UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 11 de abril de 2026
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Estudantes debatem recursos energéticos na Fumec

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Um debate sobre o tema dos recursos energéticos ocorreu na Faculdade de Engenharia da Fumec, em Minas Gerais, como parte da programação de calourada dos estudantes da universidade. O auditório lotado e a grande participação estudantil mostrou o quanto é importante debater temas como esse na universidade.

Cerca de 300 estudantes participaram do debate “Os Recursos Energéticos no Brasil”, realizado pelo Diretório Acadêmico de Engenharia da Fumec em conjunto com o Diretório Central dos Estudantes e a Converge-Jr., no dia 22 de agosto. Como palestrantes participaram o professor Wladmir Coelho, responsável pela coluna Petróleo e Política no portal Diário Liberdade e mestre em direito; o engenheiro Cláudio Homero, doutor em Engenharia Química pela Universidade Federal de Uberlândia; o professor Nilo Sérgio, ex-presidente do Sindicato dos Engenheiros (MG); e o professor Gustavo Isaia, coordenador do curso de Engenharia Bioenergética da Fumec, além de representantes do Crea-RJ.

A discussão sobre os recursos energéticos está cada vez mais presente na sociedade porque a disputa pelo petróleo tem causado guerras e conflitos em várias regiões do mundo, onde a soberania nacional e interesses econômicos têm se colocado em campos opostos. Todos os palestrantes destacaram o caráter privatista da política energética adotada no Brasil, especialmente através dos leilões organizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Outro debate abordou o fim dos contratos de concessão das hidrelétricas e a descoberta do pré-sal. Do ponto de vista dos que pensam na soberania nacional, no equilíbrio da natureza e numa política voltada para a melhoria das condições sociais da população, essas riquezas devem servir para melhorar as condições vida do povo, aplicando-se uma política de tarifas mais acessíveis e o controle social.

Ana Gabriela Santana, estudante da Fumec

Passeata relembra luta de Emmanuel Bezerra

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A União dos Estudantes Secundaristas Potiguares (Uesp) e a União da Juventude Rebelião (UJR) organizaram, no último dia 16, em Natal, uma manifestação que ocupou a Secretaria Estadual de Educação do RN.

O ato teve como objetivo relembrar a história de luta de tantos estudantes e jovens que deram suas vidas defendendo o povo brasileiro no período da ditadura militar. Um deles foi Emmanuel Bezerra dos Santos, estudante secundarista e universitário na cidade de Natal, que foi perseguido e barbaramente assassinado.

Os estudantes denunciaram os cortes e os poucos investimentos na educação pública e o descaso com que são tratadas as escolas do Estado. Cobraram um quadro completo de professores e a construção ou reforma das quadras esportivas, apontando como absurdos os enormes gastos com as obras de um novo estádio de futebol para a Copa 2014. Exigiram ainda estrutura para os laboratórios de química e informática, climatização das salas de aula e acessibilidade aos portadores de deficiências.

Com a ocupação, uma comissão de estudantil foi recebida pela secretária de Educação Betânia Carvalho, e por seu adjunto, Joaquim Juraci de Oliveira. A secretária se comprometeu a visitar prioritariamente as dez escolas ali representadas até o fim de setembro, para falar com os estudantes, professores, funcionário e direções, levando com ela uma equipe de engenheiros e técnicos com a finalidade tratar da situação das unidades, diante da pauta de reivindicações apresentada.

Samara Martins,
presidente da Uesp e militante da UJR

Manifestação encerra Eijaa em Caracas

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Entre os dias 4 e 10 de agosto, na cidade de Caracas, capital da Venezuela, aconteceu a 23ª edição do Encontro Internacional da Juventude Antifascista e Anti-imperialista (EIJAA), que a cada dois anos reúne jovens revolucionários de diversos países na luta por um mundo novo e contra as intervenções imperialistas contra os povos e a juventude.

