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sábado, 11 de abril de 2026
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Comitê Memória, Verdade e Justiça (PE) realiza cine debate sobre filme Zé

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O Comitê Memória, Verdade e Justiça de Pernambuco junto ao Centro Cultural Manoel Lisboa e entidades estudantis realizaram um cine debate com o filme Zé, que conta a história do líder estudantil José Carlos da Mata Machado, assassinado sob tortura pela ditadura militar em 1973.

Jesse Lisboa | Redação Pernambuco


CULTURA – Na sexta-feira, 17 de janeiro, o Comitê Memória, Verdade e Justiça de Pernambuco promoveu um cine debate no Centro Cultural Manoel Lisboa, em Recife. O evento contou com a participação de 40 pessoas, com a presença de lideranças estudantis, como diretores da UEP, da UESPE, da UNE, do SEEPE, professores e estudantes. A exibição do filme (2023), dirigido por Rafael Conde, narra a história do líder estudantil José Carlos da Mata Machado. Morto sob tortura pela ditadura militar em 1973, Zé Machado tornou-se um símbolo da luta pela democracia e do movimento estudantil no Brasil.

A obra é resultado de uma pesquisa iniciada por Samarone Lima em seu trabalho de conclusão de curso em jornalismo, que culminou no livro sobre a vida de José Carlos da Mata Machado. O filme resgata a trajetória de José Carlos, filho de um professor universitário, jovem de classe média e militante da Ação Popular Marxista Leninista (APML). Ele se destacou pela coragem para enfrentar o regime militar, vivendo a maior parte de sua vida adulta na clandestinidade. A narrativa apresenta aspectos pessoais e políticos do líder estudantil, revelando o impacto de sua militância nos que o cercavam.

Após a exibição, o debate foi conduzido por Edival Nunes Cajá, presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, Amparo Araújo, do Comitê Memória, Verdade e Justiça, e o professor Carlos Macdowell. Estava presente também Marcelo Santa Cruz, ex-preso político e irmão de Fernando Santa Cruz, militante do movimento estudantil, desaparecido durante a ditadura militar. Entre os pontos discutidos, destacou-se o destino daqueles que conviveram com Zé, como seus pais e sua esposa, Madalena, que também viveu sob a vigilância e perseguição do regime

Durante o debate, Augusto Costa, militante da UJR, comentou sobre algumas questões locais da cidade do Recife, exemplificando que “é um absurdo que entre as duas maiores universidades de Recife (UFPE e UFRPE) exista um busto em homenagem ao fascista Castello Branco, um dos responsáveis por iniciar um dos períodos mais nefastos da história brasileira. É uma necessidade nos organizarmos, em cada universidade, em cada escola, em cada sindicato, em cada bairro e jogar de vez cada um desses facínoras para a lata de lixo da história. Não mais permitiremos que haja uma escola ou rua que carregue o nome daqueles que perseguiram, sequestraram, torturaram e assassinaram os melhores filhos do povo brasileiro.”

“Carregamos o legado de Rubens Paiva, de Zé, de Manoel Lisboa de Moura, que mesmo sob terríveis torturas por cerca de 19 dias, não deu uma informação sequer ao seus algozes, carregamos a honra de levar a frente a luta daqueles mártires que lutaram por uma sociedade mais justa, sem exploração, sem miséria, sem fome.”, complementa.

Amparo Araújo expôs alguns pontos da história de Zé, como o irmão da Madalena, Gilberto Prata Soares, que colaborou com o exército fascista entre 1973 e 1982, acompanhando os passos de José Carlos até seu assassinato pela repressão da ditadura militar. Ela conta que Gilberto deu depoimentos públicos relatando sua colaboração com a ditadura.

População pernambucana diz não à privatização da Compesa

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Em audiências públicas convocadas às pressas e com a intenção de preparar o caminho para o governo de Raquel Lyra (PSDB) realizar a privatização da Compesa, a Unidade Popular em Pernambuco mandou o recado: “se for privatizar, vai ter luta!”

Clóvis Maia | Redação Pernambuco


BRASIL – Desde que tomou posse no cargo de governadora do estado de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB) vem falando na privatização a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), empresa estatal criada em 1971 e que cuida do abastecimento de água e coleta de esgoto em todo o estado de Pernambuco. A empresa já foi eleita como o melhor serviço de abastecimento de água do país em diversas ocasiões e também é uma das mais lucrativas. 

Socializando o prejuízo, privatizando o lucro

A Compesa já opera hoje com uma Parceria Público Privada (PPP) na Região Metropolitana do Recife. A BRK, empresa canadense que atua em 13 estados do Brasil e uma das maiores empresas de saneamento básico atuando no país hoje seria um modelo a ser seguido para todo o estado. O problema é que o serviço de captação e tratamento de água continuaria sob a responsabilidade do poder público, coincidentemente o serviço mais pesado, enquanto o setor privado recolheria os lucros. Pior: vergonhosamente esse modelo de concessão pública duraria por 35 anos e foi proposto e incentivado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Nacional (BNDES). Ou seja, é a mesma política privatista do governo Bolsonaro, continuado pelo governo Lula. 

A proposta do governo do estado é organizar 5 audiências públicas nas regiões do estado, onde por meio de uma apresentação técnica e burocrática a população é avisada sobre o projeto de privatização da Compesa. Ou seja, tudo uma grande maquiagem para fingir que escutou a população, maiores atingidos se o plano for concretizado. 

A militância da Unidade Popular fez a denúncia

Durante as audiências do Recife (15/01) e Caruaru (16/01) a militância da Unidade Popular presente fez a denúncia desse golpe promovido em acordo entre o governo do estado e os empresários. No Recife, Raimundo Malheiros, presidente do Diretório Municipal da UP, ressaltou a incompetência dos governos, segundo ele “os pernambucanos não passaram uma procuração para governante nenhum privatizar um patrimônio público tão importante quanto a Compesa. Não vamos aceitar sermos roubados. Esse é o termo popular. Isso é uma apropriação indevida do patrimônio público por parte do setor privado. E como vimos em outros estados, a privatização não dá certo”. 

