UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 11 de abril de 2026
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Opinião: nos EUA, águia ou abutre?

Não há império que dure para sempre e a força dos povos, unidos em luta pelo bem comum, é o motor da verdadeira transformação. A história demonstra que diante das opressões a resistência cresce.

Frei Gilvander Moreira* | Belo Horizonte


OPINIÃO – A história da humanidade demonstra que nenhum império é eterno e que todos eles têm uma história de nascimento, ascensão, decadência e morte. Tornando-se um longo capítulo da história da humanidade. Assim aconteceu com muitos impérios, tais como o Egípcio, o Assírio, o Babilônico, o Persa, o Grego, o Romano, o Português, o Inglês e não será diferente com o império dos Estados Unidos ou das Big techs. A águia, um belo animal, é símbolo nacional dos Estados Unidos, mas na verdade reage como um abutre posicionando-se de forma gananciosa, expansionista, separatista e belicosa, perseguindo os povos latino-americanos e outros.   

A história mostra também que todo império quando está se desintegrando e apodrecendo deixa seus chefes irados e, como abutre, reage, cuspindo fogo e ameaças. Assim aconteceu com a posse do novo “imperador” dos Estados Unidos, no dia 20 de janeiro de 2025. Pelo discurso colonialista, racista, prepotente e ufanista, e também pelos decretos assinados no mesmo dia da posse, expõe a podridão de um sistema que tenta desesperadamente manter sua hegemonia.

Por isso, assistimos a algo com rompantes de um imperador, usando em vão o nome de Deus, o que é idolatria (usar o nome de Deus para justificar políticas de morte), se apresentando como imbatível ao afirmar que “inicia agora a era de ouro da América”, “construiremos as forças armadas mais poderosas do mundo”, “vamos invadir o Panamá e retomar o Canal”, “vamos terminar o muro que separa os EUA do México”, “vamos cobrar impostos dos povos em outros países impondo tarifas comerciais para que nossos cidadãos paguem menos impostos e possam ter prosperidade, glória e seremos motivo de inveja em todo o mundo…”. 

O continente americano inclui América do Norte, Central e do Sul e americanos são todos os habitantes das três Américas, não apenas quem é estadunidense. E os verdadeiros cidadãos da América são os Povos Originários (Indígenas), que foram vítimas de genocídio, mas resistem em centenas de Povos. 

Todavia, esse discurso proferido por Donald Trump demonstra soberba e megalomania. Trump revela não só o medo de um Chefe de Estado que sabe que nos limites do seu país o projeto capitalista de sociedade baseado no consumismo não deu certo! Junto com a fala belicosa e ameaçadora de invasão de outros Estados-Nação, a promessa de ruptura do direito internacional à autodeterminação dos povos, o rompimento do acordo ambiental assinado em Paris, que previa a desaceleração da emissão de gases poluentes responsáveis pelo aquecimento global e por sua vez provocadores da atual e gravíssima crise climática. A promessa de retirar direitos civis construídos a duras penas pela população negra, pelas mulheres e pelo Movimento LGBTIA+ através de uma reconstrução baseada em uma nova engenharia social demonstra os traços fascistas e nazistas da cúpula retrógrada de empresários que o apoiam.

Tudo isso que a grande imprensa divulgou e ao mesmo tempo disseminou expõe a fratura na coluna do gigante, como na esquizofrenia de Nabucodonosor, imperador da Babilônia na história antiga, que tão alto pensava ser, melhor que os céus, e no seu império experimentou, a comer capim como os bois e a vaguear em sua loucura de megalomania. 

Após jurar obedecer à Constituição dos Estados Unidos, o discurso de Trump foi deprimente, colonialista, populista, homofóbico, xenófobo, déspota, fascista/nazista e exterminador do futuro. Deprimente porque as centenas de pessoas que o assistiam presencialmente aplaudiam quando os slogans ufanistas e autocentrados eram proferidos, o que revela o apodrecimento das instituições estadunidenses e a visão tacanha do povo que o elegeu. 

Como se pode aplaudir postura homofóbica ao afirmar que “nos Estados Unidos a partir de hoje terão só dois gêneros: o masculino e o feminino”?! O direito à orientação sexual homoafetiva não pode ser abafado nem por decreto e nem por preconceito homofóbico. Como pode alguém aplaudir que “o muro que separa os Estados Unidos e o México será concluído em breve e deportaremos os imigrantes ilegais”, como se fosse possível a vida no planeta Terra sem a convivência entre os povos?! 

Em todos os países há cidadãos e cidadãs vivendo fora do seu país de origem e em todos os países pessoas de muitos outros países são acolhidas. O direito de ir e vir inclui também o direito de viver no país que a pessoa escolher. Impossível cercar um país e isolá-lo da convivência internacional, o que traz inúmeros benefícios para os povos como a troca de experiência cultural e, óbvio, a ajuda em força de trabalho. Imagine os Estados Unidos sem os 11 milhões de imigrantes ilegais que atualmente fazem uma série de trabalho que os estadunidenses não realizam: serviços de limpeza, construção civil, cuidador/a de idosos/as, segurança, serviços gerais, cozinhar, servir…

Absurdo também o Trump vociferar que vai “perfurar, perfurar, todos os poços de petróleo inexplorado no país e que não estará nem aí para transição energética” e assinar decreto retirando novamente os Estados Unidos do Acordo de Paris, que exige redução das emissões de gás carbônico para reduzir o colapso ambiental e frear a ferocidade dos eventos extremos cada vez mais frequentes e letais. A promessa é de devastar o que resta do Planeta, nossa única Casa Comum, em nome de lucros imediatos.

Até a mãe natureza boicotou a posse de Trump por ter imposto à capital Washington a temperatura de 5ºC negativos com sensação térmica de 10ºC negativos. Milhares de trumpistas ficaram fora da festa da posse pela severidade climática que impediu cerimônias ao ar livre. Alardear o negacionismo científico e fazer discurso populista criticando que o Joe Biden não conseguiu pôr bombeiros e defesa civil para apagar o fogo apocalíptico que varreu uma região da Califórnia é lorota, pois se acelerar a indústria petrolífera nos Estados Unidos, o império será devastado com maior rapidez, pois a natureza virá rugindo como um leão na selva e devorará tudo o que encontrar pela frente.

Ou seja, negar a necessidade de frear o desenvolvimentismo econômico à custa de brutal devastação dos bens naturais – terra, águas, ar – será acelerar a marcha em um desfiladeiro para o precipício e a morte final de todos e todas. Será como a anedota contada por Franz Hinkelammert, para ilustrar a irracionalidade do racionalizado sistema capitalista: dois homens que competem – com muita eficiência, cada qual com um motosserra mais poderoso – para cortar o galho em que estão sentados à beira do precipício. Assim atua o Trump, toda extrema-direita pelo mundo afora, a turma do agronegócio, do hidronegócio, das mineradoras, todos os capitalistas, fascistas ou não, e seus adeptos que estão sacrificando o planeta Terra no altar do mercado idolatrado. 

Retirar os Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde e perdoar milhares de criminosos que invadiram o Capitólio tentando impedir que o Joe Biden, que havia sido eleito, tomasse posse é absurdo dos absurdos, é insistir em voltar à idade das trevas, é sepultar de vez a hipocrisia da democracia burguesa e declarar à luz do sol o imperialismo nu e cru. 

Ainda bem que a história demonstra também que não há varinha mágica que tenha o poder de transformar em políticas públicas idôneas discursos populistas que enganam os incautos. Em breve, quem elegeu Trump abrirá os olhos ao perceber que a vida real não se transformará na 8ª maravilha com “prosperidade e glória”, porque os grandes coronéis do mundo, magnatas como Elon Musk e Mark Zuckerberg sempre usaram o povo para se enriquecer e nunca serão idôneos para contribuir com políticas públicas que construam relações sociais de justiça, paz, respeito e amor. 

