UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 28 de março de 2026
Início Site Página 723

A vida privada de Stálin

A Vida Privada De StálinUm pai carinhoso, dedicado à família e que adorava reunir os familiares e amigos para almoçar em sua casa de campo: estes são alguns dos aspectos da vida de Stálin revelados no livro A Vida Privada de Stálin, publicado este ano no Brasil pela editora Jorge Zahar.

A autora é Lilly Marcou, historiadora francesa de origem romena que estudou a vida do líder soviético por mais de 30 anos. Embora se defina, ao mesmo tempo, como “não comunista”, mas “fascinada” pelo personagem Stálin, Marcou não consegue esconder em seu livro sua admiração pela vida do grande líder bolchevique, o que também não passou despercebido pelos veículos de comunicação mais reacionários, que a acusaram de ser demasiado “condescendente” com Stálin.

Origens

Lilly Marcou nos conta a história de Stálin desde os seus primórdios em Gori, na Geórgia. Nascido numa casinha de dois cômodos, com piso de tijolos, laje de argila e buracos no teto, a casa de Sosso – apelido de infância de Stálin – sempre inundava quando chovia. Seu pai, alcoólatra e ausente, costumava espancar a mãe e até o próprio Sosso quando ainda recém-nascido. Certa vez, quando já crescido, Sosso chegou a atirar uma faca contra o pai ao vê-lo batendo na mãe. Por pouco não o acertou, e por isso teve que se esconder por vários dias na casa de vizinhos.

Na escola

Sosso era brilhante na escola, principalmente em aritmética e matemática. Sua excepcional memória espantava os professores. Com apenas 13 anos de idade, leu A Origem das Espécies, de Charles Darwin, e era primeiro tenor nos corais da igreja e da escola.

Sua mãe, para pagar seus estudos, faxinava, lavava roupas e costurava para as mulheres ricas. O pai de Stálin, contrário aos seus estudos, tirou-o da escola aos 10 anos e o levou para trabalhar como operário em uma fábrica na cidade vizinha. Mas Keke – como era chamada sua mãe – foi atrás do filho e conseguiu trazê-lo de volta em uma semana.

Stálin sempre encontrou nos livros um refúgio para sua vida penosa. Identificava-se com vários heróis, mas um especialmente o marcou mais que todos: Koba, um fora da lei e vingador do povo escravizado, personagem do livro Parricídio, de Aleksandr Kesbegui. O nome desse personagem seria adotado posteriormente por Sosso em sua vida de militante clandestino.

Keke queria que o filho se tornasse padre e, devido às suas boas notas, Sosso conseguiu entrar para o seminário. Mas o ambiente de opressão só aumentou sua revolta. Registros da época revelam que Stálin era considerado um agitador pela direção da escola. Não gostava dos livros religiosos e lia, escondido, Galileu, Copérnico, Darwin e Victor Hugo, o que lhe valeu a solitária várias vezes. Mais tarde, ainda no seminário, descobriria Marx, Plekhanov e Lênin.

A luta

Inicia então sua militância em grupos políticos, já como revolucionário profissional e tendo um emprego apenas de fachada. Deixara o seminário e morava agora em um único cômodo no Observatório de Física, onde trabalhava e recebia operários para reuniões. Formou vários grupos de estudo, quando então se revelou excelente propagandista, possuindo o dom da exposição concisa e límpida.

Era incansável na organização de greves, manifestações de rua, reuniões secretas e comícios. Com a situação financeira precária, não tinha mais ninguém na vida a não ser a mãe, mas não lhe pedia dinheiro algum. Registros policiais da época o descrevem como um intelectual e um dos principais dirigentes na região.

Devido à grande repressão, entre os anos de 1902 e 1913, Stálin foi preso oito vezes, exilado em sete ocasiões, fugindo em seis delas. Mas a prisão para ele nunca foi tempo perdido: aproveitava para estudar. Além dos livros teóricos e científicos, estudou alemão, francês e inglês, além de já falar o russo e o georgiano. Tinha uma disciplina de ferro e lia vorazmente. Durante suas prisões, por causa da situação de miséria, passava frio e fome. Tossia muito e quase contraiu tuberculose. Mais tarde, exilado na Sibéria, chegou a enfrentar temperaturas baixíssimas de até 45º negativos.