Já em Caruaru a audiência ocorreu dia 16 deste mês no auditório da Secretaria de Educação Municipal, e contou com uma boa participação da militância da Unidade Popular. Falando em nome do Diretório Municipal de Caruaru, Iany Moraes, presidenta da UP, reafirmou que “Essa é uma luta de todo trabalhador pernambucano e especialmente do povo pobre. O que vemos com a privatização é o sucateamento dos serviços, demissão em massa e o aumento dos preços. Querem privatizar os lucros e socializar os prejuízos”.

Iany também questionou o formato das audiências. Segundo ela, “não tem como discutir um tema tão importante como esse em apenas uma audiência pública por região. Além disso, apresentam uns termos técnicos, de difícil compreensão e uma apresentação maçante, com uma clara intenção de dificultar a participação do povo. Esse é um traço do governo Raquel Lyra, uma gestão voltada para os empresários e que não gosta do povo”. 

Terão ainda 3 audiências públicas no Sertão (Petrolina, Salgueiro e Serra Talhada) que também contará com a participação da Unidade Popular nas denúncias desse projeto, além da mobilização que vem sendo feita contra esse plano perverso de transformar água em mercadoria.

Prefeitura de Lauro de Freitas deixa servidores públicos sem salário

Prefeita de Lauro de Freitas (BA) alega que não há recursos para pagar salários de dezembro, mas levantamento solicitado por entidades sindicais já apurou que há verba suficiente em caixa. Trabalhadores se preparam para entrar em greve caso os salários não sejam pagos nesta semana

Vitória Louise | MLC Bahia


A prefeitura de Lauro de Freitas, município baiano da Região Metropolitana de Salvador, deixou os servidores municipais sem o pagamento de salário no mês de dezembro. A atual prefeita Débora Régis (União Brasil) alega que a antiga gestão, encabeçada por Moema Gramacho (PT), não deixou recursos suficientes em caixa para a realização dos pagamentos, mas os trabalhadores estão se mobilizando para que o Poder Municipal não se ampare em desculpas e cumpra com sua responsabilidade. Um levantamento das entidades sindicais indica que a Prefeitura tem verbas para remunerar os trabalhadores.

No município de Lauro de Freitas, não há um calendário de pagamento para os servidores públicos municipais, apenas uma referência na data de recebimento do salário retroativo que remete ao 5º dia útil do mês. Passado o período da transição de governos, os servidores que se referenciam nessa data esperavam receber no dia 8/1 o salário retroativo do mês de dezembro. No entanto, foram surpreendidos com o anúncio da atual prefeita Debora Régis de que não havia recursos em caixa para realizar os pagamentos.

Desde o dia dessa declaração, diversos sindicatos dos servidores públicos municipais foram à luta para mobilizar a categoria, organizando manifestações pelos salários ao longo da semana que envolveram desde passeatas no centro da cidade até a ocupação do Centro Administrativo de Lauro de Freitas.

Para Renata Pinheiro, professora de História e Cultura Afro-brasileira que atua na rede municipal de Lauro de Freitas, a situação é revoltante. “O tempo todo, a gestão tenta fugir da sua responsabilidade. A declaração inicial era que eles não tinham responsabilidade em fazer a quitação do pagamento da gestão anterior, o que é um equívoco gigantesco, porque quem assume toda a gestão assume todas as responsabilidades”, ela afirmou ao jornal A Verdade.

Professores desrespeitados e perseguidos

À atual prefeita, cabe cumprir a responsabilidade de pagar a folha dos servidores. Apesar disso, até o momento, todos os servidores de todas as categorias se encontram sem receber o seu salário de dezembro. No caso dos professores e docentes do município, além do não pagamento do salário de dezembro, os trabalhadores ficaram sem receber as férias coletivas referentes a janeiro.

A prefeita não quis dialogar com as categorias e alegou calamidade fiscal. No caso dos servidores públicos da educação, o município poderia ainda contar com os recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação) para remunerar os profissionais. Mas, por opção de punir os professores, a atual gestão opta por não utilizar esse recurso para o pagamento da folha salarial.

No momento, a prefeitura de Lauro de Freitas se destaca por ser a única prefeitura da Bahia que se recusa a pagar o salário de seus funcionários concursados, revelando assim a falta de responsabilidade com o seu quadro de servidores. A situação de muitos deles é delicada, a exemplo da servidora Geisa Silva, professora da rede municipal efetiva há 13 anos, que está há mais de 17 dias sem receber o salário e sem férias, enfrentando uma situação de vulnerabilidade social. Geisa tem um filho com autismo em nível III que vive fortes crises, que levam à necessidade de utilizar fármacos que não podem ser comprados sem o salário.

“Aqui não existe marginal e nem bandido. Nós somos trabalhadores, servidores. Nós estamos aqui reivindicando o nosso salário e as nossas férias, que são direito nossos. Está na legislação, qualquer trabalhador, independente de qual tipo de contrato ele tenha, ele tem o direito de receber a sua remuneração, então ninguém tá aqui fazendo baderna, estamos reivindicando aquilo que é nosso! Eu tô numa situação que eu não tenho uma margarina na minha geladeira, mas eu tenho um salário para receber”, denuncia Geisa.

Além de todo o vexame a que a Prefeitura está submetendo os servidores públicos, vereadores da mesma ala política da atual gestão foram à manifestação dos professores para perseguir e tentar desmoralizar os lutadores sociais. Gabriel Bandarra, um vereador do PL, ameaçou agredir o professor do município Mateus Costa, que é militante da Unidade Popular e do Movimento Luta de Classes (MLC). Em tom de provocação de briga, o vereador esbanjou desrespeitos contra Mateus e todos os trabalhadores que estavam presentes exigindo seus direitos, mas acabou expulso da manifestação.