A história demonstra também que diante das opressões a resistência cresce. Não há império que dure para sempre, e a força dos povos, unidos em luta pelo bem comum, é o motor da verdadeira transformação. A América Afrolatíndia, berço de coragem e esperança, será a tumba do neofascismo/neonazismo global. Inspirados/as pela aurora austral (boreal), que são raios de luzes em noites escuras, ou descobrindo luzes no túnel e não apenas no final do túnel, construiremos a partir dos últimos um mundo com justiça, paz e amor, onde todas as fronteiras serão abertas e todos os muros derrubados. A Internacional da direita neofascista/neonazista não passará, é vencível, pois está recheada e podre de contradições! A força e a luz do justo, ético e da verdade, o que nos faz mais humanos, terão a última palavra. 

Por fim, a luta, a resistência e a história continuam e é animador ter a certeza de que a humanidade aspira um projeto social pautado por relações sociais de justiça, paz e amor, cuja colaboração entre os povos prevaleça sobre a barbárie prometida com a ascensão da extrema direita internacional, engendrada como ovos de serpente no útero do capitalismo que super-explora não só a dignidade humana, mas também todos os bens da natureza.

*Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG, mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Itália; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; assessor da CPT, CEBI, Movimentos Sociais e Ocupações.

Famílias do MLB ocupam Secretaria de Habitação do Rio para garantir construção de moradia popular

Manifestação reuniu mais de 200 pessoas e conseguiu compromisso da secretaria da apresentação de novos terrenos para moradia popular no centro do Rio.

Redação RJ


LUTA POPULAR – Famílias organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) ocuparam, na manhã desta terça (28), a sede da Secretaria Estadual de Habitação, em São Cristóvão. Depois de um ano após a realização do acordo, o governo do estado ainda se recusa a iniciar a construção das habitações, mesmo já tendo o recurso liberado pelo Governo Federal. 

Após cerca de 5 horas de ocupação, as 120 famílias conseguiram ser recebidas por representantes da secretaria. No encontro foi garantido que o governo estadual apresentará nesta quarta (29) uma nova proposta de terrenos para a construção de unidades habitacionais populares no Centro da capital fluminense.

Entenda a luta das famílias do MLB por moradia popular no Rio

Há três anos, mais de 100 famílias sem teto do MLB estão lutando por moradia digna no Rio de Janeiro. Essas famílias organizaram em 2021 e 2022 duas ocupações no centro da cidade do Rio de Janeiro, Ocupação João Cândido e Luiz Gama, dando função social a dois imóveis abandonados. 

Depois de serem despejadas das duas ocupações, essas famílias conquistaram o compromisso do Governo do Estado de construção de 110 unidades no centro da cidade. O movimento e o governo, através da Secretaria de Habitação de Interesse Social (SEHIS), vem se reunindo ao longo de mais de dois anos em mesas de negociação para garantir esse acordo. Importantes acordos foram firmados e em janeiro de 2024 o movimento conseguiu a aprovação de recursos para a construção das 110 unidades. 

Os recursos viriam do Governo Federal, através do Programa Minha Casa, Minha Vida e dois terrenos foram doados pelo governo estadual, utilizando parte do patrimônio estadual que estava desocupado. Um dos terrenos, que comportaria 60 unidades, estava provisoriamente ocupado por um depósito de sucata de escolas de samba, que segundo o governo estadual, se comprometeram a liberar o terreno após o carnaval de 2024.

Ao longo do ano de 2024, os trâmites se seguiram e foram feitas vistorias, licenciamento do terreno e foi feita a licitação de uma empresa para iniciar as obras. Contudo, em agosto de 2024, as famílias foram surpreendidas com uma declaração do governador de que esses mais de dois anos de negociação haviam sido “um engano” e que o terreno não seria destinado para moradia. 

Procurado pelo MLB, o governo do Rio diz que não tem mais como dar andamento à construção neste terreno, pois a empresa licitada desistiu da obra. Porém, como o chamamento já estava em processo, o governo agora corre risco de perder o acesso ao recurso de cerca de 10 milhões de reais caso a situação não seja resolvida até o final de janeiro. 

Elza Cavalcante, 68 anos, uma das coordenadoras do movimento resume a situação: “O governo sempre diz que não tem jeito e que não há o que fazer, mas sabemos que não é assim quando se trata do interesse dos ricos! Nesses casos, o governo corre para despejar quem precisar e mover montanhas para resolver tudo bem rapidinho!”

A reivindicação do movimento é que o governo estadual e federal se unam para resolver a situação do terreno em tempo hábil para os prazos do programa, seja através da licitação de uma nova empresa ou através da indicação de outro terreno na área central. “O que não pode acontecer é o governo estadual abrir mão de 10 milhões de reais que seriam destinados para resolver a moradia de famílias pobres! O Governo está com a faca e o queijo na mão e não pode abandonar as famílias depois de tanto tempo de luta!”

Rodoviários de João Pessoa deflagram greve por salários dignos

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Iniciada nesta segunda-feira (27/1), greve dos trabalhadores do transporte rodoviário em João Pessoa defende aumento nos salários. Mesmo cobrando da população a pesada tarifa de R$5,20, empresas do setor oferecem reajuste pífio e vale-alimentação baixíssimo à categoria

Redação PB


Nesta segunda-feira (27/1), motoristas do transporte coletivo da Grande João Pessoa iniciaram uma greve geral após a recusa de sua proposta de 15% de aumento salarial por parte dos empresários do setor. A contraproposta apresentada pelos empregadores foi de apenas 3%, considerada insuficiente pela categoria.

O movimento ocorre em um contexto de insatisfação crescente entre os trabalhadores, especialmente após o recente aumento de 6% no preço das passagens, que aumentou de R$4,90 para R$5,20 e tornou a tarifa de João Pessoa a segunda mais cara do Nordeste. Apesar do reajuste que impacta diretamente os passageiros, os motoristas denunciam que os empresários priorizam os lucros também em detrimento das condições de trabalho da categoria, oferecendo propostas que, segundo eles, são desrespeitosas e não atendem às necessidades básicas dos trabalhadores.

Além do reajuste salarial de 15%, os motoristas reivindicam a retomada do vale-alimentação de R$500, que foi suspenso desde 2019, e o fim das jornadas duplas de trabalho, consideradas exaustivas e desumanas.

De acordo com relatos de trabalhadores, até às 7h30 da manhã desta segunda-feira, nenhum ônibus estava circulando na Grande João Pessoa. A paralisação desafia uma decisão do Ministério do Trabalho que determinou a manutenção de, pelo menos, 60% da frota em operação, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. Mesmo diante dessa determinação, o sindicato dos motoristas manteve a decisão de suspender totalmente as atividades.

Embate na Justiça e nas ruas

Ainda pela manhã, centenas de trabalhadores seguiram para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-PB), após deliberarem pela proposta de 15% de reajuste salarial e o reajuste do vale-alimentação para 800 reais em assembléia no Sindicato dos Motoristas. Após uma mesa de negociação, da qual participaram o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa (Sintur-JP), o Sindicato dos Motoristas e representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), a categoria manteve a sua mobilização e paralisação das atividades após a apresentação de um reajuste de 5% apresentado pela classe patronal. Uma nova rodada de negociações acontece nesta quarta-feira (29), com proposta de 60% da frota em circulação a partir desta terça-feira (28).