Estiveram presentes na Universidade Bolivariana da Venezuela delegações da Alemanha, Argentina, Áustria, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, França, Inglaterra, Líbano, País Basco, Peru, República Dominicana, Turquia, Venezuela e Brasil. Temas como cultura, educação, meio-ambiente, lutas da juventude no mundo e a repressão aos movimentos sociais foram abordados, sempre tendo em vista a crise econômica do capitalismo que assola o mundo.

Muitas consequências da crise são comuns aos jovens destes diversos países: desemprego, aumento da repressão policial, queda na qualidade da educação, perda de perspectiva de futuro; aumentando consequentemente os índices de alcoolismo, consumo de drogas e de suicídios.

Contra tudo isso, uma grande quantidade de lutas tem sido protagonizada pela juventude nos últimos anos: greves pelo aumento nos investimentos da educação, lutas contra os cortes das áreas sociais, protestos contra as demissões e, de uma forma mais clara e decidida, a denúncia do imperialismo como o grande responsável pelos problemas sociais que assolam o mundo.

A delegação brasileira, formada por treze pessoas, se fez presente em todos os espaços do acampamento, levando questões importantes da conjuntura política do país: a campanha pela punição dos torturadores e assassinos da Ditadura Militar; a denúncia dos mais de 90 dias de greves das universidades federais; a mobilização crescente do movimento estudantil pelos 10% do PIB para a educação, etc.

As atividades culturais organizadas pelos próprios participantes dos diversos países foram uma grande oportunidade para apresentar a cultura popular, mostrando que também na cultura é preciso e possível combater o massacre da cultura imperialista que tenta anular a participação do povo nas manifestações artísticas.

O término do acampamento aconteceu com uma combativa manifestação que tomou as ruas de Caracas com palavras de ordem e muitas denúncias contra o imperialismo, somando-se ao espírito do povo venezuelano, que nos últimos anos vem travando uma grande luta pela soberania nacional com várias mudanças sociais promovidas pela grande mobilização popular e pelas ações do Governo de Hugo Chávez.

Rafael Pires,
coordenação da UJR

A importância da divulgação do jornal A Verdade

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Hoje as atividades do jornal A Verdade servem de estímulo aos seus admiradores, aliados e assinantes, e é principalmente nas brigadas e assembleias que o jornal concentra todos, com o intuito de divulgar e propagandear a impressa que defende o interesse dos trabalhadores. Exemplo disso são os companheiros da cidade de Carpina, em Pernambuco, que mensalmente realizam assembleias nas associações de moradores, creches, escolas, etc., além de brigadas nas fábricas, comércio e faculdades.

Nas assembleias realizadas nas escolas são dezenas de alunos que leem e debatem um tema que, muitas vezes, tem a ver com a sua realidade e conhecem mais o nosso jornal. Diante disso, temos que intensificar nossa agitação política em todos os lugares e, onde não estão sendo realizadas essas atividades, devemos retomá-las com ânimo novo. Se, em todo começo de mês, realizarmos assembleias e brigadas, teremos um jornal quinzenal como todos queremos e, em breve, diário, para defender mais fortemente o socialismo em nosso país.

Marcelo Pessoa, Carpina

Qual é a principal causa do sofrimento mental?

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Nas duas últimas décadas ocorreu um aumento muito grande do número de casos de depressão na adolescência e na infância. Algumas pesquisas também mostram que cerca de 20% dos estudantes do ensino médio sentem-se profundamente infelizes ou têm algum tipo de problema.

A depressão é certamente o diagnóstico psiquiátrico mais observado em adolescentes que tentam o suicídio. Desesperança, falta de oportunidades, transtornos de humor e principalmente o meio social de que o jovem faz parte podem ser considerados os principais agentes causadores desse distúrbio.

A taxa de doentes depressivos que cometem suicídio chega a ser de 15%, somente na adolescência. O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking da prevalência da depressão em países subdesenvolvimento: são 18,4% de doentes em uma faixa de idade que vai até 24 anos.