Lutar até conquistar

Servidores de Lauro de Freitas (BA) lutam por seus salários. Foto: JAV/BA
Servidores de Lauro de Freitas (BA) lutam por seus salários. Foto: JAV/BA

Os sindicatos dos servidores públicos municipais de Lauro de Freitas realizaram vários levantamentos de dados a fim de conferir os recursos da Prefeitura, além de pedir judicialmente a fiscalização das contas públicas. Averiguou-se que há recurso em caixa para se efetivar o pagamento da folha.

Para José Gonçalves, professor da rede municipal, o não pagamento dos salários é uma opção política. “Ocorre que já existe um montante no caixa da prefeitura para pagar a folha. Infelizmente a prioridade dessa atual gestão é seguir a cartilha de ACM Neto e União Brasil, um modelo de gestão que não tem na figura do servidor público uma figura importante.”

Para Irundi Andrade, diretor do sindicato ASPROLF (Associação de Professores de Lauro de Freitas), a alegação da atual prefeita é algo secundário e o principal é garantir os pagamentos: “Estamos ocupando o CALF (Centro Administrativo de Lauro de Freitas) por conta do atraso do salário do mês de dezembro de 2024 até o dia de hoje, 17 de janeiro de 2025. A prefeita que assumiu o mandato se nega a pagar o salário dos servidores alegando que a gestora passada não deixou o recurso. Que ela se entenda com a prefeita passada na Justiça e com as leis vigentes.”

“Para nós servidores, o que nos importa é o dinheiro na nossa conta. Já demonstramos que existem recursos suficientes para pagar a folha de dezembro de todos os servidores, e ainda assim esse governo opressor que odeia servidor público continua resistindo em fazer aquilo que é devido, que é pagar o salário dos servidores”, ele complementa.

Assim, na tarde dessa sexta-feira (17/1), a prefeita anunciou a proposta de realizar o pagamento do mês de dezembro em seis parcelas. A categoria recusou a proposta  por considerá-la indecente e decidiu, em assembleia geral, manter a paralisação dos serviços públicos. Caso não haja o pagamento até segunda-feira, uma greve dos servidores municipais será deflagrada na data do dia 20/1.

Enquanto os servidores públicos seguem sem receber, a prefeita de Lauro de Freitas conta com o terceiro maior salário de prefeitura do Brasil. Para o MLC, que está participando ativamente da mobilização dos servidores, apenas com a luta e a organização sindical é que os direitos dos trabalhadores serão garantidos.

Correnteza participa do 11º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE

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Atuação do Movimento Correnteza e do Movimento de Mulheres Olga Benario no  Encontro de Mulheres Estudantes da UNE pautou a permanência das mulheres na universidade, a garantia dos seus direitos e o combate à violência de gênero nas instituições de ensino superior.

Maria Eduarda | Recife (PE)


A abertura do 11º Encontro de Mulheres Estudantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) foi realizada no dia 29 de novembro, na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). Dany Oliveira, diretora Executiva da UNE, representou o Movimento Correnteza na mesa. Já Kivia Moreira, estudante da UFRN e membro da Coordenação Nacional do Movimento Olga Benario, afirmou que “a nossa luta fundamental é contra o fascismo, varrer de vez das universidades todo professor nazista, todo estudante assediador, de qualquer universidade”.

No segundo dia, o evento foi marcado por um ato em defesa da vida das mulheres, denunciando a PEC 164 (“PEC do Estupro”), que criminaliza o aborto no Brasil, incluindo os casos permitidos pela Legislação Brasileira, não dando liberdade de escolha às mulheres em relação ao seu próprio corpo. O ato exigiu também a prisão de Bolsonaro e dos generais golpistas e o fim da escala 6×1, que afeta muito mais as mulheres trabalhadoras, obrigadas a triplas jornadas de trabalho, dentro e fora de casa.

“A sociedade que me obriga a parir é a mesma sociedade que não me dá condições de trabalhar, estudar e cuidar dos meus filhos. A escala 6×1 consome pelo menos dez horas do dia de uma trabalhadora. Se ela for estudante, significa dormir, no máximo, seis horas por dia”, denunciou Eunice Brasil, diretora de Mulheres da UNE pelo Movimento Correnteza.

Além disso, também houve diversos grupos de debate, pautando principalmente a permanência das mulheres na universidade e a garantia dos seus direitos, como a segurança dentro dos campi, ampliação das políticas de assistência estudantil e o combate à violência de gênero nas instituições de ensino superior.

“Com cortes na educação, não há melhorias e melhor acolhimento das mulheres na universidade, assim como a jornada de trabalho 6×1 não nos permite trabalhar, estudar e cuidar de nossas famílias, nem de nós mesmas. A luta deve ser conjunta com as pautas dos trabalhadores, até porque nós somos trabalhadoras também”, afirmou Sued Carvalho, presidente da Unidade Popular no Ceará e convidada para um dos grupos.

O Movimento de Mulheres Olga Benario realizou uma plenária de apresentação, colocando a importância da organização das mulheres da classe trabalhadora contra os mecanismos de ataque do sistema capitalista, destacando que a luta de emancipação feminina deve sempre pautar a luta de classes.

Na plenária também foi apresentado o projeto da “Sala Lilás”, na USP, assim como as casas de referência que o Movimento organiza em vários estados para acolhimento de mulheres vítimas de violência. “A gente tem conseguido pautar o que fizemos na USP, a Sala Lilás, pois é importante os estudantes se organizarem quando faltam espaços nas universidades e criar seus próprios mecanismos de acolhimento e de denúncia sobre os casos de assédio”, destacou Beatriz Firmino, diretora da UNE.

Grupos de debate

Os grupos de debate continuaram com temas sobre a descolonização da educação; a desmilitarização dos territórios; a luta contra o assédio nas universidades.