A greve reflete não apenas a insatisfação da categoria, mas também a política da burguesia para quem trabalha em João Pessoa. O prefeito Cícero Lucena do Partido Progressista (PP) realiza políticas de mobilidade urbana em acordos que favorecem apenas os empresários do transporte coletivo, enquanto encarece e piora a vida dos moradores de João Pessoa e se nega a garantir direitos e salários de qualidade aos motoristas, tudo isso para aumentar a fortuna dos ricos.

A defesa da burguesia pela prefeitura de João Pessoa alcançou o nível de, durante um programa de rádio, Cícero Lucena pedir a prisão do presidente do sindicato dos motoristas, Ronne Nunes, com relação à deflagração da greve. A mobilização dos motoristas reforça a importância da luta sindical como ferramenta para garantir os direitos trabalhistas e buscar melhores condições de trabalho.

O exemplo da greve dos trabalhadores do transporte coletivo, junto de outros movimentos grevistas no Brasil, servem para mostrar a força que a luta dos trabalhadores unidos tem frente aos políticos e patrões, tanto para poder parar o lucro da burguesia e pressionar os políticos na exigência de melhorias na qualidade de vida e trabalho da população; quanto para tomar as rédeas da produção e da política do Brasil, para construir uma sociedade na qual a política e a economia sejam dirigidos pela classe trabalhadora em seu próprio interesse, uma sociedade socialista.

Primeiro encontro Trans da Unidade Popular (UP) acontece em Belém (PA)

Unidade Popular realiza seu primeiro Encontro Trans do Brasil em Belém, no estado do Pará

Nicole Bel | Belém (PA)


BRASIL — No fim de janeiro deste ano, militantes da Unidade Popular no Pará construíram a primeira experiência no Brasil de um encontro Trans no nosso partido. A construção desta atividade representa o início da pavimentação de uma linha coesa e decidida à cerca dos objetivos, necessidades, deveres e tarefas que o conjunto de nossa militância deve considerar para avançar no processo de organização das pessoas trans.

Com a presença de uma importante diversidade de militantes trans e cis, esclarecendo dúvidas sobre os papéis de gênero, as condições que marginalizam pessoas trans e discutindo sobre as raízes materiais da opressão que é imposta sobre essa população, um debate extremamente produtivo foi fomentado. Por meio da contribuição de cada militante, foi possível traçar um panorama acertado sobre a necessidade de organizar o conjunto da população trans que compõe a classe trabalhadora, e como as lutas e demandas específicas encontram-se em acordo com a necessidade de romper com o sistema capitalista, a fonte de toda a opressão de nossa classe, e o quão imperioso é a construção da sociedade socialista. 

A conjuntura que nos é apresentada hoje demonstra de forma muito clara: a maneira com que o fascismo se desenvolve tanto nacional quanto internacionalmente tem utilizado como uma de suas armas o espantalho das pessoas trans e o suposto risco da ideologia de gênero. Usam de nossos corpos como pressuposto para atacar mais e mais nossos direitos, permitindo sempre mais violência contra nós. E tudo isso é utilizado meramente como uma cortina de fumaça que permite cada vez mais ataques ao povo trabalhador, para que cada vez mais a grande burguesia perpetue seu poder e a exploração de nosso povo.

Organizar as pessoas trans e lutar por dignidade

Diante de tudo isso, diante da falta de perspectiva de vida que toda população trans enfrenta principalmente no Brasil, com as piores condições de acesso à educação, saúde e emprego, não nos cabe outra alternativa se não trilharmos pelo caminho revolucionário. Pois lutar pela nossa vida é lutar para romper com a miséria imposta ao nosso povo todos os dias. É reconhecer que não há forma possível de termos qualquer chance de uma vida digna sobre um sistema que busca constantemente nossa morte. Como coloca Victor Rivas de forma extremamente acertada: Lutar contra a transfobia é lutar contra o capitalismo.

É fundamental destacar a importância da contribuição teórica de cada militante e de cada leitor, que com determinado acúmulo foram capazes de redigir importantes matérias ao Jornal A Verdade que serviram de alicerce e apoio essencial no debate, por meio da leitura coletiva realizada no encontro. Cada militante trans que contribui ao redigir uma matéria, ajuda a construir e fundamentar mais ainda a linha de nosso partido nesse aspecto, e eis nosso objetivo: construir um partido que realmente represente nosso povo, que é constituído pelas pessoas trans, pelas mulheres, pelo povo negro, por toda classe trabalhadora e nosso interesse em comum – o fim da exploração e a miséria de todos pelo lucro de uma minoria privilegiada.

Com a existência de um primeiro encontro Trans, cabe ao nosso partido a construção de mais atividades como essas ao redor do Brasil. Para que nosso acúmulo se torne cada vez maior sobre a pauta Trans, para termos melhores condições de abordar sobre a questão dentro de todos os espaços, e tenhamos em nossas mãos a firmeza de ter a linha mais acertada que guie as pessoas trans e todo conjunto do nosso povo ao caminho revolucionário de libertação de nossa classe. A vitória é certa, e cabe ao nosso povo conquistá-la.

Aumento da passagem do transporte em Natal é mais uma tentativa de excluir a juventude da cidade

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Aumento da tarifa da passagem do transporte em Natal atinge a juventude potiguar: com um transporte cada vez mais precário, menos jovens conseguem acessar a cidade com qualidade 

João Romeu | Redação RN


JUVENTUDE — Durante seu último ano de gestão, o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, fez questão de aumentar as passagens do transporte público por três vezes. A juventude natalense não hesitou em tomar as ruas sempre que possível, enfrentando o aumento abusivo, especialmente o de fim de ano, que elevou a tarifa para R$ 4,90. Todas as manifestações contra esses aumentos durante sua gestão foram brutalmente reprimidas pela Guarda Municipal. O caso mais recente aconteceu no ato contra o último aumento na tarifa, no último dia 26 de dezembro. O “presente de natal” dos estudantes foi spray de pimenta, tasers, cassetetes e violência desenfreada, um grande exemplo do que tem sido a Guarda Municipal durante os 8 anos de gestão Álvaro Dias.

 

Ainda nessa mesma manifestação, mesmo com a reunião urgente marcada às pressas pós-natal pelos empresários para aprovar o aumento da passagem, o Movimento Correnteza, a União da Juventude Rebelião, a UESP e diversas entidades estudantis e movimentos sociais ocuparam a sede da STTU. A reinvidicação era justa: a organização do povo pobre, que busca ocupar os espaços de decisão.

 

Com promessas vazias de licitação e regularização, frotas reduzidas desde a pandemia, ônibus aos pedaços e uma acessibilidade de fachada, as ações da prefeitura e dos mafiosos do transporte de Natal têm um objetivo claro de excluir o povo trabalhador e a juventude da cidade que eles próprios constroem. A política da direita potiguar é evidente: a cidade é para quem pode pagar por ela. As ruas que os trabalhadores pavimentam e os espaços que lutamos para fortalecer são tomados pelos interesses do capital, que só beneficiam aqueles que nada produzem.

Jovens têm cada vez menos acesso à cidade

O plano é claro: através do sucateamento do transporte, dificultar o acesso dos estudantes às escolas e universidades, engordar as altas taxas de evasão do ensino público para fortalecer a privatização e precarizar a educação pública, uma estratégia que se espalha por todo o país. Sendo assim, reduzir a educação a um privilégio para poucos, enquanto tentam sufocar qualquer resistência que busque garantir um ensino de qualidade para todos.

 

Por isso, 2025 já se inicia como um ano de ainda mais lutas pela democratização da cidade. Não deixaremos que tirem da juventude a cidade que é nossa por direito. Enquanto a prefeitura investe em praias com engordas e elitizadas e enche a cidade de shows caríssimos, a juventude potiguar organiza sua revolta e está pronta para derrubar este e qualquer aumento que prejudique a vida do trabalhador e do estudante.