Afinal de contas, qual é a principal causa do sofrimento mental? Como explica o médico de psiquiatria no setor de saúde mental do hospital universitário Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará, “A origem do sofrimento reside no próprio sistema; onde deveria haver amor é dada violência, onde deveria ser distribuída a riqueza produzida pela sociedade para a felicidade de todos, o que é dado é miséria e fome”

Por exemplo, crianças que abandonaram a escola até os sete anos para cuidar da casa, ajudar os pais por falta de estrutura familiar (ou até mesmo para arrumar um trabalho, ilegalmente, e que na maioria das vezes são mais exploradas que uma pessoa adulta), perdem toda a esperança de vida, fazendo assim com que 23 mil delas estejam hoje vivendo nas ruas, desmotivadas a viver por não verem mais um caminho que as possa tirar da situação de miséria.

Outro caso muito comumente analisado de jovens que ficam depressivos e depois cometem suicídio é o fato de a maioria deles morarem em setores marginais da zona urbana. De acordo com o Ministério da Saúde, 22% da população brasileira é formada de jovens de baixa renda que moram em área de risco das cidades, o que dificulta ainda mais o contato com a escola, diversão e arte, trabalho e saúde. Anualmente milhares de estudantes que concluem o ensino médio tentam o vestibular para ingressar em uma universidade pública, mas, com um pouco mais de 270 mil vagas, sendo metade delas ocupadas por alunos de escolas privadas, a maioria acaba perdendo a oportunidade e a esperança de formar-se; um total equivalente a 4,5 milhões de jovens fora das universidades.

Recente pesquisa realizada em Nova Iorque, EUA, mostrou que o fato de ir para a cama mais cedo protege os adolescentes contra a depressão e pensamentos suicidas. Dos 15.500 adolescentes com idade entre 12 e 18 anos estudados, aqueles que costumavam ir para a cama depois da meia-noite mostraram chances de ter depressão 24% maiores que os adolescentes que iam dormir por volta das 22 horas. Os adolescentes que dormiam menos de cinco horas por noite tinham um risco de depressão 71% maior do que aqueles que dormiam oito horas.

Em nosso país também temos jovens que passam a noite sem dormir ou dormem apenas cinco horas por noite, e o motivo da insônia é que, dos usuários da internet à noite, 79% deles estão presos à alienação da mídia burguesa, o Facebook. Os usuários fanáticos ou desequilibrados do Facebook acreditam que, por ser uma rede social em que eles possam expressar-se livremente ou fazer autoexposição, ela os ajuda a ficar felizes ou até mesmo fugir dos seus problemas pessoais. O que não sabem, porém, é que as prováveis consequências são de reações negativas, podendo aumentar o risco da depressão.

No dia 9 de setembro comemora-se o Dia Internacional da Luta contra o Suicídio, e não podemos deixar de nos manifestar e dizer que a vida e seus benefícios são um direito de todos, que só haverá jovens e adultos satisfeitos com ela quando viverem numa sociedade em que a vida humana prevaleça mais do que o dinheiro, em que pessoas de qualquer idade terão acesso à cultura, com uma educação suficiente para lhes dar suporte psicológico, com direito para todos, uma sociedade socialista.

Luane Mota,
diretora da Fenet e militante da UJR – Fortaleza

O cavaleiro das trevas contra o povo

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O filme Batman: o cavaleiro das trevas ressurge (Christopher Nolan, 2012) confirma duas verdades da sétima arte. A primeira é que as superproduções hollywoodianas são armas de propaganda ideológica do sistema e a segunda é que os “investidores” preocupados com essa luta ideológica não jogam leve: foram gastos US$ 250 milhões nesse filme. Não por acaso, a trilogia (que pretende ser definitiva) Batman aparece ao púbico mundial em meio a uma das maiores crises econômicas da história do capitalismo e, consequentemente, em meio a diversas revoltas e rebeliões populares ao redor do mundo. Rebeliões que contam com um protagonismo da juventude, exatamente o público ao qual se destina, principalmente, a trilogia.