“Infelizmente, hoje, a universidade não é um espaço que apoia as mulheres. São vários ataques que sofremos constantemente. Por exemplo, quando uma estudante foi assassinada dentro da universidade, numa calourada, a Reitoria culpabilizou o movimento estudantil, se isentando da responsabilidade. Para o agressor ser expulso da instituição, tivemos que nos mobilizar”, relata Jéssica Nathalia, presidente da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP).

Às companheiras que tombaram

Também foram homenageadas as companheiras que tiveram suas vidas ceifadas pelo sistema capitalista. Companheiras que lutaram até o último suspiro pela construção de uma sociedade socialista.

Sarah Domingues, presente!
Vênus Evangeline, presente!
Amêli, presente!
Janaína Bezerra, presente!
Raquel Rocha, presente!
Agora e sempre!

Matéria publicada na edição nº 304 do Jornal A Verdade

Aumento da tarifa de ônibus: não ficaremos de mãos ao alto!

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As mobilizações contra o aumento da tarifa de ônibus em diversos estados do país já está acontecendo, com ampla jornada de lutas em Belo Horizonte, Florianópolis e São Paulo. Unificar essa luta nacionalmente é tarefa dos movimentos sociais em defesa da classe trabalhadora.

Igor Baltar | Recife – PE


BRASIL – Que o transporte que deveria ser público, mas está entregue nas mãos das grandes empresas do transporte é caro, lotado e ruim já sabemos, mas como resolver este problema?

Há anos, diversos movimentos sociais junto com o povo lutam e vão às ruas em defesa de um transporte público, gratuito e de qualidade e contra as privatizações que precarizam o conforto, a segurança, colocando tarifas abusivas para a classe trabalhadora, sem nenhuma perspectiva de melhoria concreta do serviço.

Um dos casos mais conhecidos dessa luta são, a Revolta das Catracas (2004), acontecido em Florianópolis e as jornadas de junho de 2013, que começou contra o aumento da tarifa de ônibus de R$0,20 centavos na passagem em São Paulo e logo em seguida tomou cidades do Brasil inteiro. 

Aumentar o valor de tarifa dos transportes que deveriam ser públicos, mas na prática, continuam geridos por empresas privadas e só fazem pesar ainda mais o bolso do trabalhador, é roubo e não deve ficar impune. É necessário aprender com as lutas do passado e seguir em mobilizações intensivas para barrar os aumentos em todas as cidades que decretaram. Precisamos ousar mais, pautar o passe livre e cobrar a estatização e reestatização daqueles que foram privatizados.

E a tarifa zero? Quem ganhou?

Com a correlação de forças dadas em um governo liberal e conciliatório, onde a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco, a esquerda institucional, base principal do governo, reduz cada vez mais suas pautas e discurso. Vemos que tanto a direita como a extrema-direita aprenderam o jogo das massas. Com o avanço da extrema-direita no país e o recuo da direita tradicional, algumas coisas mudaram, a exemplo do discurso, onde vemos agora candidatos de direita defendendo a tarifa zero, para benefício dos seus.

Até setembro de 2024, 136 cidades brasileiras já contavam com modelos de tarifa zero, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Em 116 delas, esse modelo atinge todo o sistema de transporte e todos os dias, já nas outras 20, em dias específicos. 

Na última eleição, PL, MDB, PSD e PP também tiveram menções a gratuidades em seus programas.

Na virada dos anos 2024 para 2025, diversas cidades anunciaram novos aumentos como São Paulo, Florianópolis, Recife, Rio de Janeiro, Belo Horizontes e outras mais. Em alguns locais, o preço das passagens já chega aos R$6,90.

Em resposta a isso, Belo Horizonte, Florianópolis e São Paulo já foram às ruas mobilizados para barrar seus aumentos e prometem uma jornada de lutas até conseguirem êxito em suas pautas.

Com isso, aprendemos que somente mobilizada e unida na luta a esquerda conseguirá expandir e defender suas pautas. Através das mídias independentes, panfletaços e atos combativos, deixando bem claro a todos os usuários do transporte que tarifa zero e o passe livre com transportes de qualidade não é utopia e deve ser pautado como sempre foi pela esquerda, até que tenhamos a vitória e provemos quem se encontra ao lado dos menos favorecidos.

Trabalhadores da PepsiCo fazem greve pelo fim da escala 6×1

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A recente greve dos trabalhadores da PepsiCo foi um importante marco na jornada de luta contra a escala 6×1.

Redação SP


A luta pelo fim da escala 6×1 tem se provado um ponto de virada no debate político a respeito da jornada de trabalho no Brasil. Justamente por expor o estado cruel de exploração ao qual milhões de brasileiros estão submetidos, a pauta tem dado um novo fôlego para a luta histórica da classe trabalhadora no país.

A recente greve dos trabalhadores da PepsiCo foi um importante marco nessa jornada. Encerrada no dia 02 de dezembro, a greve contou com enorme adesão da categoria, forte solidariedade por parte de partidos, movimentos sociais e outros sindicatos (embora a CUT, a Força Sindical e a CTB não tenham sido favoráveis à greve), além de grande repercussão midiática. Trabalhadores de todo o Brasil se identificaram com a luta dos bravos operários e operárias da PepsiCo e viram neles a sua própria imagem enquanto irmãos de classe.

A burguesia, é claro, defendeu com afinco o “direito” de explorar os trabalhadores que, com coragem, cruzaram os braços nas unidades de Itaquera e Sorocaba (SP). Vouchers de R$ 200,00 para serem utilizados em aplicativos foram oferecidos a quem estivesse disposto a cumprir o papel de fura-greve e diversas matérias foram plantadas na mídia comercial para descaracterizar a legitimidade da greve. Mesmo assim, os trabalhadores foram até o fim.