Stálin se casa pela primeira vez, em 1906, ainda um jovem revolucionário, em meio ao fogo da luta de classes. Sua primeira esposa não era nem intelectual nem revolucionária: encaixava-se na tradição de esposas dedicadas ao marido e ao lar. Era submissa, mas não escrava; fiel, mas não servil. Ela esperava, no fundo, que um dia Stálin desistisse da vida de revolucionário e levasse uma vida normal de chefe de família. Em 1907, nasce seu primeiro filho, Iakov. Mas, apenas 14 meses depois, morre sua esposa, aos 24 anos.

Sua morte foi uma grande provação para Stálin, que a amava profundamente. Estava preso quando ela morreu e obteve permissão para comparecer ao funeral, no qual se mostrou arrasado, com cabelos desalinhados, feições devastadas e petrificado de dor.

Humildade

No trato com os filhos, a correspondência de Stálin mostra que ele parecia mais afeiçoado aos filhos do que sua segunda esposa. Era quem sempre intervinha para secar as lágrimas e consolar, sobretudo sua filha favorita, Svetlana. “Meu pai me tomava sempre nos braços, não parava de dizer que me adorava, me beijava, multiplicava os apelidos afetuosos: ‘meu pardalzinho’, ‘minha mosquinha’… Não aguentava ver uma criança chorar e gritar. Mamãe censurava-o, dizendo que ele me estragava”.

Vários episódios da vida de Stálin revelam sua grande simplicidade. Nos anos 1930, por exemplo, passeava sozinho pelas ruas de Moscou, sem seguranças, e levava uma vida tão austera que tinha um único terno para cada estação. O restante do seu guarda-roupa era exatamente isto: uma japona de frente de batalha e um uniforme de marechal. Molotov conta que, por ocasião da sua morte, ele não tinha com o que ser enterrado, pois suas roupas estavam extremamente gastas. Tiveram que ser mandadas para uma costureira antes do enterro.

Outro evento, também ilustrativo de sua simplicidade, ocorreu em 17 de julho de 1949. Era um dia chuvoso e, ao passar de carro em frente a um ponto de ônibus, Stálin viu as pessoas se molhando e se compadeceu. Pediu ao seu motorista para descer e oferecer carona para levar todas às suas casas. O motorista foi chamá-las, mas voltou sem ninguém, ao que Stálin replicou: “Isso é porque você não sabe falar com o povo”. Stálin desceu e chamou todas para seu carro. As pessoas não acreditavam no que estava acontecendo: o próprio Stálin estava ali, oferecendo-lhes carona! Mas como o número de pessoas não cabia no carro de uma só vez, foi necessário fazer duas viagens para levar todo mundo. Dentro do carro, Stálin conversou bastante com o povo, e uma adolescente contou-lhe então seu drama: seu pai morrera numa frente de guerra. Passado um tempo, ela recebeu da parte de Stálin um uniforme escolar e uma pasta.

Em maio de 1944, durante um período de trégua na guerra, Stálin percebeu que havia muito dinheiro num cofre cujas chaves eram guardadas por seu secretário. Perplexo, perguntou-lhe de onde vinha aquela soma. Ele lhe explicou que aquele grande volume eram os seus salários de deputado acumulados, já que a única despesa de Stálin era pagar a cota ao Partido. Stálin não sabia o que fazer com aquele dinheiro. Assim, resolveu distribuí-lo entre os seus velhos amigos de Gori, sua cidade natal. Todas as ordens de pagamento eram acompanhadas de um bilhete, dizendo: “…aceite um presentinho de minha parte. Seu Sosso”. Entre os seus amigos presenteados estavam Petia, que recebeu 40.000 rublos; Gricha, que recebeu 30.000 rublos e Dzeradze, que recebeu 30.000 rublos.