Em recente entrevista, o diretor Christopher Nolan dá a dica: “Não acho que exista uma perspectiva de esquerda ou de direita no filme. Ele faz apenas uma avaliação honesta, uma exploração honesta do mundo em que vivemos – de coisas que nos preocupam”.   O ambiente do filme é uma Gotham pacificada, onde os policiais quase não tem trabalho a fazer. A proeza se deve ao Ato Dent (surpreendentemente parecido com o Ato Patriótico de Bush), lei que permite à polícia prender sem mandado, punir sem provas contundentes, extingue o habeas corpus e institui a incomunicabilidade do preso pelo tempo “necessário”. Essa lei colocou na cadeia todos os criminosos de Gotham, à exceção de alguns ladrões de galinhas. Nesse contexto, Bruce Wayne descansa tranquilo em sua mansão, pois não precisa ser mais o Batman.

Porém uma conspiração acontece em meio a essa calmaria. Um vilão de nome Bane recruta centenas de degredados sociais para algum desígnio obscuro. E não são homens comuns os que ele recruta, pois mesmo ao serem torturados (ou interrogados, segundo linguagem do filme e da vida real da polícia) não falam nada, não entregam o esconderijo e sequer confirmam qualquer acusação. Simplesmente ficam calados. Qualquer semelhança dos “bandidos do mal” em questão com militantes políticos não parece mera coincidência. E quando se percebe a gravidade do caso, temos o ressurgimento do Batman para, mais uma vez, salvar Gotham. Mas não é assim tão fácil.

Bane é, na verdade, herdeiro de Ra’s Al Ghul e líder da Liga das Sombras, organização “terrorista” secreta, que pretende acabar com a hipocrisia e corrupção existentes no mundo, com métodos nada ortodoxos, tais como dizimar toda a população de uma cidade. Num determinado momento, depois de plantar explosivos por toda a cidade e dinamitar todas as pontes que ligam Gotham ao continente, Bane convoca o povo a assumir o poder, ou seja, lidera uma insurreição popular na qual o grupo de vanguarda são os prisioneiros do Ato Dent (claro que todos bandidos perigosíssimos). Aqui, é necessário entender a caracterização que Nolan dá ao vilão em questão.

No segundo filme da série (Batman, o cavaleiro das trevas), o vilão era o Coringa. Personagem de uma crueldade insana desde sua aparição em 1940, ele é a própria antítese do Batman, um vilão sem nenhum escrúpulo. É humanizado, porém, em suas características psicológicas (além de uma impressionante interpretação de Heath Ledger) nesta série, enquanto Bane é o vilão sem qualquer vestígio de humanidade ou compaixão, que não pensa duas vezes em assassinar friamente qualquer de seus colaboradores ou inimigos. Os dois representam, no fim das contas, uma crítica frontal e profunda ao sistema corrupto e hipócrita de Gotham City, ou seja, o capitalismo. Cada qual com sua característica, o Coringa é a revolta sem objetivos definidos, a anarquia em sua mais pura essência. A crítica à moral hipócrita burguesa é central nesse personagem desde sempre. Sua ação é sempre impulsiva, nunca arquitetada, a não ser para gerar o caos e a confusão; ao contrário de Bane, que representa a ameaça à própria existência do Estado burguês. Sua ação não é individual, ele não quer a glória para si. Ele é a própria representação da vanguarda organizada dos oprimidos e espoliados, é exatamente Bane que lidera a revolução popular que acontece na trama e institui a ditadura dos pobres e oprimidos. Ele representa o fim das instituições democráticas burguesas, é o poder do povo de Gotham. É sintomático o tratamento diferenciado para os dois personagens. É natural que Hollywood e seus financiadores prefiram e achem mais humano o primeiro ao segundo.