A proposta aprovada ao fim da greve não foi favorável aos trabalhadores, como noticiamos em matéria publicada no site do jornal A Verdade no dia 30/11. Entretanto, há de se frisar o que foi positivo nesse processo: a primeira greve operária pelo fim da escala 6×1 parou duas fábricas de uma empresa multinacional. Este salto qualitativo não pode ser ignorado, afinal, cada trabalhador se deu conta de que o fim da exploração não vai se dar por meio de acordos de gabinete, de uma conciliação entre patrão e empregado mediada pelo Estado burguês. Tal conquista deve ser arrancada das mãos da burguesia pela classe trabalhadora organizada.

Nesse sentido, torna-se cada vez mais importante não perder as rédeas da mobilização. Da luta de hoje, deve-se tirar os planos para as lutas futuras. Aprender com os exemplos que os companheiros grevistas nos deram e estar ao lado deles todos os dias. Em cada panfletagem e em cada brigada em porta de fábrica, o exemplo dos trabalhadores da PepsiCo deve ser lembrado e deve-se apresentar a Unidade Popular e o seu programa, que reivindica a redução da jornada de trabalho para seis horas diárias a todos os trabalhadores. É preciso trabalhar para que mais greves se espalhem pelo Brasil, com o objetivo político de fortalecer o proletariado na luta pelos seus direitos.

Apoio popular

Pesquisa publicada pela Folha de São Paulo revelou que 70% da população brasileira apoia o fim da escala 6×1. Não para por aí: 65,8% dos entrevistados demonstram ter consciência de que os patrões se opõem à PEC porque o modelo vigente permite maior exploração do trabalhador, resultando em grandes margens de lucro, e 77% entendem que a produtividade do trabalhador aumentaria com mais tempo de descanso. Além disso, o apoio ao fim da jornada chega a ser até 10% maior entre as mulheres (86%) do que entre os homens (76%).

Matéria publicada na edição nº 304 do Jornal A Verdade

Qual o papel das Forças Armadas na conspiração para dar um golpe fascista no Brasil?

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Ao longo da História, as Forças Armadas realizaram vários golpes militares para reprimir os trabalhadores e manter o poder nas mãos da burguesia. Segundo o inquérito da PF, os comandantes das Forças Armadas se reuniram 14 vezes para discutir o golpe com Bolsonaro após a derrota nas eleições.

Heron Barroso | Redação


Após a publicação do inquérito da Polícia Federal (PF) sobre a conspiração fascista para dar um golpe de Estado e impor uma nova ditadura militar no Brasil, os meios de comunicação da burguesia imediatamente passaram a defender a tese de que a democracia brasileira foi salva pelo Alto Comando das Forças Armadas, que se recusou a participar da trama bolsonarista.

Para eles, os milhões de brasileiros que foram às ruas pedir a saída de Bolsonaro da Presidência, a falta de apoio da imensa maioria da população, o isolamento do ex-capitão dentro e fora do país e a resistência dos movimentos sociais não tiveram nenhuma importância.

Nos jornais, TVs e internet, centenas de manchetes e colunas saudaram a “firmeza” com que os militares supostamente impediram o golpe. O ministro da Defesa José Múcio chegou a afirmar que o golpismo nas Forças Armadas é um caso isolado e não representa a maioria da instituição. “Eu desejo que tudo seja esclarecido para tirar de cima das Forças Armadas a névoa da suspeição”, disse.

Porém, não se trata de suspeição, sr. ministro, mas de fatos. Nada menos que 25 das 37 pessoas indiciadas pela PF são militares, muitos ainda na ativa, entre eles o ex-ministro da Defesa, o ex-comandante da Marinha e outros quatro generais. Como é possível não enxergar aí o envolvimento da cúpula das Forças Armadas na tentativa de golpe?

Essas mesmas Forças Armadas realizaram, ao longo da História, vários golpes militares para reprimir os trabalhadores, manter o poder nas mãos da burguesia e impedir o avanço da revolução socialista em nosso país. Jamais devemos esquecer que foi nos quartéis do Exército, Marinha e Aeronáutica que foram torturados e assassinados centenas de revolucionários, verdadeiros patriotas e democratas, como Manoel Lisboa, Emmanuel Bezerra, Sônia Angel e José Carlos da Matta Machado, entre outros.

Mas, ao que parece, o ministro da Defesa e algumas personalidades e organizações que se dizem de esquerda se esqueceram. Por isso, nunca é demais relembrar alguns casos de participação direta das Forças Armadas em golpes e conspirações e qual sua verdadeira função numa sociedade capitalista.

A lista é grande

Em 1899, o Exército “proclamou” a República e nomeou dois generais seguidos como presidentes: Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Em 1930, esse mesmo Exército empossa Getúlio Vargas na Presidência e cria o chamado “Estado Novo”, em 1937. Poucos anos depois, em 1945, as Forças Armadas depõem Vargas e “elegem” como presidente o general Eurico Gaspar Dutra. Em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, os militares tentam impedir a posse do vice, João Goulart, que assume, mas é golpeado em 1964 e se exila. De 1964 a 1985, cinco generais são nomeados presidentes do Brasil, durante uma ditadura que assassinou mais de 10 mil pessoas e perseguiu, prendeu, sequestrou, torturou outros milhares.

Mesmo após o fim do regime militar, as Forças Armadas continuaram reprimindo os trabalhadores. Em 1988, no governo Sarney, o Exército interveio para acabar com a greve dos trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) por melhores salários e por redução da jornada de trabalho. Foram assassinados três operários e centenas ficaram feridos, no que ficou conhecido como “Massacre de Volta Redonda”.

Em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o Exército reprimiu uma greve na Petrobras, ocupando quatro refinarias, prendendo vários dirigentes sindicais e confiscando o dinheiro dos sindicatos.

Agora que refrescamos a memória do sr. José Múcio e de todos que, como ele, ainda creem no mito do espírito democrático de nossas Forças Armadas, vejamos qual foi o papel dos militares na conspiração para dar o mais novo golpe fascista no Brasil.