Um bom livro, mas…

O livro de Lilly Marcou, enquanto cumpre apenas o que a autora propõe inicialmente – focar na vida privada de Stálin e só aludir aos fatos políticos quando essencial – é envolvente, mas é problemático em suas incursões políticas. Vários adjetivos de forte carga ideológica utilizados para caracterizar Stálin se mostram desnecessários na obra, assim como a reprodução de várias mentiras e lugares-comuns sobre o líder soviético fabricados na Guerra Fria e já provados falsos, como seu suposto antissemitismo, sua “paranoia” ou sua “mania de perseguição”. Mas o livro tem também o seu mérito: aos nos revelar uma face mais humana de Stálin acaba despertando grande admiração e simpatia pelo querido líder soviético, além de inspirar a todos aqueles que, assim como o jovem e o velho Stálin, lutam por um mundo mais justo e dedicam sua vida a isso.

Glauber Ataide

Statement by PCR Brazil on events in that country

0

Revolutionary Communist Party (PCR)Hundreds of thousands of Brazilians, mostly young people, are in the streets to demand the reduction of the absurd buses fares and a free pass. Public transport in our country is of poor quality, though it is one of the most expensive in the world. So 37 million Brazilians are forced to walk because they do not have money to pay the fare.

But this does not happen by chance.

Public transport has been privatized. In all major cities a small number of wealthy families are owners of bus companies. The rulers take bribes from these entrepreneurs and, in turn, increase the fares every year, often more than the rate of inflation, leaving the population to the greed of these sharks. This minority, besides realizing super profits from the high fares, receive subsidies from the municipalities and governments. Therefore, the solution is nationalization of public transport.

But the people are also suffering from the dismantling of the Unified Health Care System (SUS), with a mafia of health plans, with teachers receiving low salaries and education being transformed into a commodity.

In the countryside, monopolies steal the land of the indigenous peoples and peasants to export soybeans, while there is a lack of food on the workers’ tables. More than that, our oil is being auctioned to the multinationals in exchange for crumbs.

When the people go into the streets to demand their rights, the governments say there is no money and sends the Shocks Battalions to throw bombs and shoot at the protesters.

However, to meet the interests of FIFA [International Federation of Soccer Association], the federal government has spent billions to build and renovate stadiums. In addition, the Government also uses public money to pay the interest on the debt, enriching speculators, to ensure subsidies to automakers and rescue failed banks, such as the Pan American millionaire Silvio Santos, or the company OGX of the playboy Eike Batista.

For the workers only crumbs are left. Brazil has one of the lowest minimum wages in Latin America, while the capitalist bosses earn fortunes.

The major media of the bourgeoisie, headed by Globo, are also responsible for this situation because they supported the military dictatorship that tortured and killed hundreds of Brazilian revolutionaries and spread corruption throughout Brazil. Globo also supported Collor, the military coup in Honduras, the imperialist wars against Iraq and Afghanistan, it wants Brazil to become the U.S. back yard and defends the repression against the popular movement. Incidentally, alongside FIFA, Rede Globo is the is the one that makes the most from the Confederations Cup and the World Cup. Therefore, it is urgent to democratize the media.

The fact is that the bourgeoisie, the capitalist class, takes possession of all the riches produced by society, while most of the people survive on almost nothing, live in slums or rental housing. When it rains, they lose what little they have, and many lose their lives.

Also because of this failed system, over 200 million workers are unemployed worldwide, of whom 75 million are youths.

The truth is that no one will free the people if they do not fight themselves. To change this situation, the solution is, therefore, to fight and not bow one’s head to the powerful. Without struggle there is no revolution and with no revolution there is no transformation! The PCR is struggling for a popular revolution and socialism!

Enough of the exploitation by the bosses and of abuses against the people!

We demand our rights!

The people are not stupid! Down with Globo!

Nationalization of public transport now!

June 2013
Revolutionary Communist Party (PCR)

No olho do furacão – (Carta aos netos)

0

Escrevo esta carta com esperança de ser lido novamente daqui a alguns anos, por vocês, meus netos (Maria Clara, Pedro, Isabella, João e Lucas), os quais chegaram a este mundo agora recentemente; e pouco ainda sabem dos mistérios da vida neste lindo planeta azul.