Governos aumentam tarifas do transporte para enriquecer os empresários do setor

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Governadores e prefeitos de diversas capitais brasileiras iniciaram 2025 com reajustes significativos nas tarifas de transporte coletivo, gerando protestos e indignação popular.

Julia Cacho | Diretora da FENET


JUVENTUDE – Numa tática já conhecida, vários governadores e prefeitos por todo o Brasil iniciaram o ano com aumentos abusivos nas tarifas do transporte coletivo. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), conhecido por seus projetos de privatização e precarização da vida do povo, após entregar várias linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô aos empresários, aumentou a passagem de R$ 5,00 para R$ 5,20. Seu aliado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB), ordenou o aumento da tarifa de ônibus de R$ 4,40 para R$ 5,00. O mesmo acontece em várias cidades da região metropolitana e do interior de São Paulo. Em Campinas, que já tinha uma das passagens mais caras do país, passou a custar R$ 6,20 para os trabalhadores que utilizam vale-transporte e R$ 5,70 para os que utilizam o bilhete único. 

Em Belo Horizonte (MG), a passagem passou de R$ 5,25 para R$ 5,75. A justificativa da Prefeitura foi que o aumento seria necessário para melhorar a qualidade do transporte. Já para circular entre BH e as cidades da região metropolitana, os R$ 7,70 não são mais suficientes; agora custa R$ 8,20.

Já no Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes, anunciou, no primeiro dia do ano, que a passagem aumentaria de R$ 4,30 para R$ 4,70. O Rio continua tendo uma das tarifas mais caras de metrô, custando R$ 7,50.

Das capitais que iniciaram o ano com aumento da tarifa, Florianópolis (SC) ocupa o primeiro lugar, passou de R$ 6,00 para incríveis R$ 6,90! No segundo semestre de 2024, o jornal A Verdade já havia denunciado a precarização do transporte na cidade e os efeitos na vida da classe mais pobre.

Em Recife (PE), passou de R$ 4,10 para R$ 4,30. Em João Pessoa (PB), de R$ 4,90 para R$ 5,20. Em Natal (RN), a tarifa passou de R$ 4,40 para R$ 4,90. O anunciou aconteceu próximo das festas de fim de ano, porém, isso não impediu que a população organizasse um ato no dia 26 de dezembro, dia em que ocorreu o conselho para deliberar sobre o aumento ou não da tarifa. O ato foi reprimido para impedir a mobilização dos trabalhadores e estudantes. E em Salvador (BA) aumentou de R$ 5,20 para R$ 5,60. Por isso, o ano na capital baiana começou com um ato organizado pelos movimentos sociais para denunciar o aumento criminoso da tarifa.

Revoltados pelo aumento da tarifa, várias organizações convocaram atos nas cidades para defender a redução do preço das passagens e transporte coletivo gratuito e de qualidade. Em São Paulo, um ato foi realizado e milhares de estudantes e trabalhadores foram às ruas. A PM de Tarcísio tentou prender um grupo de jovens e intimidar os que se manifestavam, mas nem isso foi capaz de parar a revolta. A militância da União da Juventude Rebelião (UJR) e da Unidade Popular (UP) fizeram uma agitação no metrô, Estação da Sé, denunciando o aumento. Em Florianópolis, o ato denunciou que o aumento da tarifa significa que o povo não vai acessar o Centro da cidade para lazer e cultura, expulsando cada vez mais os trabalhadores e jovens das periferias.

O aumento das tarifas não beneficia os que utilizam o transporte público todos os dias, mas sim, àqueles que lucram com a precarização do serviço, com seus contratos absurdos e subsídios gigantes que as prefeituras e governos dão para as empresas de transporte coletivo.

O acesso à cidade só será de forma pública, gratuita e de qualidade quando aqueles que constroem todas as riquezas do nosso país puderem acessar o transporte sem gastar 1/3 de seu salário todos os meses para chegar ao trabalho ou à escola. Quando o povo puder controlar, será possível tirar as garras dos capitalistas e privatistas sob as empresas de transporte, será possível a gratuidade das tarifas e a expansão e melhoria dos serviços. 

Angra III começa em Santa Quitéria

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A exploração de urânio e fosfato em Santa Quitéria, no Ceará, enfrenta resistência de comunidades locais e obstáculos ambientais. O projeto, que visa abastecer usinas nucleares como Angra III e fornecer insumos ao agronegócio, prevê o uso de recursos hídricos escassos e deixaria toneladas de rejeitos radioativos.

Raquel Rigotto | Médica e professora da UFC


BRASIL – Alimentar as usinas nucleares, inclusive Angra III, está entre as principais justificativas do projeto de mineração de urânio e fosfato em Santa Quitéria, no sertão do Ceará.

Por detrás das narrativas de atendimento às demandas energéticas com a produção de uma energia supostamente limpa, para atender ao imperativo de resposta ao aquecimento global, estão invisibilizados os graves e duradouros riscos e impactos, locais e remotos, deste projeto.

“Deixe o dragão dormir” é a sábia resposta dos povos indígenas, quilombolas e comunidades de terreiro, de camponeses e de pescadores que habitam tradicionalmente a região ameaçada pela exploração da jazida de Itataia, onde há muito desenvolvem ricos e diversificados modos de vida, em convivência com o semiárido.

O complexo minero-industrial projetado pelas Indústrias Nucleares do Brasil e pela Galvani S.A. propõe a lavra de 118 milhões de toneladas de colofanito (urânio + fosfato), por 20 anos, para a produção de urânio – alimentando a cadeia nuclear, e de compostos fosfatados para ração animal e fertilizantes químicos – fortalecendo o agronegócio produtor de commodities. Para isso, demandam 855,2 metros cúbicos de água por hora, o equivalente a 54 caminhões-pipa, enquanto algumas comunidades da região, que há anos reivindicam uma adutora, recebem em torno de 26 a 36 caminhões-pipa por mês.

Para além da gritante injustiça hídrica, esse volume de água não está disponível no semiárido, e essa inviabilidade tem sido a principal justificativa do Ibama para negar a licença prévia a este projeto, em tentativas sucessivas do consórcio empreendedor nos últimos 20 anos, e que segue insistindo*.

Duas pilhas com 83 milhões de toneladas de rejeito radioativo seriam a herança maldita para a região, contaminando o ar, as águas, o solo, a fauna, a flora, trabalhadores e moradores inclusive de regiões remotas, dadas as dinâmicas hidrológicas e de ventos.

Do ponto de vista da saúde humana, são fartas e robustas as evidências científicas nacionais e internacionais, tanto sobre os danos do urânio, enquanto metal pesado, quanto de sua cadeia de decaimento sobre a saúde das pessoas: doenças geniturinárias, respiratórias, abortos e más formações congênitas, e o indiscutível câncer pulmonar, relacionado principalmente ao gás radônio. A isso se soma o comprometimento da soberania e da segurança alimentar e hídrica das populações, seja pela restrição do acesso à água para os sistemas produtivos locais, seja pela contaminação radioativa de cereais, carnes, leite, ovos e da própria água.

O histórico ambiental da INB em Caldas (MG) e Caetité (BA) não afiança sua responsabilidade com a natureza humana e não-humana. Como acreditar que os mais de 30 programas de mitigação de riscos constantes no Estudo de Impacto Ambiental serão efetivamente implementados?