O Alto Comando no golpe

Na delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro afirmou que seu chefe se reuniu várias vezes com membros do Alto Comando das Forças Armadas para tratar da “minuta do golpe”. Um deles foi o general Estevam Theophilo, então chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército, que se colocou à disposição da quartelada. “No final da reunião, foi repassado ao colaborador que o general Theophilo disse que se o presidente Jair Bolsonaro assinasse o decreto, as Forças Armadas iriam cumprir”, afirma trecho da delação de Cid.

Ainda segundo o inquérito da PF, os comandantes das Forças Armadas se reuniram 14 vezes para discutir o golpe com Bolsonaro após a derrota nas eleições. Em quatro desses encontros, estiveram os comandantes das três forças juntos. Em cinco ocasiões, dois compareceram e, em outras cinco, somente um deles estava. Freire Gomes, comandante do Exército, foi o mais assíduo: esteve reunido com Bolsonaro 12 vezes.

Ou seja, desde o início, membros da cúpula das Forças Armadas não apenas sabiam, como estavam participando ativamente da conspiração para matar o presidente eleito e seu vice, sequestrar um ministro do Supremo Tribunal Federal e anular o resultado das eleições, mas nada fizeram. Só admitiram conhecimento do plano terrorista depois que a coisa deu errado e perceberam que poderiam acabar na cadeia.

O próprio general Freire Gomes confessou, em depoimento à PF, que “participou de reuniões no Palácio da Alvorada após o segundo turno e que Bolsonaro apresentou hipóteses de utilização de institutos jurídicos como GLO (Garantia da Lei e da Ordem), estado de defesa e estado de sítio”.

O ex-comandante do Exército jura que tentou convencer Bolsonaro a não ir adiante e que chegou a avisar ao então presidente que, se ele atentasse contra o regime democrático, seria obrigado a prendê-lo.

Ora essa! E por que não prendeu?

A resposta é simples: não prendeu porque a cúpula das Forças Armadas não tem um tantinho assim de honra e dignidade; estão mais preocupados em manter seus privilégios e mordomias. Para esses generais, a democracia é desnecessária, a liberdade do povo atrapalha seus interesses e melhor seria que a ditadura de 1964 nunca tivesse acabado. É por isso que, todos os anos, eles fazem questão de comemorar o aniversário do golpe nos quartéis e nos clubes militares.

Um governo sério teria expulsado todos esses comandantes das Forças Armadas e pedido sua prisão por conspirarem contra a Pátria. Mas os defensores do mito de que o Exército é leal à democracia insistem em não ver mais que uma “névoa de suspeição” em tudo isso…

É preciso muita ingenuidade (ou será mau caráter?) para acreditar que justamente os militares indicados por Bolsonaro para chefiar as Forças Armadas tenham impedido a execução do plano golpista. Ou será que esses senhores também esqueceram que, por quatro anos, Bolsonaro e seus generais atuaram para enfraquecer a democracia no país, atacaram as eleições e ameaçaram diversas vezes acabar com as liberdades democráticas?

Quando, finalmente, o ex-capitão foi derrotado nas eleições de 2022, esses mesmos comandantes permitiram que milhares de fascistas montassem acampamentos em frente aos quartéis. Chegaram mesmo a assinar uma nota pública chamando os acampamentos de “manifestações populares”. Agora está claro que esses acampamentos foram parte fundamental do plano e que, sem eles, dificilmente o 08 de janeiro teria ocorrido.

A quem servem as Forças Armadas?

Mais que uma ingenuidade, a recusa em considerar as Forças Armadas como instrumento fundamental de repressão e dominação da burguesia sobre os trabalhadores e o povo é uma das principais causas do atraso da revolução em nosso país. Os governos do PT, aliás, não mediram esforços em aumentar as verbas e comprar armamentos para tornar o Exército e as polícias ainda mais poderosos e modernos.

A verdade é que, numa sociedade capitalista, como a brasileira, o Exército está a serviço da burguesia, defende os interesses dessa classe e está sempre a postos para defender os interesses e as riquezas dos grandes capitalistas.

Por isso, os comunistas revolucionários, para não se deixarem ser pegos de surpresa, devem ter sempre em mente as palavras do camarada Manoel Lisboa, em seu artigo O Exército burguês pode e deve ser destruído:

“Este exército da burguesia não é amado pelo povo brasileiro. Para destruirmos este exército, temos que formar o nosso próprio exército, o exército do proletariado. Este, sim, será um exército realmente popular, porque será formado por pessoas do povo, por pedreiros, carpinteiros, torneiros, soldadores, serventes, tecelões, estudantes, sapateiros, camponeses, comerciários, etc. Será um Exército Popular e Revolucionário porque defende os verdadeiros interesses do povo e luta por uma sociedade melhor, uma sociedade mais perfeita e mais justa, luta por uma sociedade socialista”.

Matéria publicada na edição nº 304 do Jornal A Verdade

Prefeitura de Teresópolis (RJ) não paga 13º salário e revolta servidores

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Milhares de trabalhadores de Teresópolis (RJ) ficaram sem receber o 13º salário de 2024. O novo prefeito, Leonardo Vasconcellos (União Brasil), segue sem dar uma solução para o problema e ataca o direito dos trabalhadores.

Redação RJ


Os servidores da Prefeitura Municipal de Teresópolis enfrentaram um fim de ano de angústia e revolta. Desde o dia 20 de dezembro de 2024, milhares de trabalhadores ficaram sem receber o 13º salário, um direito garantido por lei. O novo prefeito, Leonardo Vasconcellos (União Brasil), até agora não deu uma solução para o problema e segue atacando o direito dos trabalhadores que sequer puderam garantir uma ceia digna com suas famílias

A indignação é geral. Os servidores, que dedicaram todo o ano a prestar serviços essenciais à população, agora vivem a incerteza não apenas do pagamento do 13º, mas também do salário de dezembro. “Foi um Natal muito triste. Tentamos contato com o prefeito e com o secretário Vinícius Oberg, mas fomos ignorados. Quando finalmente recebemos uma resposta, nos disseram que o pagamento dos comissionados estava sendo feito, mas que o dinheiro para o 13º dos servidores não seria depositado”, relatou um representante da categoria em entrevista para o site O Diário de Teresópolis.