Todavia, espero que, aí por volta de 2030, a geração dos meus netos possa avaliar se, enfim, triunfou a estupidez humana ou se conseguimos, pelo menos, manter viva a esperança. Prestem atenção! Neste início de milênio, não estamos atravessando apenas mais um momento de turbulência. Estamos dentro do olho do furacão.

A história contemporânea nos levou ao término da onda industrial, à drástica diminuição do Estado, à universalização da sociedade da informação (dominada pelo grande capital financeiro internacional), ao crescimento extraordinário dos fundos de previdência e aos lucros astronômicos das grandes instituições financeiras, fenômeno que fez explodir o estoque de recursos financeiros disponíveis, dos quais uma boa parte tem se destinado a perigosas especulações de curtíssimo prazo.

Falo do “capital volátil”. Um dinheiro sem pátria, ganancioso, sem coração, que quer ganhar muito e, se possível, muito rapidamente. Algumas fontes chegam a estimá-lo em mais de 30 trilhões de dólares. Especulação financeira pura e simples, que vai para onde os juros estão altos.

Nada desse dinheiro é investido para melhorar a qualidade de vida, não há interesse em acabar com a fome, nem preservar o meio ambiente, nem desenvolver qualquer economia, além de ser incontrolável.

Além disso, é preciso não esquecer a virulência da política externa da (por enquanto) maior potência do planeta, agora estimulada pela “vitória” na guerra contra um inimigo que não existia nem tinha armas nucleares: o Iraque. Para quem não sabe, Bin Laden era da Arábia Saudita, não era iraquiano.

Para manter os lucros do complexo industrial-militar e para conquistar reservas estratégicas de minérios, petróleo, entre outras; a guerra contra o Iraque bem não acabou e já estão preparando outras invasões.

As vendas do complexo industrial-militar não podem parar. São muitas indústrias multinacionais, faturando bilhões de dólares em aviões, helicópteros, veículos blindados, mísseis, armamentos, bombas, minas, munições, uniformes, alimentos, medicamentos, a lista é imensa.

Ah! O terrorismo deve ser incluído como ingrediente desse molho. Semana passada, uma nova série aparentemente coordenada de explosões acordou Bagdá e cercanias na manhã do aniversário de dez anos da Guerra do Iraque. São mais de 2.000 mortos e feridos apenas em 2013, que começa a ser um dos anos mais violentos no País desde a retirada das últimas tropas norte-americanas.

Na mesma sequência de ações de guerra, vimos caças de Israel bombardear alvos dentro da Síria. Segundo o New York Times, o carregamento era de mísseis terra-terra de última geração que vinham do Irã.

Será o início do indesejado (?) triunfo da estupidez humana?

Relembro: para depor Saddam Hussein, Bush mentiu e sacrificou a vida de milhares de iraquianos (mártires, na visão árabe); desrespeitou a ONU, a Otan (aliança militar ocidental), a coalizão antiterror; comprometeu a imagem dos EUA perante o mundo; destruiu monumentos e milhares de relíquias do berço da civilização e a própria noção de que a humanidade progride, ou deveria estar evoluindo.

Bush inaugurou a barbárie contemporânea. Aparentemente, o mundo caminha, perigosamente, sob uma estúpida hegemonia, no médio prazo, para a barbárie de alta tecnologia.

Cá no meu canto, ingenuamente, como queria Agostinho (354 a 430 d.C.), eu persisto com a Esperança, ao lado de suas duas filhas lindas: a Indignação e a Coragem de continuar lutando por um mundo melhor. Na estação futuro, vocês, Maria Clara, Pedro, Isabella, João e Lucas, poderão tirar a limpo se valeu a pena este avô haver sonhado com a Estrela da Manhã; ou se a estupidez humana triunfou.

Saibam que torço e vibro para que, com os pés bem firmes no chão, toda a geração dos meus netos possa ter os olhos, o coração e a mente nas estrelas. E que possam encontrar motivos para continuar gostando da vida como ela é.

Rinaldo Barros

Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

 

Relatório denuncia terror contra índios

0

terror_indioNuma de suas famosas canções, Renato Russo, líder da banda Legião Urbana, escreveu:

“Terceiro mundo, se foi,/ Piada no exterior,/ Mas o Brasil vai ficar rico,/ Vamos faturar um milhão,/ Quando vendermos todas as almas,/ Dos nossos índios num leilão,/
Que país é esse?”.