A sábia resistência dos povos ameaçados pelo projeto, movimentos sociais e pesquisadoras/es organizados na Articulação Antinuclear do Ceará não tem sido suficiente para barrar a violência do Estado, que tem dado repetidos sinais de que apoia politicamente o projeto de mineração, através de memorandos de entendimento com os empreendedores, como os assinados pelos dois governos do Ceará; da desconsideração das irregularidades e insuficiências do projeto e, muito especialmente, da desconsideração da obrigação de realizar a consulta prévia, livre e informada aos povos e comunidades tradicionais afetados, como prevê a legislação vigente, derivada da adesão do Brasil à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

Com todo este lastro de violência, contaminação, adoecimento e destruição, é possível dizer que a energia produzida em Angra III seria limpa?


*No dia 24 de maio de 2024, a Comissão Nacional de Energia Nuclear deu aval à instalação da maior usina de urânio do Brasil, em Santa Quitéria, município cearense distante pouco mais de 200 quilômetros de Fortaleza.

Baixada Fluminense sofre com falta de saneamento básico

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As cidades de Belford Roxo, Duque de Caxias e São João de Meriti, na Baixada Fluminense, estão há uma década entre as 20 piores no ranking de saneamento básico do Instituto Trata Brasil, que avalia as 100 maiores cidades do país.

Hellen Caetano | Rio de Janeiro (RJ)


BRASIL – O ranking divulgado pelo Instituto Trata Brasil, que faz um levantamento anual das 100 cidades mais populosas do país, revela que, há uma década, as cidades de Belford Roxo, Duque de Caxias e São João de Meriti, todas da Baixada Fluminense, estão entre os 20 piores índices de saneamento básico do país. Juntas, essas cidades têm cerca de 1,6 milhão de habitantes.

Saneamento básico é o direito constitucional (Lei Federal nº 11.445/2007) que todo brasileiro tem a serviços de abastecimento de água; coleta e tratamento de esgotos; limpeza urbana, coleta e destinação do lixo; e drenagem e manejo da água das chuvas. Mas, na região da Baixada Fluminense, esse direito é negado à sua população.

Belford Roxo, por exemplo, foi eleita a quinta pior cidade no ranking. São inúmeros bairros na cidade que sofrem cotidianamente com a falta d’água, esgotos a céu aberto, o que é um facilitador para contaminação de doenças como cólera, febre tifoide e hepatite A. Na cidade, cerca de 25% da população não tem acesso à rede de água e apenas 5% tem acesso à rede de esgoto.

Em Nova Campinas, bairro de Duque de Caxias, a falta de abastecimento de água potável é uma realidade diária, o que piorou com a privatização da Companhia de Água e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae), como denuncia Ana Carolina, professora e moradora do bairro. “Meus pais se tornaram moradores de Nova Campinas em 1984 e, só nos primeiros dois anos, o acesso a água era constante. Após isso, parou de funcionar e, até hoje, nós ficamos dias sem água. Quando a empresa responsável pela água passou a ser a Águas do Rio, nós pensamos que a situação iria melhorar, mas a verdade é que nada mudou”, afirma.

Nova Campinas, assim como bairros próximos, também sofre com inundações, já que os esgotos quase não são tratados, assim como falta manutenção no sistema de drenagem. Não à toa, no início de 2024, bairros como Pilar e Saracuruna sofreram com inundações severas e milhares de trabalhadores e trabalhadoras perderam tudo que conquistaram com muito suor. Em Caxias, segundo o Instituto Trata Brasil, apenas 66% da população é atendida pela rede de água e cerca de 9% tem acesso à rede de esgoto.

Reforma urbana já!

É também por isso que o lema do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) é “Morar dignamente é um direito humano”. Não basta ter uma casa, é necessário um acesso qualitativo à cidade para que a frase faça sentido. Por este motivo, o MLB defende uma Reforma Urbana, cuja principal proposta é “garantir condições dignas de vida para toda a população trabalhadora: direito à moradia, emprego, alimentação, saúde, saneamento, educação, transporte, cultura e lazer” (pág. 11, Cadernos de Formação Política – As propostas do MLB para a Reforma Urbana).

O Movimento convoca todos os moradores da Baixada Fluminense que concordam com esse lema e que se indignam com essas denúncias para se somarem à luta. Só o povo organizado e em luta pode mudar essa situação!

Vilma Espín Guillois: o fogo da liberdade

O triunfo da Revolução Cubana, em 1° de janeiro de 1959, simbolizou esperança para trabalhadores da América Latina e do mundo. Vilma Espín Guillois foi protagonista da revolução em Cuba, dedicando sua vida à construção do socialismo e à emancipação feminina.

Luiza Wolff | Florianópolis (SC)


HERÓINAS DO POVO – Em 1° de Janeiro de 1959, o triunfo da Revolução Cubana foi esperança para os trabalhadores de toda a América Latina e do mundo. A revolução que triunfou após anos de guerrilha foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras de Cuba, dentre elas Vilma Espín, mulher que dedicou toda sua vida para a construção do socialismo e da luta das mulheres.

Durante a revolução em Cuba, Vilma participou da ação e da direção do Movimento 26 de Julho, atuando na província de Oriente. A sua principal tarefa durante a guerrilha foi a de entregar mensagens e fazer a comunicação entre a Sierra Maestra e Havana. Ali conheceu seu futuro companheiro de vida, Raúl Castro, que mais tarde foi presidente de Cuba. 

A Federação das Mulheres Cubanas

A vida de Vilma se mistura com a história da Federação das Mulheres Cubanas (FMC), organização que presidiu e da qual fez parte durante toda sua vida militante, aprendendo e ensinando, junto com mulheres operárias e camponesas.  

Fundada em 1960, logo após o triunfo da revolução, a FMC teve como tarefa principal a formação de mais quadros mulheres. Foi nesse sentido que, ainda nos seus primeiros anos, tendo Vilma a frente, mulheres de todo o país participaram da campanha de alfabetização que erradicou o analfabetismo. 

A FMC também foi responsável pelo desenvolvimento de outras campanhas, como um curso de corte e costura e outro de primeiros socorros, em Havana, que ajudou na formação política das mulheres camponesas e operárias. Segundo Vilma: “Foi uma forma não só de dar respostas ao que os nossas camaradas nos pediam sobre primeiros socorros, mas também de encontrar uma forma de agrupá-las para poder conversar e explicar o que queriam que lhes fosse explicado sobre a revolução.”

Já em 1974, ano da realização do segundo congresso da FMC, a Federação já reunia quase 2 milhões de mulheres cubanas e tomava um papel político fundamental na defesa do país contra o imperialismo estadunidense e na construção do socialismo. 

Hoje, após 65 anos de sua fundação, a FMC reúne 90% das mulheres de mais de 14 anos do país, fazendo a luta contra a violência às mulheres e contra o criminoso bloqueio realizado pelos Estados Unidos à Cuba. 

Educação das mulheres

Vilma se dedicou ao estudo do marxismo-leninismo, mais especificamente sobre a questão da mulher, aprendendo também com a experiência das revolucionárias que construíram a revolução na União Soviética e outros países. Em uma entrevista de 1989, ela explica que, para ela, os problemas das mulheres não podem ser analisados fora do contexto econômico e social e que tampouco esses problemas podem ser solucionados sozinhos, descontextualizados. 

No entanto, Vilma não deixou que seu conhecimento não fosse compartilhado com todas e cada mulher de Cuba. Em um discurso sobre a educação das mulheres campesinas ela escreveu: “Porque antes, para ela, seu mundo nada mais era do que uma cabana no topo de uma colina e arredores. Agora é imenso, esse mundo estreito se expandiu até o que a espera no futuro, porque ela tem certeza do futuro que seus filhos terão […]”. 