A justificativa apresentada pela administração municipal é que a empresa Águas da Imperatriz não realizou um repasse esperado. No entanto, a própria prefeitura foi a responsável por privatizar o fornecimento de água do município para uma empresa do grupo Águas do Brasil, que é alvo de diversas denúncias. A responsabilidade é do governo, que deveria garantir o pagamento em dia.

A arrecadação líquida das receitas correntes da Prefeitura de Teresópolis em novembro de 2024 foi de R$ 1.969.594,27, portanto é falso afirmar que não tem dinheiro para o salário dos servidores. Os trabalhadores têm realizado manifestações em frente à Prefeitura e ao restaurante Viva Itália, pertencente ao ex-prefeito, que recorreu à justiça burguesa para tentar impedir os protestos no local.

A direção do SEPE cobrou a realização de uma reunião com a novo prefeito, que ficou definida para o dia 22/01, às 14h. Segundo o governo, a partir desta data terá uma previsão mais realista sobre orçamento. Porém o prefeito Leonardo Vasconcellos, que assumiu o governo no primeiro dia do ano, teve tempo suficiente para resolver a questão e certamente seu salário, de seus assessores, secretários e vereadores não faltarão ou ficarão atrasados.

A população também é chamada a apoiar os trabalhadores. O funcionalismo público é essencial para o funcionamento do município, e o desrespeito a seus direitos afeta a todos. A reivindicação não é apenas por um salário; é por dignidade e pelo cumprimento da lei.

Enquanto isso, o ex-prefeito Vinícius Claussen, aliado dos fascistas Cláudio Castro e Bolsonaro, teve uma virada de ano cheio de regalias, fruto dos impostos da população. Nesse sentido é necessário organizar a luta dos trabalhadores contra os governos reacionários que só favorecem os muito ricos em detrimento da imensa maioria do povo.

MLB realiza brigada de solidariedade às vítimas de enchente em Joinville 

Pondo em prática seus princípios de solidariedade popular, a militância da UP e do MLB em Joinville (SC) distribuiu alimentos, roupas e itens de higiene às famílias atingidas pela enchente no bairro Ulysses Guimarães

Mateus Lemos | Joinville (SC)


Na manhã do último dia 7/12, os moradores do bairro Ulysses Guimarães, localizado na zona sul de Joinville (SC), tiveram suas casas invadidas pela água. A maré alta e as fortes chuvas não foram os únicos responsáveis pelo desastre, pois toda a zona sul de Joinville sofre com o descaso da prefeitura. Esgoto a céu aberto, ruas sem asfalto, pessoas vivendo com energia elétrica improvisada ou sem acesso a água encanada são situações comuns na região, que agravam os efeitos a crise climática capitalista.

Apesar de tudo isso, o prefeito milionário Adriano Silva (NOVO) afirmou que nenhum grande estrago ocorreu na cidade, ignorando as inúmeras famílias que sofreram com as cheias dentro de casa. Fruto desse descaso, nenhum serviço público de emergência e acolhimento foi direcionado pela prefeitura ao local. No entanto, o povo do bairro Ulisses Guimarães pôde contar com a solidariedade do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB).

MLB organiza luta na região

Há um ano, o MLB e a Unidade Popular (UP) começaram a desenvolver um trabalho na região, e desde então foram realizadas diversas conversas com os moradores para entender suas demandas. Entre as principais reivindicações de quem vive no local estão a implementação de saneamento básico e o asfaltamento das ruas.

Logo após a enchente em Joinville, toda a militância da região foi mobilizada para a organização de uma brigada de solidariedade, que recolheu alimentos, itens de higiene e roupas e os distribuiu para os moradores mais atingidos. 

Nesse cenário, a presença e mobilização dos militantes do MLB foi decisiva para o apoio aos afetados pelo incidente climático. Em menos de 24 horas, já haviam sido conquistadas cestas básicas para 6 das famílias atingidas e outras 14 cestas foram distribuídas a outras famílias nos dias seguintes. 

No dia 8/12, também foi realizada no bairro uma plenária de apresentação do MLB, que compartilhou com os moradores o trabalho desenvolvido pelo movimento e suas propostas para a reforma urbana. A plenária e toda a linha política foi muito bem recebida pela população do bairro, que gentilmente cederam o espaço para a luta do movimento.

Carestia da vida em Joinville e a luta popular

Em Joinville, a existência de inúmeros imóveis vazios no centro da cidade se localiza em um contexto de forte especulação imobiliária, que faz com que os preços dos aluguéis fiquem mais caros e, portanto, inacessíveis para grande parte da população. Assim, as famílias pobres tem sido cada vez mais jogadas para a periferia da cidade, onde sofrem com o descaso do poder público.

As chuvas voltam todos os anos e, com a falta de infraestrutura, os moradores das regiões periféricas são sempre os mais afetados quando ocorre uma enchente em Joinville. Como é de praxe entre as prefeituras da burguesia, a prioridade dos governos não é desenvolver políticas públicas para evitar tragédias ou realocar pessoas vivendo em áreas de risco, mas garantir a propriedade da pequena parcela de grandes ricos da população. 

Apenas em uma sociedade onde os imóveis sirvam para atender às necessidades da população, e não como fonte de lucro, problemas como esse poderão ser resolvidos, já que o déficit habitacional é inerente ao modo de produção capitalista.