A música Que país é esse? foi lançada em 1989, mas continua atual, em todos os sentidos. Afinal, os índios sofrem até hoje os males da sociedade moderna. Têm visto há séculos suas terras, suas vidas e suas almas serem tomadas à força desde que o primeiro europeu por aqui chegou, em 1500. Além do mais, historicamente tiveram sua população dizimada. Mais que isso, foram forçados (em muitos casos) a esquecer suas tradições em troca da “civilização”.

E é justamente isso que ratifica o então “recém-descoberto” Relatório Figueiredo, que traz uma série de acusações contra o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), órgão criado, em 1910, para supostamente proteger os índios e seus direitos e operou em diferentes formatos até 1967, quando foi substituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que vigora até os dias de hoje.

O documento de mais de sete mil páginas foi elaborado pelo então procurador Jáder de Figueiredo Correia, que, em 1967, coordenou uma investigação que denunciou uma série de atentados ao povo indígena, como escravidão, tortura e morte. Nas palavras do próprio Figueiredo: “O Serviço de Proteção ao Índio degenerou-se a ponto de persegui-los até o extermínio”.

Em uma das inúmeras passagens brutais do texto, um instrumento de tortura apontado como o mais comum nos postos do SPI à época, chamado “tronco”, é descrito da seguinte maneira: “Consistia na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”.

Ainda podemos ver em suas páginas que o sofrimento de nossos índios ia além do sofrimento físico, pois, afora os maus tratos, tinham suas posses tomadas, como o procurador reitera: “O patrimônio indígena é fabuloso. As suas rendas alcançariam milhões de cruzeiros novos se bem administradas. Não requereria um centavo sequer de ajuda governamental e o índio viveria rico e saudável em seus vastos domínios”.

Tudo isto consta do relatório que está sendo analisado pela Comissão da Verdade, mas, em termos práticos, não deve mudar em nada a situação dos índios, que continuam sendo explorados e exterminados.

Ao menos o relatório serve para mostrar a realidade do povo indígena brasileiro, que estava escondida no esquecimento da opinião pública por mais de quatro décadas graças ao regime militar. A leitura de toda essa história de pura desumanidade contra um povo inocente que teve tudo roubado sem nada fazer só serve de exemplo para mostrar que onde o capitalismo aporta deixa destruição e desigualdade. Um sistema que só pensa, como disse Renato Russo, em “vender todas as almas de nossos índios num leilão”.

Lene Correa, Recife

Ocupação em Diadema conquista vitória

0

Diadema 2Cerca de 200 famílias organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) de Diadema realizaram uma ocupação de protesto, no dia 4 de maio, no bairro de Eldorado. A ocupação recebeu o nome de Lucineia Xavier, uma lutadora do movimento falecida em 2010.

O MLB organizou a primeira ocupação na cidade em 2008 e uma segunda em 2010 e, desde então, abriu negociação com a Prefeitura, debatendo um projeto que atendesse a famílias pobres da região. Atualmente, o processo de desapropriação já conta com depósito judicial de R$ 500 mil, referente ao pagamento do valor venal da área, faltando apenas concluir o depósito da diferença da avaliação judicial. Para tal, já existe verba aprovada de forma unânime pelos conselheiros do Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social (Fumhabis). Desde o começo do ano, porém, a atual gestão da Prefeitura – do Partido Verde – pediu dois adiamentos desse projeto.

Por isso, cansadas de esperar e temendo que a Prefeitura voltasse atrás em relação às conquistas que o Movimento já obteve, as famílias decidiram realizar a ocupação, que durou quatro dias. Nos dois primeiros dias, a Polícia agiu com truculência, impedindo que as pessoas que haviam saído, e até mesmo as crianças que iam usar o banheiro, entrassem novamente no terreno. Os alimentos eram revistados com muita brutalidade, sendo colocados muitas vezes no chão.