O fato é que Bane lidera uma insurreição popular que expropria os ricos e distribui a riqueza entre a população de Gotham. Mais: institui um tribunal revolucionário para julgar a burguesia.  Prende a polícia de Gotham nos esgotos da cidade e institui uma brigada popular que patrulha as ruas. Qualquer semelhança, novamente, não deve ser mera coincidência. Mas há resistência, e ela vem de Jim Gordon, o chefe policial e reserva moral de Gotham City. Ele começa a recrutar os policiais que não estão presos no esgoto para libertar seus homens e começar a luta contra a tirania de Bane.

No final, Batman forja a própria morte salvando Gotham de uma catastrófica explosão atômica, sacrificando a própria vida pela da cidade. Na verdade ele escapa e se esconde para viver em paz, sob a justificativa de que não precisamos de heróis. Pois sempre existirá mal e sempre existirá bem, e o ideal é o equilíbrio, ou seja, não vale a pena lutar. As últimas palavras de Bruce Wayne (supostamente morto na rebelião popular por ser um dos ricaços) são lidas por um emocionado Jim Gordon e são as últimas palavras do Conto de duas cidades, de Charles Dickens: “Essa é a melhor coisa que faço e que jamais fiz, este é sem dúvida o melhor descanso que terei e que jamais tive”. Exatamente porque os extremos sempre carregam em si alternativas antidemocráticas e totalitárias aos defeitos e erros da democracia instituída.

A última frase do segundo filme da trilogia (Batman, o cavaleiro das trevas) pode resumir todos os três filmes: “A verdade às vezes não é o suficiente. Por vezes as pessoas precisam mais que a verdade, precisam ver sua fé recompensada”. Ou seja, o povo precisa ser protegido de si mesmo, porque sem as instituições democráticas (polícia, bancos, Estado etc.) em que ele tem fé, e as quais escondem a verdade, a tendência é que esse mesmo povo siga líderes cruéis e sanguinariamente igualitaristas e totalitários. Toda essa lição de moral nos é dada por um milionário que faz fortuna com fabricação de armas e especulação financeira.

Yuri Pires,
crítico de cinema de A Verdade

Empresa engana operários

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A empresa Têxtil Bezerra de Menezes (TBM), uma das maiores do Ceará, prometeu aos trabalhadores a participação nos lucros, no programa Querer, no valor equivalente a um salário, para os operadores das fábricas que atingissem as metas de qualidade.

Até o fim do ano passado, porém, apenas uma parcela havia sido paga, e, ainda assim, somente duas unidades da empresa a pagaram. Os trabalhadores, depois de muito esforço para conseguir bater as metas, aguardam a quitação da segunda.

Achando pouco a falta de respeito com os operários, a TBM fez grande alarde, distribuindo camisas e calendários para lançar no mês de julho deste ano a segunda fase do programa, o 100% Querer, prometendo, desta vez, o pagamento do 14º e 15º salários.

Contudo, vários trabalhadores, cansados da enrolação da TBM, deixaram a empresa, que, por sua vez, alega estar passando por dificuldades financeiras. Entretanto, vale ressaltar que a indústria têxtil é a que mais cresceu no Ceará, recebendo gordos subsídios do Governo do Estado, mas continua pagando mal aos operadores, submetendo-os às altas temperaturas no ambiente de trabalho.

No início deste ano, o Sindicato dos Têxteis acionou a Superintendência Regional do Trabalho para participar das mediações com a direção da empresa; um técnico foi designado para inspecionar a temperatura (o que não aconteceu ainda). Para completar, o sistema de climatização existente foi desligado e vários companheiros têm passado mal no trabalho. Tudo isso para garantir os lucros e as mordomias dos patrões, que moram em luxuosas mansões e andam em carros importados com ar condicionado.