Ela incentivou até a última mulher do país a estudar, se formar e construir a revolução e a melhora da vida das mulheres em Cuba. Teve um papel essencial em desenvolver uma nova percepção sobre o papel das mulheres na revolução e da necessidade dos movimentos de massas para a participação das mulheres na construção de um país. Por isso, sua vida é exemplo e devemos aprender com cada passo seu na história da classe trabalhadora mundial.


“A vida que a sociedade socialista nos abre exige de todos uma melhoria constante. Esta melhoria, que se tornou um dever patriótico para todo bom revolucionário. É para nós um objetivo permanente, pelo qual devemos lutar com maior fervor todos os dias” – Vilma Espín Guillois

Quem são as 90 prisioneiras palestinas libertadas das prisões sionistas

Na última segunda-feira (20/1), 90 prisioneiras palestinas foram libertadas como parte do acordo de cessar-fogo. Na lista, há figuras como Khalida Jarrar, dirigente da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), mas também jornalistas e estudantes. Conheça seus nomes e sua história

Samidoun – Rede de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos


Nas primeiras horas da manhã de segunda-feira (20/1), 90 prisioneiros palestinos foram libertados das prisões do regime de ocupação sionista no primeiro dia da troca de prisioneiros da Tempestade dos Livres (Toufan al-Ahrar, em árabe), realizada pela Resistência Palestina como parte da primeira etapa do acordo de cessar-fogo imposto ao ocupante.

Apesar das horas e horas de atrasos criados pela ocupação, das repetidas invasões das casas das famílias dos prisioneiros palestinos de Jerusalém na tentativa de impedi-los de comemorar e dos disparos de gás lacrimogêneo e balas de metal revestidas de borracha contra as multidões que aguardavam a libertação dos prisioneiros em Beitunia, o povo palestino comemorou e recebeu seus amados prisioneiros libertados e a resistência e os sacrifícios do povo de Gaza que obteve sua liberdade.

A seguir, confira a lista dos prisioneiros – 70 mulheres e 20 jovens do sexo masculino – libertados no primeiro dia da troca, com seu nome, sua idade e sua cidade de origem:

  1. Nawal Fatiha, 23, Jerusalem
  2. Aseel Osama Shehada, 18, Qalandiya, Jerusalem
  3. Tamara Abu Laban, 24, Jerusalem
  4. Jenin Mohammed Amr, 22, al-Khalil
  5. Nafisa Rashid Farid Zourba, 37, Jericho
  6. Khalida Kanaan Jarrar, 61, Ramallah/al-Bireh
  7. Yasmine Abdel-Rahman Abu Srour, 26, Bethlehem Aida Camp
  8. Fatima Nimr al-Rimawi, 52, Jericho
  9. Dalal Mohammed Suleiman Khasib (al-Arouri), 53, Ramallah
  10. Fatima Mohammed Suleiman Saqr (al-Arouri), 48, Aroura
  11.  Rana Jamal Mohammed Darbas, 35, al-Bireh
  12. Zahra Wahib Abdel-Fattah Khadraj, 52, Qalqilya
  13. Balqis Issa Ali Zawahra, 33, Bethlehem
  14. Duha Azzam Ahmad al-Wahsh, 29, al-Taamra, Bethlehem
  15. Halima Fayeq Suleiman Abu Amara, 22, Nablus
  16. Mona Ahmed Qasim Abu Hussein, 46, Abboud
  17. Bushra Jamal Mohammed al-Tawil, 31, al-Bireh
  18. Raeda Ghanem Mohammed Abdel-Majeed Barghouti, 46, Abboud
  19. Murjana Mohammed Mustafa Hreish, 32, Beitunia
  20. Walaa Khaled Tanji, 28, Tulkarem camp
  21. Rawda Musa al-Akhras (Abu Ajamiyeh), 47, Dheisheh Camp
  22. Rula Ibrahim Abdel-Rahim Hassanein, 30, Bethlehem
  23. Ahmed Bashar Jumaa Abu Aliya, 18, Ramallah
  24. Saja Zuhair al-Muaddi, 27, Kufr Malek
  25. Shaimaa Mohammed Abdel-Jalil Rawajbeh, 25, Nablus
  26. Salwa Attiya Mahmoud Hamdan, 45, Dheisheh Camp
  27. Rose Yousef Mohammed Khweis, 17, Jerusalem
  28. Fatima Youssef Mustafa Salha, 36, Deir Jarir
  29. Haneen Akram al-Masaed, 30, Aida camp, Bethlehem
  30. Jihad Ghazi Ahmed Joudeh, 36, Jericho
  31. Nidaa Ali Ahmad Salah (al-Zughaibi), 37, Kufr Dan, Jenin
  32. Amal Ziyad Omar Shujaia, 21, Deir Jarir
  33. Lubna Mazen Salim Talalweh, 46, Arraba, Jenin
  34. Ola Mahmoud Qasim Azher (Jouda), 22, Kabalan, Nablus
  35. Ayat Yousef Saleh Mahfouz, 33, al-Khalil
  36. Hadeel Mohammed Hussein Hijaz (Shatara), 32, Mazraa al-Sharqiya
  37. Wafa Ahmed Abdullah Nimr, 21, Kharbatha Bani Harith
  38. Rasha Ghassan Mohammed Hijjawi, 40, Tulkarem
  39. Zeina Majd Mohammed Barbar, Silwan, Jerusalem
  40. Israa Khader Ahmed Ghneimat (Lafi), 40, Surif, al-Khalil
  41. Tahani Jamal Abed Ashour, 49, al-Khalil
  42. Aya Omar Youssef Ramadan, 23, Tal, Nablus
  43. Shaimaa Omar Youssef Ramadan, 19, Tal, Nablus
  44. Dunia Shtayyeh Marouf Shtayyeh, 20, Salem, Nablus
  45. Alaa Jad Nabhan Shaheen, 37, Beitunia
  46. Nahil Kamal Mustafa Masalmeh, 37, Dura, al-Khalil
  47. Khitam Arif Hassan Habaybeh, 50, Jenin
  48. Aseel Mohammed Adnan Eid al-Yassini, 20, Jerusalem
  49. Alaa Samir Harb Abu Rahima, 27, Beit Rima
  50. Baraa Hatem Hafez Fuqaha, 25, Tulkarem
  51. Shatha Nawaf Jarabaa, 23, Bittin
  52. Dania Saqr Mohammed Hanatsheh, 22, Ramallah
  53. Saja Imad Saad Daraghmeh, 19, Tubas
  54. Al-Yamama Ibrahim Hassan Hreinat, 21, Yatta, al-Khalil
  55. Raghad Walid Mahmoud Amr, 24, Dura, al-Khalil
  56. Hanan Ammar Bilal Ma’alawani, 23, Nablus
  57. Raghad Khader Deeb Mubarak, 23, al-Khalil
  58. Ashwaq Mohammed Ayyad Awad, 23, Beit Amr, al-Khalil
  59. Iman Ibrahim Ahmed Zaid, 40, Beitunia
  60. Tahrir Badran Badr Jaber, 44, Beitunia
  61. Abla Mohammed Othman Abdel-Rasoul (Sa’adat), 68, Ramallah
  62. Israr Abdel-Fattah Mohammed al-Lahham, 42, Bethlehem
  63. Myassar Mohammed Saeed al-Faqih, 60, Nablus
  64. Abeer Mohammed Hamdan Ba’ara, 33, Nablus
  65. Samah Bilal Abdel-Rahman Souf (Hijjawi), 25, Qalqilya
  66. Margaret Mohammed Mahmoud al-Ra’i, 53, Qalqilya
  67. Latifa Khaled Ramadan Mashasha, 34, Jerusalem
  68. Israa Mustafa Mohammed Berri, 54, Jenin
  69. Alaa Khaled Mohammed Saqr al-Arouri, 21, Ramallah
  70. Lana Farouk Naeem Fawalha, 25, Sinjil, Ramallah
  71. Jamal Kaabneh, 18, al-Khalil
  72. Adam Hadara, 18, Jerusalem
  73. Mouadh Omar Abdullah al-Haj, 17, Ain Sultan Camp
  74. Ibrahim Sultan Ibrahim Zumour, 17, Askar camp
  75. Abdel-Rahman Jamil Khudeir, 18, Beita
  76. Saeed Mizyed Saeed Salim, 18, Azzoun
  77. Mohammed Aman Fawzi Bishkar, 18, Askar camp
  78. Issam Mamoun Abu Diab, 18, Jerusalem
  79. Thaer Ayoub Rashid Abu Sarah, 17, Jerusalem
  80. Fahmi Mohammed Fahmi Faroukh, 17 Silwan, Jerusalem
  81. Qasim Iyad Mohammed Jaafreh, 17, Jabel al Mukaber, Jerusalem
  82. Youssef Jamal Ayyad al-Hreimi, Bethlehem
  83. Firas Jihad Ahmed al-Maqdisi, 18, Silwan, Jerusalem
  84. Abdel-Aziz Mohammed Atawneh, 19, al-Jiftik, Jericho
  85. Fadi Bassam Mohammed Hindi, 17, Jenin
  86. Osama Nasser Jibran Abed Ataya, 18, Kifr Nimah
  87. Ayham Ali Issa Jaradat, Sair, al-Khalil, 18
  88. Mahmoud Mohammed Daoud Aleiwat, 15, Silwad, Jerusalem
  89. Laith Mohammed Naji Kamil, 17, Qabatiya, Jenin
  90. Ahmed Walid Mohammed Khashan, 18, Arraba, Jenin