No entanto, a ocupação também contou com enorme solidariedade: os vizinhos ao redor do terreno cederam água e alimentos. A Central de Movimentos Populares (CMP) esteve presente em todos os momentos, desde a ocupação até o final. Alguns vereadores deram apoio, em especial Orlando Vitoriano (PT). A Defensoria Pública do Município, a OAB e o Conselho Tutelar também estiveram lá para defender as famílias.

Já no dia 6, o movimento realizou um grande ato ecumênico em apoio à ocupação. Centenas de pessoas participaram. Neste mesmo dia, o Movimento foi atendido pelo prefeito Lauro Michels, pelo secretário de Habitação e pelo secretário de Assuntos Jurídicos, entre outros. Nessa reunião ficou acordada a continuidade do projeto, bem como todos os trâmites necessários até a construção das moradias. O prefeito foi até o terreno para se comprometer pessoalmente.

Este processo, que culminou com a ocupação, foi uma grande prova de que apenas organizado e em luta é que o povo pode conquistar o que necessita. A ocupação, nesses poucos dias, já tinha cozinha coletiva, banheiros, pia para lavar a louça, ruas e um espaço para as assembleias, que ocorriam diariamente, pela manhã e à noite.

A ocupação era composta, em sua maioria, por mulheres, que, com seus filhos no braço ou correndo e brincando, construíram barracos, cozinharam, enfrentaram a Polícia e se fizeram ouvir nas assembleias e reuniões. A ocupação também mostrou que os trabalhadores são imensamente solidários. Todos se tornam responsáveis pelas crianças; todos dividiram o alimento, cobertores, ferramentas. Deram demonstrações de enorme criatividade, improvisando infraestrutura necessária para se viver dignamente sob barracos de madeira e lona.

Está aí uma demonstração de que uma nova sociedade, igualitária, fraterna, justa e solidária, é possível. Os trabalhadores e trabalhadoras que estiveram na Ocupação Lucineia Xavier, enfrentando frio, ventania e chuva, agora têm certeza disso.

Carol Vigliar, São Paulo

Estudantes baianos fundam entidade em Juazeiro

0

DSC01222Os estudantes de Juazeiro, na Bahia, fundaram, no último dia 10 de maio, a União Municipal dos Estudantes  Secundaristas (Umes), reunindo no auditório do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães mais de 100 pessoas, entre as quais estudantes do Centro Territorial de Educação  Profissional (Cetep), única escola técnica da cidade.

O encontro contou com representantes de várias entidades, representadas por Luan Fonseca, presidente do Diretório Acadêmico de Engenharia Agronômica da Univasf, Tomas Mateus, diretor da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet) e Sammara Oliveira, presidente de União dos Estudantes Secundaristas de Petrolina (Uesp).

O debate inicial abordou a expansão do ensino técnico brasileiro, quando os estudantes puderam avaliar as dificuldades encontradas, a exemplo da atual situação do Cetep, que sofre com a falta de investimentos por parte do governo estadual baiano.

Em seguida, ocorreu uma rica discussão sobre o movimento estudantil e seu papel, e, como resultado desse debate, os estudantes vindos do Colégio Estadual Ruy Barbosa, Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães e Escola Pedro Raimundo Moreira Rego, decidiram pela fundação da Umes de Juazeiro.

É hora de consolidar essa reorganização do movimento estudantil em Juazeiro, convocando os estudantes para lutar por uma educação pública de qualidade. Para Leonildo Santos, presidente eleito no encontro, “agora os estudantes podem contar com uma entidade de luta e combativa. Esta será a Umes, em defesa de uma educação pública de qualidade”.

Cloves Nascimento, UJR

Estudantes de Varginha saem às ruas por seus direitos

0

Os estudantes da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) e do Cefet-MG, em Varginha, organizados pelo Diretório Acadêmico Florestan Fernandes (Daff) e pelo Grêmio Estudantil, realizaram uma manifestação pelo meio-passe universitário, passe-livre para o Cefet, redução da tarifa do transporte coletivo e retorno da tarifa social nos domingos e feriados.