Redação Ceará

Trabalhadores enfrentam Polícia em Pernambuco

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Operários continuam luta em Suape, PE

Durante 24 dias, trabalhadores dos canteiros de obras da Refinaria Abreu e Lima e do Complexo Químico-Têxtil de Suape, na cidade pernambucana de Ipojuca (a 50 km do Recife), demonstraram que a classe operária responde com energia à exploração e à arbitrariedade de que é vítima. Fizeram mais uma greve contra o acordo coletivo fechado entre os patrões e o sindicato de trabalhadores (Sintepav-PE) sem que a categoria, composta por cerca de 51 mil funcionários, tivesse aprovado.

Ocorre que, no último dia 27 de julho, o Sintepav-PE iniciou uma assembleia para acreditando que a proposta a ser apresentada aos empregados seria aceita, mas, ao ver que a categoria contestava seus argumentos, resolveu pôr fim à reunião, deixando para deliberar num outro momento. Após a maioria esmagadora ter deixado o local, a direção do Sintepav-PE retomou a discussão para aprovar a proposta da empresa, de 10,5% de aumento, com apenas 300 empregados presentes.

Diante da manobra dos patrões, com a anuência do sindicato da categoria, aos trabalhadores restou se lançar com força total numa intensa mobilização para anular o acordo fraudulento. Sem o apoio da entidade que deveria lhe representar, os grupos que encabeçavam o movimento reivindicatório procuravam adesão para a greve explicando a força que teria o movimento caso todos aderissem. Diante das dificuldades enfrentadas, alguns recorreram mesmo à quebradeira e até ao incêndio de ônibus.

Além de reivindicar um aumento salarial de 30%, os operários pediam ainda melhorias no alojamento, folgas de campo, benefícios de produtividade e aumento no valor do vale-refeição. Nem mesmo uma decisão judicial, do dia 8 de agosto, determinando a volta ao trabalho, foi suficiente para convencer os grevistas a suspender a greve nos dias que se seguiram.

A pedido do Sintepav-PE e do sindicato patronal, em reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-PE), no dia 9 de agosto, o Batalhão de Choque entrou em ação: balas de borracha, agressões, policiais atirando para cima e prisões. Raimundo Amorim Filho, de 50 anos, e Johemert Moura, de 24 anos, acusados de lesão corporal, dano ao patrimônio público e suspensão de trabalho coletivo, foram encaminhados ao Centro de Triagem (Cotel), na cidade de Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife.

Somente a partir de 20 de agosto é que a categoria, pouco a pouco, começou a retornar ao trabalho. A resposta dos cerca de 22 consórcios que atuam no grande canteiro de obras de Suape veio sob a forma de demissões. Cerca de 200 funcionários foram dispensados por justa causa. Não havia dúvida de que os capitalistas iriam impor pesadas penas aos operários revoltosos, mas os trabalhadores preferiram encarar os riscos a se submeter àquela arbitrariedade.

A jornada de lutas de agosto de 2012 dos operários de Suape demonstra que, apesar da traição de setores do sindicalismo brasileiro, o movimento se encaminha para o novo, para o enfrentamento, e não para a conciliação de classes.

Thiago Santos,
presidente do Sintelmarketing-PE

Servidores conquistam reajuste do Governo

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A greve dos servidores técnico-administrativos das universidades federais, que compõem a base da Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Educação das Universidades Brasileiras (Fasubra), terminou no dia 27 de agosto, após quase 80 dias de paralisação. A categoria foi a primeira a firmar termo de compromisso com o Governo Dilma, o que representou uma grande vitória política.

Os técnico-administrativos conquistaram um reajuste acumulado de 15,8%, dividido em três parcelas para os meses de março de 2013, 2014 e 2015. Além do reajuste, os servidores conquistaram importantes melhorias no Plano de Carreira, que não tinha sofrido modificações significativas desde 2005, quando foi criado.