A lista inclui vários prisioneiros libertados que haviam sido libertados anteriormente pela resistência na primeira troca de prisioneiros do Dilúvio de Al-Aqsa, em novembro de 2023, apenas para serem alvos de um novo sequestro pela ocupação, incluindo Wala’a Tanja, Ahmed al-Khashan, Haneen al-Masaed, Rawda Abu Ajamiyeh e Samah Hijjawi.

Também foram libertos vários prisioneiros conhecidos e importantes, como Khalida Jarrar, a proeminente feminista, esquerdista e acadêmica palestina; Abla Sa’adat, esposa de Ahmad Sa’adat, o secretário-geral preso da Frente Popular para a Libertação da Palestina, e a escritora Zahra Khadraj, de Qalqilya; jornalistas como Israa Lafi, Bushra al-Tawil e Rula Hassanein; estudantes como Jenin Amr, Raghad Amr, Shaima Rawajbeh, Tamara Abu Laban, Duha al-Wahsh, Amal Shujaia, Ola Jouda, Dunia Shtayyeh, Aseel Eid al-Yassini, Baraa Fuqaha, Shatha Jarabaa, Dania Hanatsheh, Raghad Mubarak, as irmãs Shaima e Alaa Ramadan e Al-Yamama Hreinat; educadores como Hadeel Shatara e Fatima al-Rimawi; e três membros da família Al-Arouri, alvos e presos por causa de sua relação com o líder assassinado do Hamas, Salah al-Arouri: Dalal al-Arouri, Fatima al-Arouri e a filha de Fatima, Alaa Saqr.

Retaliações contra familiares

Tanto Duha al-Wahsh quanto Wala’a Tanja ficaram sabendo que seus irmãos haviam sido martirizados durante a prisão, uma realidade que não havia sido revelada a ambas devido ao bloqueio de notícias e informações imposto aos prisioneiros. Duha, uma estudante de medicina, soube que seu irmão Ahmad, um médico, havia sido martirizado após sua prisão, somente no momento de sua libertação; o mesmo aconteceu com Wala’a Tanja, cuja alegria pela libertação foi recebida com a notícia de que seu amado irmão Ayman havia sido martirizado durante sua prisão.

Ahmad al-Khashan, de Bir al-Basha, ao sul de Jenin, foi sequestrado pela ocupação em 25 de janeiro de 2024, no mesmo dia em que seu irmão, Wissam, também um prisioneiro libertado, foi martirizado pelas balas da ocupação, e seu irmão Mohammed foi ferido na perna. Ele havia sido libertado anteriormente na troca de novembro de 2023.

Israel torturou prisioneiras e prisioneiros

Ao ser libertada, Khalida Jarrar denunciou as torturas e maus-tratos que sofreu.
Ao ser libertada, Khalida Jarrar denunciou as torturas e maus-tratos que sofreu.

Várias das prisioneiras precisavam de cuidados médicos imediatos, e os sinais claros de negligência e abuso médico contrastavam fortemente com a saúde das três prisioneiras sionistas que haviam sido libertadas pela Resistência no início do dia, apesar de suas circunstâncias sob um bombardeio e cerco genocida em Gaza. Khalida Jarrar saiu da prisão com os sinais de maus-tratos – incluindo cinco meses e uma semana em confinamento solitário com apenas uma pequena fenda para respirar o ar – evidentes em seu rosto e corpo, enquanto Margaret al-Rai saiu do ônibus com uma mão quebrada, ferida pela agressão dos guardas da prisão da ocupação. Muitos dos prisioneiros haviam perdido dezenas de quilos durante a prisão devido à política de fome da ocupação dirigida contra os prisioneiros.

Dunia Shtayyeh, a estudante de 20 anos da Faculdade de Sharia da Universidade de An-Najah, era aguardada por sua avó, a famosa Hajja Mahfouz Shtayyeh, que se tornou um símbolo icônico da conexão palestina com a terra ao abraçar suas oliveiras enquanto elas eram cortadas e queimadas pelos colonos.

De fato, as prisioneiras foram submetidas a abusos no dia de sua libertação, conforme relatado pela prisioneira libertada de Jerusalém Latifa Mashasha em entrevistas; depois de serem transferidas da prisão de Damon para Ofer, as mulheres foram arrastadas pelos cabelos, jogadas no chão enquanto cães latiam para elas. Várias mulheres foram espancadas, pouco antes de serem finalmente entregues ao CICV para a troca.

Ex-prisioneiros e famílias se solidarizam com Gaza

Enquanto isso, as forças de ocupação estavam impondo terror nas casas dos prisioneiros de Jerusalém, invadindo repetidamente as casas de suas famílias, convocando seus familiares para o notório centro de interrogatório de Moskobiyeh e alertando sobre qualquer tipo de comemoração da libertação de seus amados prisioneiros.

Já em Beitunia, as forças de ocupação tentaram dispersar as crescentes multidões que aguardavam os prisioneiros libertados, ferindo seis pessoas ao atirar contra elas e forçando as famílias dos prisioneiros a esperar até altas horas da madrugada. No entanto, nenhum desses esforços impediu a comemoração do povo palestino, que recebeu com alegria os prisioneiros libertados, agitando as bandeiras da resistência e as bandeiras palestinas e cantando pela resistência vitoriosa em Gaza, pelas Brigadas al-Qassam, por Saraya al-Quds e pela libertação dos prisioneiros.

De forma unânime, os prisioneiros expressaram seu amor e solidariedade ao povo de Gaza. “Nossos sentimentos vão para o nosso povo em Gaza. Nossa preocupação na prisão, apesar das torturas e abusos, é que a guerra em Gaza pare. Nossa mensagem e agradecimento a eles… Nunca esqueceremos o que eles fizeram por nós até o Dia do Juízo Final”, disse o estudante de medicina libertado Bara’a Fuqaha.

Texto originalmente publicado no site da rede Samidoun. No link, podem ser conferidas mais imagens da libertação das prisioneiras e dos prisioneiros e do reencontro com suas famílias.