Assim, o povo organizado e realizando brigadas de solidariedade ou ocupações urbanas aprende na prática que somente a organização popular pode mudar nossa dura realidade. Por isso, o MLB e a UP entendem que sua tarefa é ir além e mostrar que, apenas com a organização do povo pobre e periférico é que podemos construir uma nova sociedade, que não seja pautada no lucro e nem se baseie na exploração do homem pelo homem: uma sociedade socialista.

Paralisação do Sindlimp conquista bonificação e pagamento de salários atrasados

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Ação dos trabalhadores da limpeza urbana de João Pessoa (PB) foi motivada pelo atraso de quatro meses no pagamento de seus salários pelas empresas do setor. Ao fim da paralisação, organizada pelo Sindlimp, categoria também conquistou bonificação de R$100

Redação PB


Na noite da quinta-feira passada (9/1), os urbanitários organizados no Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana na Paraíba (Sindlimp-PB) paralisaram as atividades das empresas Techsol e Inova, na cidade de João Pessoa (PB), devido ao atraso no pagamento de seus salários.

A realidade dos trabalhadores da limpeza urbana, denunciada no último mês pelo jornal A Verdade, mostra as consequências da precarização dos serviços terceirizados de limpeza contratados pelas prefeituras de todo o país. Na região metropolitana de João Pessoa atuam seis empresas, das quais quatro já foram palco de intensas lutas e denúncias por conta dos constantes atrasos no pagamento do vale-alimentação, 13º e mesmo o salário aos trabalhadores da categoria. Em dezembro, os trabalhadores de Bayeux e Cabedelo também recorreram à greve para fazer seus direitos valerem.

Desta vez, não foi diferente. As duas maiores empresas que atuam na capital, ambas com mais de 1000 funcionários, Techsol e Inova, atrasaram o pagamento de seus funcionários. “O motivo, hoje, dessa negativa à empresa é por conta e responsabilidade dela!”, denunciou o presidente do Sindlimp-PB, Radamés Cândido, em uma das assembleias na porta da empresa Techsol.

Com muita força e combatividade, centenas de trabalhadores paralisaram suas atividades por três horas, e junto de seu sindicato conquistaram o pagamento dos funcionários, além de uma bonificação no valor de R$ 100,00. Com contrato renovado junto à Prefeitura, a empresa segue o descaso com o terceiro mês seguido com atrasos no pagamento. A luta, mais do que nunca, organizada e classista se mostra fundamental para arrancar vitórias e avançar na dignidade dos profissionais da limpeza urbana.

Santarém (PA) é a segunda cidade mais poluída do planeta

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No último dia 29 de novembro, o ar da cidade paraense de Santarém só não estava mais poluído que o da capital da Índia, segundo a plataforma PurpleAir. Caso escancara a crise ambiental vivida pelo Pará, que sediará neste ano a COP-30

Denily Fonseca | Belém (PA)


Na madrugada do dia 29 de novembro, Santarém, no Pará, registrou níveis alarmantes de poluição do ar, atingindo 411 microgramas por metro cúbico de material particulado, conforme dados da plataforma PurpleAir. Esse índice coloca a cidade como a segunda mais poluída do mundo, atrás apenas de Nova Délhi, na Índia, que registrou 513 microgramas por metro cúbico no mesmo período. Essa realidade expõe a crise ambiental que vive a região do oeste do Pará e reforça a urgência de ações concretas para proteger a Amazônia e suas populações.

A densa camada de fumaça que cobre Santarém é resultado direto das queimadas na região, evidenciando a falha na fiscalização ambiental e o enfraquecimento das políticas públicas de proteção florestal. Com a proximidade da COP-30, que será sediada em Belém, o Estado do Pará tem uma responsabilidade ainda maior de enfrentar os desafios climáticos com seriedade e compromisso. Acontece que, para isso, é necessário enfrentar grileiros, latifundiários, pecuaristas, enfim, o agronegócio, mas a postura governamental tem sido de buscar lucrar ao máximo com todo o cenário.

Prova disso é que, durante a COP-29, realizada em Baku, no Azerbaijão, o governador Helder Barbalho rapidamente tratou de pôr à venda os chamados Créditos de Carbono, que são compromissos de não emissão de gases do efeito estufa (1 crédito de carbono representa uma tonelada de carbono que deixaria de ser emitida no planeta), uma forma de monetizar o que deveria ser um compromisso com quem está preocupado com a vida. Pois bem, a projeção do governador é de que, até 2026, seja possível arrecadar R$ 35 bilhões aos cofres estaduais, ainda que isso não represente, na prática, melhora da qualidade de vida do povo, pois o mesmo governo busca hoje vender a empresa de água do estado, apoiado pelo BNDES, como já apontou em matéria o jornal A Verdade (BNDES financia privatização da água no Pará).

O que se pode afirmar é que as comunidades locais, povos indígenas e organizações da sociedade civil continuam resistindo, lutando pela preservação da floresta e pela saúde pública. Contudo, seus esforços precisam ser amplificados por governos que estejam verdadeiramente comprometidos com o fortalecimento das leis ambientais, a intensificação da fiscalização e a punição dos responsáveis por crimes ambientais. Sem isso, será impossível conter a devastação que acontece nos solos da Amazônia.

A realização da COP-30 em Belém é vendida como uma oportunidade única de impulsionar ações transformadoras e posicionar a Amazônia como um símbolo global de resistência e regeneração, porém, como demonstrou a COP-29, os países ricos e imperialistas, principais responsáveis pela emissão de gases na atmosfera, não estão dispostos a minimizar a crise causada pelo sistema capitalista, mantido pelas suas burguesias. A proteção da Amazônia não é apenas uma questão ambiental, mas um compromisso político para garantir a saúde e o bem-estar das gerações atuais e futuras. Esta luta cabe às classes exploradas e aos povos oprimidos que buscam uma nova sociedade, uma resposta para seus problemas. Nós dizemos que essa resposta é o socialismo.

Matéria publicada na edição impressa nº 304 do jornal A Verdade