O principal avanço é o que fixa percentuais de Incentivo de Qualificação, uma espécie de gratificação que os servidores recebem sobre o vencimento básico por atingir um nível de escolaridade superior ao exigido para o ingresso no seu cargo. A partir de janeiro de 2013, todos os servidores, independente da escolaridade mínima exigida, terão o direito de avançar na carreira até obter o percentual máximo do incentivo de qualificação (75%), que é oferecido para aqueles que conseguem concluir o doutorado. Além disso, as qualificações mais baixas (ensino fundamental, médio, técnico e graduação) foram valorizadas.

Temos a certeza de que isto ainda é muito pouco, diante das nossas reais necessidades. No entanto, conseguir unificar a categoria e quebrar a intransigência do Governo foram as principais conquistas do movimento.

Estas conquistam se revestem de grande valor político pela conjuntura em que elas foram obtidas. A categoria enfrentou no ano passado uma greve duríssima de 90 dias, que foi marcada pela divisão do Comando Nacional de Greve em dois campos opostos. Enquanto isso, o Governo Federal fez pouco caso da greve e chegou a pedir na Justiça sua ilegalidade. Como resultado, a categoria não conseguiu nenhum reajuste, amargando o segundo ano consecutivo de congelamento da tabela salarial.

Neste ano, a realidade foi bem diferente. Além da unidade dentro da categoria, a Fasubra contou com o quadro de uma verdadeira greve geral dos servidores federais. Entraram em greve professores universitários, servidores dos Institutos Federais de Educação, as 18 categorias que compõem a base da Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef), os servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Polícia Federal, da Justiça Eleitoral, etc.

Esta conjuntura obrigou o Governo Dilma a ceder. A experiência da greve 2012 demonstrou o acerto da posição que o Movimento Luta de Classes (MLC) já defendia desde o ano passado: a necessidade da greve geral dos servidores federais para derrotar a política de arrocho salarial. Mas mostrou também que é necessário aprofundar esta unidade. Se as categorias negociassem de forma conjunta com o Governo, seria possível arrancar um reajuste muito maior.

Clodoaldo de Oliveira,
da Coordenação Nacional do MLC

McDonald’s explora trabalho da juventude

A rede de lanchonetes McDonald’s terá que responder na Justiça por exploração de seus funcionários. A empresa sofreu uma Ação Civil Pública (ACP), em 14 de agosto, na Justiça do Trabalho de Pernambuco, impetrada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). A responsabilizada pelo tratamento ilegal de seus funcionários é a Arcos Dourados Ltda., maior franqueadora da McDonald’s da América Latina, responsável por 12 das 14 lojas existentes em Pernambuco.

Entre as irregularidades trabalhistas encontradas nas lojas está o não pagamento de salário mínimo, a criação da “jornada móvel variável”, a não concessão de pausas na jornada e de folgas, a proibição de que os funcionários se ausentem da empresa durante o intervalo intrajornada, e, até mesmo, a proibição de se comer outro alimento que não o fabricado pela rede no ambiente de trabalho.

De acordo com o procurador envolvido no caso, a jornada de trabalho é determinada pela própria empresa, segundo suas necessidades, de modo que hoje ela pode começar às 7h, amanhã às 12h, depois às 10h, o que impede o trabalhador de ter outras atividades rotineiras previamente planejadas. Além disso, há uma total indefinição de qual será o horário de intervalo intrajornada de cada trabalhador. “Tem dia em que você entra no intervalo cinco minutos depois de ter a sua jornada de trabalho iniciada, ou seja, o intervalo perde totalmente sua função de recuperação da energia já despendida no trabalho. Também foram verificados episódios em que o empregado trabalha mais de seis, sete horas sem descanso, por causa do movimento no balcão de vendas”, simplifica o procurador. Isso faz com que o empregado esteja, efetivamente, muito mais tempo à disposição da empresa do que nas oito horas de trabalho diárias previstas nos contratos de trabalho.

