. A única saída é organizar uma revolução popular e socialista. Ou nossas crianças pobres terão que viver esta dura realidade de serem esquecidas pelo “Papai Noel”.

Alexandre Ferreira, militante do PCR e da UJR

Juventude realiza acampamento em Natal

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A capital potiguar sediou, nos dias 18 e 19 de janeiro, o Acampamento da União da Juventude Rebelião (UJR) do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Com muita disposição, jovens militantes se reuniram para discutir os problemas da juventude, a necessidade de sua organização revolucionária e as lutas desenvolvidas para superar os ditames do capitalismo.

No primeiro dia de acampamento, os participantes realizaram um importante debate sobre a conjuntura nacional, contando com a contribuição de Alex Feitosa, do Movimento de Luta de Classes (MLC). O tema relativo à estrutura para impulsionar as atividades da juventude também foi abordado, estimulando formas criativas de levantar as condições materiais para a realização completa e efetiva das tarefas. Nos momentos de descontração e integração, os jovens se divertiram com atividades esportivas.

As discussões acerca da organização revolucionária da juventude marcaram o segundo dia de acampamento. Durante a avaliação do trabalho realizado no movimento estudantil, tanto na esfera secundarista quanto universitária, constatou-se que a política e a intervenção combativa da UJR continuam em plena sintonia com as demandas dos estudantes. Ao mesmo tempo, viu-se que é preciso intensificar o trabalho para despertar a consciência de mais jovens e avançar nas lutas.

Como resultado das discussões, o plenário aprovou uma carta de resoluções, que destacou, entre outras questões: a importância de denunciar os problemas do país e do capitalismo, assim como o avanço das lutas da juventude e dos trabalhadores, por meio de atividades de agitação e propaganda de mídias populares, como o jornal A Verdade e o jornal A Luta; a necessidade de realizar reuniões e estudos de forma periódica para desenvolver ideologicamente a juventude com maior solidez; e a construção do 4º Congresso Nacional da UJR, uma maneira de reafirmar que esta é a única juventude organizada capaz de conscientizar os jovens e de canalizar sua indignação e rebeldia para uma transformação radical na sociedade.

Após o encerramento do acampamento, a presidente da União dos Estudantes Secundaristas Potiguares (Uesp), Lúcia Crisante, avaliou que “o momento fortaleceu a ideologia revolucionária que guia a UJR, fundamental para o nosso desenvolvimento político”. Lúcia ressaltou ainda que as discussões realizadas no acampamento permitiram que muitas soluções fossem encontradas para sanar as dificuldades do trabalho cotidiano.

Com seriedade e combatividade, os jovens paraibanos e potiguares farão de 2014 um ano de grandes lutas em seus estados, certos de que esse é o caminho para uma sociedade justa e livre, a sociedade socialista.

Carolina Matos, UJR-RN