A manifestação teve a participação de mais de 500 estudantes e foi consequência da irresponsabilidade do prefeito Antônio Silva (PTB), que, desde a eleição municipal, tem evitado o diálogo com os estudantes, chegando a desmarcar uma audiência prevista para o dia 16 de maio. Além disso, no retorno às aulas, os alunos do Cefet foram surpreendidos com o cancelamento do passe-livre nos transportes.

Durante a passeata, com muita agitação, apitos, cartazes, tambores e caras pintadas, a população se sensibilizou com aplausos e declarações de apoio.

Ao chegar à prefeitura, os estudantes foram impedidos de entrar pela Polícia Militar e pela Guarda Municipal. Funcionários foram orientados a dizer que o prefeito havia viajado e que, dessa forma, não receberia ninguém. Mas, na verdade, ele se encontrava no município, segundo o presidente da Câmara, e se escondeu dos estudantes, sendo apelidado na cidade de “O Furão”.

Os estudantes retornaram ao centro da cidade e trancaram as avenidas principais. Alunos de outras escolas se sensibilizaram e se juntaram à manifestação, aumentando a participação e intensificando o “trancaço”.

A Polícia Militar então agiu com brutalidade, agredindo manifestantes com cassetetes e sprays de pimenta, mas não impediu a continuidade da manifestação. A PM agiu com mais violência ainda e prendeu os estudantes da Unifal Rossi Henrique e Gustavo Noronha, militantes da UJR, e os sindicalistas Antônio Amorim, da CUT-MG, e Abdon Geraldo, do SIND-UTE MG. Nesse momento, um carro entrou em alta velocidade na manifestação, atropelando três estudantes e quebrando o pé do aluno da Unifal e diretor do Diretório Acadêmico Florestan Fernandes, Guilherme Silva, tendo o motorista fugido sem prestar socorro. Os estudantes anotaram a placa do automóvel e entrarão com um processo contra o agressor. Mesmo com o forte aparato policial no local, a PM alegou que não encontrou o infrator.

Apesar da vergonhosa ação da PM, os estudantes não abandonaram a manifestação, dirigindo-se até a Câmara Municipal, onde, em assembleia, decidiram encaminhar denúncias contra os abusos da PM à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado, à própria Câmara, ao Ministério Público e à Corregedoria da PM, além de aumentar a pressão contra a prefeitura até conquistar as pautas do movimento.

No dia seguinte, pais de alunos do Cefet se reuniram com a presença da direção da instituição, do Grêmio e do Daff, decidindo aumentar as lutas e a pressão sobre a prefeitura e encaminhar as denúncias contra a ação abusiva da Polícia contra os jovens, que, em maioria, eram menores de idade. Nova manifestação já está sendo preparada e a luta pelos direitos dos estudantes ao passe-livre secundarista e ao meio-passe universitário continuará.

 

 

 Rafaela Carvalho, presidente do Daff-Unifal

Manifestação paralisa escolas de Belo Horizonte

0

bandeiraA situação da educação em Minas Gerais é cada vez pior, contrariando a campanha milionária do senador Aécio Neves, do governador Antônio Anastasia e do prefeito da capital, Márcio Lacerda. Os servidores da rede municipal de Belo Horizonte estavam em greve por melhores salários e condições de trabalho, contra uma prefeitura que não dialoga, e os da rede estadual têm indicativo de greve para o início de junho, pois o governo do Estado se nega a negociar e a pagar o Piso Salarial Nacional da categoria, que já é lei em vigor na maioria dos Estados do País. Como se não bastasse, a Prefeitura de Belo Horizonte não garante o meio-passe para todos os estudantes, direito conquistado após 25 anos de luta.

Para dar resposta a essa situação, no dia 22 de maio, mais de mil estudantes organizados pela Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (Ames-BH), saíram às ruas para defender uma educação pública, gratuita e de qualidade, e o meio-passe para todos os estudantes. A manifestação parou o Centro da cidade e os estudantes caminharam até o Minascentro, onde estavam o governador Anastasia e a secretária estadual de Educação, Ana Lúcia Gazzolla, no lançamento do Programa Reinventando o Ensino Médio. Vários diretores de escola saíram à porta do evento para se solidarizar com a luta dos estudantes, apoiando suas reivindicações.