Com o slogan “Amo muito tudo isso”, a maior empresa de fast-food do mundo gasta milhões com propaganda dizendo que ajuda entidades filantrópicas, mas, na verdade, ela ama muito é explorar seus trabalhadores, que, na grande maioria, são jovens e até menores. Os funcionários da Arcos Dourados no Brasil têm o seguinte perfil, segundo dados da própria empresa: 89% abaixo dos 25 anos; 98% com nível de escolaridade igual ou inferior ao 2º grau completo; alto índice de movimentação (admissão e demissão) do pessoal.

Segundo o MPT, a McDonald’s não possuía uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) nem emissão regular de Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT). Ainda de acordo com o MPT, em diversas de suas franquias, a McDonald’s mantinha os funcionários em jornadas de horas-extras excessivas – ultrapassando o limite legal de duas horas diárias –, em alguns casos sem direito ao descanso semanal. A rede também é acusada de dificultar a sindicalização dos trabalhadores.

No primeiro trimestre, a McDonald’s anunciou alta de 5% no lucro, chegando a US$ 1,3 bilhão conforme as expectativas dos analistas. Essa é a lógica do sistema capitalista e de suas empresas. Quando coloca a juventude no mercado de trabalho, não é para emancipá-la, mas sim para extrair os maiores lucros. O que ela proporciona é a exploração, alimentação de baixa qualidade e mundo de ilusões.

Bruno Melo, Recife

Jornalistas da Veja e de O Globo agiram como informantes dos EUA

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Diogo Mainardi

Novos documentos divulgados recentemente pelo sítio de internet WikiLeaks revelam que dois renomados jornalistas da grande mídia brasileira, Diogo Mainardi, da revista Veja, e Merval Pereira, do jornal O Globo, serviram de informantes para o cônsul dos Estados Unidos no Rio de Janeiro durante as eleições de 2010, ajudando o governo norte-americano a formular sua estratégia de intervenção no processo eleitoral daquele ano. Além do “bico” de consultor político do consulado estadunidense, as informações vazadas pelo WikiLeaks também evidenciam as relações íntimas entre os dois jornalistas e o PSDB.

De acordo com os documentos, Diogo Mainardi, conhecido por seu reacionarismo e ódio aos pobres, reuniu-se “em almoço privado no dia 12 de janeiro” com o cônsul dos EUA no Rio de Janeiro, quando falando sobre as articulações para a formação da chapa de oposição à Presidência da República, afirmou  que sua “recente coluna, na qual propõe o nome de Marina Silva como vice-presidente na chapa de Serra, foi baseada em conversa entre Serra e Mainardi, na qual Serra dissera que Marina Silva seria a ‘companheira de chapa de seus sonhos’ (…). Naquela conversa com Mainardi, Serra expôs as mesmas vantagens que, depois, Mainardi listou em sua coluna: a história de vida de Marina e as impecáveis credenciais de militante da esquerda, que contrabalançariam a atração pessoal que Lula exerce sobre os pobres no Brasil, e poriam Dilma Rousseff (PT) em desvantagem na esquerda, ao mesmo tempo em que ajudariam Serra a superar o peso da associação com o governo de Fernando Henrique Cardoso que Dilma espera usar como ponta de lança de ataque em sua campanha”.

Também de acordo com o documento, intitulado “Telegrama 10RIODEJANEIRO32”, o colunista do jornal O Globo Merval Pereira esteve com o cônsul no dia 21 de janeiro de 2010 para falar da conversa que tivera na véspera com Aécio Neves, então governador de Minas Gerais, que afirmou estar “firmemente comprometido” a ajudar Serra, inclusive integrando sua chapa.

Se ainda havia alguma dúvida da relação estreita entre os grandes meios de comunicação burgueses do Brasil e o governo dos Estados Unidos, as informações divulgadas pelo WikiLeaks estão aí para comprovar.

Da Redação