Rubens Paiva e a resistência ao golpe de 1964

“Somente em 1996 o Estado brasileiro reconheceu o assassinato de Rubens Paiva, sem até agora ter entregue seu corpo aos familiares e sem ter punido nenhum de seus algozes. Da vida de Rubens Paiva, lembremos do exemplo da luta por um país realmente soberano, em que o povo trabalhador pudesse ter uma vida digna.”

Felipe Annunziata | Redação


“Desejo conclamar todos os trabalhadores de São Paulo, todos os trabalhadores portuários e metalúrgicos da Baixada Santista, da capital e das cidades industriais de São Paulo, em especial, a todos os universitários, que se unam em torno dos seus órgãos representativos, obedecendo a palavra de ordem do Comando Geral dos Trabalhadores, do Fórum Sindical de Debates, dos sindicatos, da União Nacional dos Estudantes, das uniões estaduais e das greves estudantis, para que todos, em greve geral, deem a sua solidariedade integral à legalidade que ora representa o presidente João Goulart.”

Enquanto os tanques do general golpista Olímpio Mourão Filho desciam em direção ao Rio de Janeiro, foi com esse chamado que Rubens Paiva, deputado trabalhista por São Paulo, convocou o povo às ruas para defender o governo de João Goulart e resistir ao Golpe Militar Fascista em discurso realizado na madrugada de 1º de abril de 1964, na Rádio Nacional.

Rubens Paiva foi uma importante figura histórica na luta contra o golpe e a Ditadura Militar que assolou nosso país por 21 anos. E agora, com o sucesso do filme “Ainda Estou Aqui”, estrelado pela atriz Fernanda Torres, cada vez mais pessoas passam a conhecer a sua história e a de sua família na luta contra a Ditadura.

De liderança estudantil a deputado

Nascido em 1929, na cidade de Santos, Rubens Paiva ingressou na militância política durante a graduação em engenharia na Universidade Mackenzie, na capital paulista. Paiva era de uma rica família de fazendeiros no Vale do Ribeira, mas segundo seu filho, o escritor Marcelo Rubens Paiva, ele era brigado com seu pai pelo apoio que dava às organizações políticas de direita e extrema-direita do Brasil na época.

Durante a universidade, no início da década de 1950, Rubens Paiva foi vice-presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, onde foi uma importante liderança na campanha “O Petróleo é Nosso!”, que culminou com a nacionalização da exploração e produção de petróleo e a criação da Petrobras. Naquela época, o movimento estudantil vivia um período de ascensão e, junto com o movimento operário, estava conquistando uma série de direitos no país, como o aumento do salário mínimo, a ampliação das leis de proteção dos trabalhadores, entre outras.

A militância política de Paiva o levou a ingressar no antigo Partido Trabalhista Brasileiro, criado pelos setores progressistas ligados ao presidente Getúlio Vargas. No PTB, ele conseguiu sua primeira e única eleição em 1962 como deputado federal por São Paulo. Naquela época, o PTB estava no governo com o presidente João Goulart, que defendia reformas para acabar com o analfabetismo, taxar as remessas de lucros ao estrangeiro, fazer a reforma agrária e a reforma urbana no Brasil.

Durante os cerca de um ano e meio em que esteve como deputado, Rubens Paiva foi vice-líder do PTB e defendeu a luta pelas Reformas de Base e o enfrentamento às organizações de extrema-direita financiadas pelos EUA.

Em 1963, o deputado trabalhista foi vice-presidente da CPI que investigou as organizações fascistas “Instituto de Pesquisas de Estudos Sociais (Ipes)” e “Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad)”. Estes institutos foram financiados pelos Estados Unidos, por meio do embaixador golpista Lincoln Gordon, para apoiar os candidatos a deputados de oposição a João Goulart, a maioria dos quais estariam na linha de frente do apoio civil ao golpe militar.

O Ibad, junto com o Ipes, organizou uma campanha de desestabilização do governo e buscou unir a burguesia brasileira em torno do projeto golpista. Na CPI ficou evidente as ligações dos deputados de direita do Brasil com o governo dos EUA e os militares golpistas.

Durante todo ano de 1963 até o golpe de 1º de abril de 1964, João Goulart tentou implementar um programa de esquerda de reformas para mudar a estrutura do capitalismo brasileiro. Além do programa de erradicação do analfabetismo, idealizado por Paulo Freire, Goulart também defendia a restrição das remessas de lucros das empresas multinacionais para o exterior, a ampliação dos direitos dos trabalhadores e a distribuição de terras improdutivas do Estado aos camponeses.

Rubens Paiva avaliou assim as Reformas de Base no seu histórico discurso na Rádio Nacional: “O nosso presidente, ao tomar as medidas tão reclamadas por todo o nosso povo, medidas que nos conduzirão indiscutivelmente à nossa emancipação política e econômica definitiva, realmente prejudicou os interesses de uma pequena minoria de nossa terra. Pequena minoria, entretanto, que detém um grande poder, todo o poder econômico deste país, todos os órgãos de divulgação, os grandes jornais e as estações de televisão.”

Exílio, prisão e assassinato

Toda essa atuação parlamentar não passou despercebida pela cúpula fascista das Forças Armadas. Dias depois de chamar o povo a lutar contra o golpe no rádio, Rubens Paiva foi cassado pela Ditadura, em 9 de abril de 1964, pelo Ato Institucional nº 2.

Depois da cassação, Paiva se exilou na Embaixada da Iugoslávia, de onde conseguiu sair em junho de 1964 para a França e depois para a Inglaterra. No início de 1965, decidiu voltar do exílio, sendo vigiado de perto pela Ditadura.

Já no Rio de Janeiro, Paiva tenta reconstruir a vida como engenheiro, mas sempre mantendo o apoio político a militantes exilados, com quem trocava correspondências.

Foi por essa atuação que, em 20 de janeiro de 1971, militares da Aeronáutica sequestram, torturam e assassinam Rubens Paiva nas dependências do DOI-Codi do I Exército, no Rio de Janeiro.

Além de Rubens, sua esposa Eunice e a filha Eliane, de apenas 15 anos, foram presas e mantidas sem nenhuma comunicação com familiares. Eliane e Eunice foram vítimas de todo tipo de violência psicológica e liberadas alguns dias depois. Rubens, no entanto, nunca mais foi visto por seus familiares.

É esta história que é retratada pelo filme premiado “Ainda Estou Aqui”.

Após o assassinato, o corpo de Paiva foi escondido e até hoje seus familiares lutam para recuperá-lo e poder finalmente velá-lo. Eunice Paiva lutou por toda sua vida por este direito. Após o assassinato do marido, estudou Direito e se tornou uma defensora dos direitos humanos, atuando nas lutas dos povos indígenas contra grileiros na Amazônia.

Somente em 1996 o Estado brasileiro reconheceu o assassinato de Rubens Paiva, sem até agora ter entregue seu corpo aos familiares para um enterro digno e sem ter punido nenhum de seus algozes.

Da vida de Rubens Paiva lembremos do exemplo da luta por um país realmente soberano em que o povo trabalhador pudesse ter uma vida digna.

Lembremos de suas palavras em 1º de abril de 1964, que ainda são atuais:

“É indispensável que se processe de uma vez por todas a divisão da riqueza brasileira entre todos os seus habitantes. Não é possível que nós tenhamos marginalizados mais da metade dos habitantes deste país, mais da metade dos habitantes do Brasil sem condições de trabalho, sem saber de manhã para que local se dirigirem para ganhar o seu pão e alimentar a sua família”.

Matéria publicada na edição impressa nº 305 do jornal A Verdade