O protesto também passou pela prefeitura, onde os estudantes exigiram o fim da burocracia e a aplicação integral da Lei do Meio-Passe Estudantil. O resultado veio logo no dia seguinte, quando a prefeitura reuniu o Conselho de Auxílio ao Transporte Escolar (Comate), que conta com a participação dos estudantes, e anunciou a volta das inscrições para o benefício, suspensas desde o início do ano. Além disso, a Ames exigiu que os estudantes já beneficiados não fossem cortados.

Ao fim da manifestação, Lincoln Emmanuel, presidente da Ames-BH, afirmou que “ainda há muito o que conquistar e que a luta vai continuar até a garantia do cumprimento completo da lei que beneficia os estudantes de Belo Horizonte”.

Redação BH

A violência e a redução da maioridade penal

0

reducao-da-maioridade-penal-4-por-latuffTemos visto uma forte campanha da mídia de todo o País pela redução da maioridade penal. Fala-se muito sobre os crimes cometidos por crianças e adolescentes, que são chamados até de “pequenos delinquentes”, mas estes crimes correspondem apenas a 5% do total. Acontece que essa mesma mídia e seus ditos “especialistas” se esquecem de relacionar essa situação à dura realidade vivida pela juventude e à falta de assistência do Estado, que leva muitos jovens para a criminalidade. Um dos fatores que mais contribuem para que isso aconteça são os traumas da violência infantil.

Vinte e três anos depois da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), centenas de cidades brasileiras ainda não têm nenhuma estrutura para atender às denúncias de crimes contra a população infantil. Dessas, metade está em Minas Gerais. O Estado que, sob o governo de Antônio Anastasia (PSDB), hoje comemora os cinco anos da campanha “Proteja Nossas Crianças”, não tem nada que comemorar. Apenas nos últimos cinco anos, registraram-se 14,7 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes, e centenas não tiveram o devido tratamento. Basta olhar para a Capital mineira, Belo Horizonte, onde, nos últimos três anos, o número de crimes contra a criança e o adolescente triplicou (só o número de estupros de vulnerável passou de 102 para 356 ao ano). Enquanto isso, o número de órgãos de defesa, que deveria ser 24, é de apenas nove.

Mas essa realidade não é um caso particular de Minas Gerais, ela atinge todo o País. Doze por cento dos 55,6 milhões de crianças brasileiras menores de 14 anos são vítimas anualmente de alguma forma de violência doméstica. Ou seja, por ano, são 6,6 milhões de crianças agredidas, chegando-se à média de 18 mil crianças vitimizadas por dia (dados da Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância). E a falta de estrutura para o atendimento das denúncias só torna mais difícil o combate à violência.

De acordo com Iracema Santos, conselheira tutelar de Feira de Santana, na Bahia, “os conselheiros enfrentam no dia a dia várias dificuldades. Faltam carros para atender as denúncias, telefones… A nossa ação fica prejudicada”. Mas, para além da falta de estrutura nos conselhos, a situação enfrentada por essas crianças no dia a dia também reflete o descaso dos governos com a juventude. “Muitas crianças não têm acesso à escola, passam boa parte do dia na rua, sem ter a chance de estudar, e ficam à mercê do crime e do tráfico de drogas”, afirma Iracema.

Está mais do que claro que a proposta de redução da maioridade penal para 16 anos não trata a raiz do problema – que é a violência do sistema contra as pessoas, a miséria, a falta de acesso à educação e à cultura –, e sim o seu reflexo. O dever do Estado é o de criar condições para que nenhum jovem mais esteja no crime, mas esteja, sim, seguro e com vida digna garantida.

Júlia Raffo, tesoureira da Ames-BH

Comunicado do PCR sobre as manifestações de rua no País

0

O Partido Comunista Revolucionário (PCR) disponibilizou na internet um vídeo onde mostra sua opinião sobre a onda de manifestações que se seguem na Nação.

Congresso da UNE - UJR

PM atira no rosto de manifestantes em Fortaleza

0

A Polícia Militar de Fortaleza mostrou mais uma vez para qua existe. Na manifestação do dia 19, a PM chegou a atirar à queima-roupa no rosto de manifestantes. Vários foram hospitalizados.